domingo, 27 de dezembro de 2009

Japonês na Bahia

Minha prima japonesa e seu namorado-quase-noivo estão visitando a Bahia pela primeira vez, vieram do Paraná. Então leveio-os para a feira da cidade para conhecerem e degustarem todas as coisas típicas in natura da região. Coisas que eles nunca ouviram falar: umbu, pequi, pinha, buriti, siriguela, pitomba... Frutas com sabor exótico ou que lembram alguma outra já conhecida. Claro que eles estranharam o sabor de tudo.

Bem, na Bahia não pode faltar a fruta agreste mais popular de todas, o COCO. Muito popular, os olhos puxados saltaram com alegria ao reconhecer, enfim, algo saboroso.

Prima:
- Olha, coco! Quanto custa?

Vendedor 1:
-R$1,00.

Prima:
-Nossa que barato, na praia custa R$3,00. Mas, olha, ali tem uns maiores.

Menos de 3 metros de distância depois.

Prima:
-Quanto está o coco?

Vendedor 2:
-R$0,50

Volto lá no primeiro vendedor, a pedido de uma prima desconfiada, e pergunto o preço para desencargo de consciência. Ele me diz:

-R$ 0,50

A fama de japonês por aqui é de quem tem muito dinheiro. Por via das dúvidas, nós, os locais, vamos na frente e para perguntar.

Mas, às vezes a falta do sotaque (ou excesso) na hora de falar pode confundir os ouvidos, ainda mais com coisas que não são muito comuns no dia-a-dia do baiano do interior.


- Oi, vocês têm champignon?

-Hã?

-Champingon.

-Bolacha Champagne?

-Não, cogumelos.

-O quê?

-Cogumelos! (fazendo gestos com as mãos)

-Ah, tem não.

-E Toddy?

-Fia, olha lá no fundo!

Alguns minutos depois, a moça volta:

-Tem Nescau.

-Ah, tá. Obrigada.

Cinco mercadinhos depois, nos rendemos ao palmito e Nescau e voltamos para casa. Mas, acredito que os convecerei a entrar no cardápio baiano. Nem passamos ainda pelo acarajé, vatapá, mocotó, buchada...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

No aconchego do Natal


Consegui chegar a tempo de pegar a ceia de Natal em Barreiras (BA) e confraternizar com minha família. Que alívio! Passar as festas de fim de ano sozinha em Brasília seria depressivo. Mas terei que voltar para Brasília para trabalhar na terça-feira, 29; um imprevisto no meio do meu recesso de trabalho; e ainda voltar a tempo de passar o reveillon na Bahia. Maratona!

Tudo pela família. Neste ano senti falta dela demais. Ainda mais com os sobrinhos crescendo e os priminhos japoneses nascendo. A casa está cheia de crianças e não há final de ano mais gostoso sem esses pequeninos por perto. É interessante vê-los crescendo e descobrindo o mundo.

Descobri que crianças têm medo do mundo. Na verdade, de ficar sozinhas no mundo. E quando se tornam adultos, continuam com medo da solidão.

Acabei de levantar e o Henrique, dois anos, acordou chorando porque estava sozinho, não viu o pai nem a mãe por perto (tia que mora longe não é parente até ele ter uns 5 anos). Eu o compreendo. Uma vez dormi no sofá no meio da tarde e quando acordei, meus pais e irmãs não estavam na casa. Achei que o mundo tinha acabado e só restara eu. A primeira coisa que pensei é se o estoque de bolachas na despensa seria suficiente para eu viver e fiquei com medo de pôr a cara para fora e descobrir um mundo desolado por alguma bomba atômica. Felizmente minha mãe voltou logo, me encontrou com uma cara emburrada (eu tinha sido abandonada), mas logo passou porque estar com eles é confortante.

Bem, a mãe do Henrique estava a uns 5 mts do quarto, logo ali, na sala. Mas essa historinha demonstra bem o sentimento de conforto e proteção que sentimos ao estar perto da família.

Feliz Natal!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Ranking do Cafezinho

Ando trabalhando tanto, num ritmo alucinado, que tenho aceitado todo tipo de café oferecido nas repartições públicas, durante o expediente, indiscriminadamente. Tenho levado ao pé da letra de que café faz bem para a saúde, dá energia, combate o cansaço e a depressão e ainda proporciona um pequeno prazer similar ao chocolate.

Pois bem, nessa maratona, eu e meus colegas (alguns fumantes, outros viciados em café assumidos) passamos a fazer um ranking do melhor e do pior cafezinho servido. Começou inocentemente nos gabinetes do Congresso Nacional. Depois de subir, descer, andar, correr e deslizar (na esteira rolante horizontal) por vários gabinetes, nos deparamos com um café expresso no gabinete de um certo deputado federal. A notícia se espalhou rápido.

- Prove esse aqui que é bom.

Além da fila que se formou, sempre que o encontro o deputado, me pergunto qual seria a marca daquele café.

Claro que não há nenhum barista entre nós, meros comunicólogos, mas, depois de tantas variações de café forte, fraco e com ou sem açúcar, passamos a aguçar os sentidos. Identificar, pelo sabor, se foi passado no filtro de papel ou de pano, foi um grande avanço.

Aliás, no ranking dos piores, a Secretaria do Esporte do DF ficou em primeiro lugar: café aguado, ultra-doce e ainda com gosto do pano em que foi passado. Nenhum de nós conseguiu passar do primeiro gole.

Em segundo lugar, o da secretaria onde trabalho depois que a copeira saiu de férias. Há pessoas que tem seu valor reconhecido somente depois que se vão: poetas, pintores, compositores e bons cozinheiros. O café da substituta não tinha rotina, nunca era igual ao outro. Cada dia uma surpresa pior.

Em terceiro lugar, o da Embaixada do Japão. O país tradicional no cultivo de chá, nos serviu chafé. Café aguado de boa qualidade, já viu isso?

Em quarto lugar, os cafezinhos dos ministérios servidos com adoçante líquido. Blergh! Por via das dúvidas, um dos colegas só toma sem. Eu desisti da dieta e peço açúcar. E não espere ser bem servido no gabinete da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ou em alguma secretaria especial com status de ministério. Os cafés de lá vêm do mesmo saco.

Em uma das minhas últimas pautas, cheguei a comentar com o garçom que estava fazendo um ranking. Além dele afirmar que eu iria gostar daquele, ainda se declarou o autor da façanha e me pôs DUAS colheres de açúcar na xícara; metade café, metade pó branco. Depois de duas horas de reunião, no segundo round, diante do atrevimento do garçom em me perguntar se eu tinha gostado, eu pedi sem açúcar para compensar o primeiro.

Constatei que os melhores cafezinhos são servidos nos tribunais do judiciário. O mais gostosinho que provei foi no gabinete de um certo ministro do Tribunal de Justiça. Mas, os do STF (Supremo Tribunal Federal) e TCU (Tribunal de Contas da União) também são caprichados.

Mas dentre todos, ainda mantenho meu conceito: melhor mesmo é tomar chá (sem açucar, por favor). Claro que para isso há toda uma ciência arragaida com a virtude da paciência. Não dá para tomar um chá com toda a tranquilidade que tal bebida exige no meio do corre-corre. Chá nunca foi bebida de workaholic, isso é coisa de passado. A onda agora é tomar café adocicado...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mais Bolsas de Estudos no Japão


Como meu objetivo de estudos no exterior é o Japão, eis aqui bolsas abertas no período:

1) BOLSA DE ESTUDOS - UNESCO: Programa de bolsas Keizo Obuchi para jovens pesquisadores

Prazo: 15 de julho de 2009 a 8 de janeiro de 2010.

Abertura de inscrições de 20 bolsas de estudo, oferecidas pelo Governo do Japão, no âmbito do programa Keizo Obuchi de Bolsas de Estudo.

O referido programa oferece bolsas de US$ 6 a 10 mil dólares para
pesquisadores pós graduados, de menos de 40 anos e oriundos de países em desenvolvimento - particularmente aqueles de menor desenvolvimento relativo - que desenvolvam trabalhos nas seguintes áreas:

• a) Meio-ambiente;
• b) Diálogo intercultural;
• c) Tecnologias de comunicação e informação; e
• d) Resolução pacífica de conflitos.


Cada país pode submeter até duas postulações.

Maiores informações e formulário de inscrição aqui.



2) Formação de Líderes da Comunidade Nikkei (Bolsa de Mestrado)


Período: A partir de 15 de julho até 24 de setembro de 2009.
Com o objetivo de formar recursos humanos capazes de liderar a comunidade Nikkei no futuro, ou de contribuir para o progresso do país em que reside e tornar-se elo de ligação entre o Japão e o seu pais, a JICA custeará, ao título de ajuda indireta, as despesas de permanência e de estudos dos nikkeis que estão com o ingresso no curso de pós-graduação no Japão.

Maiores informações e formulário de inscrição aqui ou aqui.


Todos exigem fluência em japonês.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Eu quero a minha mãe!


Estou gripada. Não é gripe suína. Não soltei nenhum grunhido. Mas me derrubou neste fim de semana. Morar sozinha e ficar doente é F***!

Aqui estou em estado lastimável: tosse e coriza. Caixa de lenços de papel debaixo do braço, álcool em gel na bolsa e uma placa pendurada no pescoço "Não se aproxime, estou gripada". Em cada espirro, o lenço vai para o lixo e o álcool para as mãos.

Tossir dentro do metrô é impossível. Nestes tempos de pandemia podem me jogar pela janela. Já tentaram engolir uma tosse? É um inferno. A garganta coça, engolir coça, respirar coça. Segura, segura... Ah, passou... Trinta minutos de agonia num vagão lotado.

E alguém já conseguiu a proeza de espirrar e tossir ao mesmo tempo? Eu já. É horrível. Antes de tossir, precisa-se engolir uma golfada de ar para ter fôlego para expelir o muco nojento verde ou amarelo que vem por aí. No espirro, o ar sai pela boca e nariz. Eu fiquei no meio das duas experiências. Meu nariz coçou, senti que ia espirrar e de repente tossi! E no meio do tossido, expirrei. A tosse ficou trancada no espirro. Não sei nem se existe onomatopéia para isso.

Enfim, quero a minha mãe! Ô, coisa chata é ter que fazer canjinha para si mesmo. Se embrulhar bem, se auto-amarrando com um lençol para evitar que se desembrulhe sozinha de madrugada.

Ah, ir na farmácia buscar anti-gripais e fazer um chá para tomar antes de deitar é praticamente um trabalho de auto-disciplina!

Alguém já conseguiu medir a temperatura de si mesmo? Sua mão está quente igual ao resto do corpo, então é necessário um termômetro. No caso de não haver um, desça até a portaria do prédio e peça ao porteiro para pôr a mão na sua testa. No máximo, vão achar que ele está lhe dando um passe mágico.

Ou se estiver com frio em um dia quente, você realmente está com febre. Difícil é encarar o banho frio, fazer compressas de água gelada em si mesmo... Acho que nem o mais corajoso dos mortais consegue. É melhor ir se arrastando até a farmácia em busca de um anti-térmico. Peça um copo de água, uma cadeira, e diga à farmacêutica para segurar sua mão, pois não está se sentindo muito bem...

E gripe tira a fome! É preciso ficar repetindo "tenho que comer, tenho que comer, preciso comer para não morrer... Hum, o que é isso? Chocolate?". Não!!! Lembre-se que tem que comer verduras, legumes, frutas e tomar muito líquido.

Em último caso, se piorar, corra para a casa do amigo mais próximo! E leve seu cobertor enrolado no pescoço para a cena ficar mais dramática e ser abrigada por mais uma família solidária.

domingo, 13 de setembro de 2009

O que fazer quando se leva um FORA?


Um amiga estava na fossa. Levou um fora do cara com quem estava saindo.

Quem nunca levou um fora? Nessas horas...

O amigo íntimo diz:
- Chame seu amigo mais canalha para beber até cair. Ele vai lhe sacanear tanto lembrando de como o cara é um filho da P***, zoar com sua cara e lhe deixar com uma baita ressaca moral que só de pensar naquele cafajeste, você vomita.

A amiga diz:
- Putz! Vamos sair para dançar, beber e conhecer gente mais interessante! Você merece coisa melhor.

A mãe diz:
- É a vida, minha filha. Deus quis assim. Vai ver que não era para ser...

O pai diz:
- Ainda acho que você não deve se casar.

O amigo gay diz:
- Que é isso, nega? Vai ficar na fossa? Vamos agarrar outro!

O terapeuta diz:
- Eu disse.

Enfim, independente do conselho, a mulher reage de três formas: cai no choro e se enfia debaixo das cobertas até ser resgatada pelas amigas, faz da vida do cara um inferno ou dá a volta por cima e parte para a outra.

Meu lema é "tudo passa". O planeta possui quase 7 bilhões de habitantes e muita gente interessante por aí. Numa dessas voltas planetárias, há de se esbarrar com alguém legal. Então, a melhor solução é o conselho da amiga: vamos sair!

Acho que quando saímos dispostas a sermos felizes, de bem com a vida, pessoas interessantes aparecem atraídas por esse encanto. Mas, desde que não fiquemos caçando-as por aí, pois as afinidades rolam naturalmente, sem precisarmos forçá-las. Quem não quer estar ao lado de uma companhia agradável e simpática?

E ficar frequentando os mesmos lugares que iam juntos, bisbilhotando a vida virtual do cara ou perguntando aos amigos também não ajudam em nada na cura dessa dor.

Bola para frente e sorriso no rosto que o Mundo a espera!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Carta


Uma surpresa para mim na caixa dos correios.

É a resposta sobre a bolsa de estudos que estou peiteando para o Japão.

O que diz a carta? Eu não sei. Está em japonês.

Ela só tem dois parágrafos. Uma eu entendi, nela se agradece por eu ter me inscrito. Mas justamente a parte que diz se fui ou não aprovada, não compreendi.

Então, vou levar a carta para minha professora de japonês traduzir neste sábado.

Sinto que não fui selecionada. Imagino que nela está escrito algo do tipo: "Agradecemos sua participação, mas não foi dessa vez. Continue tentando". Ao menos duas pessoas que receberam a carta já adiantaram que não foram selecionadas.

Torço para a maré mudar... Mas, amanhã, enfim, saberei.

Nota 1: Sábado, 12. Soube num fórum que os que foram selecionados receberam cartas de até 4 páginas. Na minha carta só tem uma.

Nota final: Sábado, 12, meia-noite. Realmente, a carta comunica a não-seleção. Ainda não foi dessa vez.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Calcinha Amarela no Metrô



Ontem, a caminho do metrô, eu vi a coisa mais esdrúxula que jamais imaginei ver pessoalmente.

Um homem, jovem, aparentando uns 30 anos, de mochila nas costas, trajando um jeans, camiseta amarela e tênis. Uma pessoa comum.

Ele caminhava na mesma rua que eu, ia na minha frente em direção à estação do metrô. Atravessou as ruas nos mesmos lugares que sempre atravesso, ia na mesma velocidade. Fui andando tranquilamente, seguindo seu vácuo.

Quando inesperadamente, o dito resolve dar uma "coçadinha" nas costas. Ele apenas pôs a mão para trás, levantou um pouco a camisa e... Então eu vi.


Calcinha amarela, de rendinha, fio dental.

Botei a mão na boca para segurar o queixo, reprimir a risada. Quase tropecei.

Não era possível. Pensei que poderia ter me enganado. Mas ele continou coçando as costas, e eu logo atrás, percebi que era rendada na lateral. Um calcinha larga, mas que ia se estreitando conforme convergia... Inconfundivelmente diferente de uma cueca.

Talvez até estivesse pagando uma aposta, uma promessa, um fetiche para a namorada ou, simplesmente, um mico. Cada tipo que aparece no metrô...


domingo, 30 de agosto de 2009

Estudando idiomas


Estou fazendo dois cursos de idioma. Inglês porque preciso de qualquer jeito e japonês para resgatar a cultura de minha outra metade (a menos usada). Se eu passar no mestrado ou na seleção de bolsas no exterior, vou usá-los. Se não passar, ao menos serei uma pessoa um pouco mais culta.

De segunda a sexta-feira só penso em inglês, frequento as aulas do intensivão, faço exercícios e demoro uns 10 segundos para entender e traduzir o que estão me dizendo. No automático, as frases são "Excuse, good morning...", "How do you spell?" e "See you tomorow!".

Meu professor é marfinês, meu colega é descendente de alemão e eu, de japonês. Como na Costa do Marfim, país no sul da África, a língua oficial é o francês, acabamos aprendendo um pouco de muitas culturas. Salve a globalização! Pena que o esperanto não deu certo porque uma língua universal seria muito útil. Outro dia estávamos tentando explicar para o professor o que quer dizer "The cow went to swamp".

No sábado, é como seu eu fosse uma outra pessoa. Saio de casa repetindo as frases que preciso, e ainda não decorei, em japonês "Okurete sumimassen" (desculpe-me pelo atraso), "Kashite kudasai" (me empresta, por favor?) e "Yorushiku onegaishimasu" (conto com você).

Como são línguas totalmente diferentes, não tem como misturar. O único inconveniente é que quando se quer lembrar uma palavra, ela vem em todos os idiomas, menos no que você precisa. A palavra "eu", por exemplo:

Português: EU
Espanhol:
YO
Inglês:
I
Francês:
JE
Alemão:
ICHI
Japonês:
WATASHI


Dizem que aprender português é complicado, são muitas regras gramaticais e exceções. Mas aprender japonês é como ser uma criança sendo alfabetizada desde a coordenação motora. Começamos com um caderno de caligrafia. Letra por letra, número por número. Se errar a finalização de um traço (hamero, tomero, harau), apaga-se e faz tudo de novo. Se começar uma letra pelo traço errado, ela vira outra coisa. Literalmente, escrever em japonês é uma arte que exige tradição. Não dá para ser pós-moderno.


Até comprei um lápis especial para desenho e uma borracha que não borra. Mas me incomodam os resquícios que a borracha deixa sob a mesa. Então, em um sopro ou passada de mão, vão tudo para o chão, para cima da mesa do colega da direita ou da esquerda, meio metro para frente ou sobre o sapato de alguém. Em um mês já se foi um terço da borracha...

Mas, domingo é o dia mais importante da semana, preciso dele para eu retornar ao Brasil, um dia de transição para a realidade. Deus descansou no sábado; eu no dia seguinte porque metade de mim é brasileira, mas a outra ainda não se definiu.

domingo, 12 de julho de 2009

Bolsas de Estudos no Exterior


Passei o final de semana buscando informações sobre bolsas de estudos no exterior. Como qualquer viagem, é preciso planejar com antecedência. Buscar informações é o primeiro passo. Depois é necessário investir no idioma, ficar de olho nos prazos e correr atrás da papelada.

Resolvi aproveitar melhor a solteirice e usufruir dessas oportunidades (a maioria das bolsas limita a idade em no máximo 35 anos). Meu objetivo é a pós-graduação em comunicação social no exterior. Encontrei algumas informações nos consulados, as quais divido com os leitores:

1)EUA
PROGRAMA "OG - OPPORTUNITY GRANTS"
Auxílio de até US$ 5.000 para ingresso em Universidades nos EUA. Não oferece bolsa durante os estudos. O aluno entra em contato com a Universidade por conta própria.
Não há prazo estabelecido.

2)Inglaterra
Exigência de nota mínima de 6.5 no IELTS (International English Language Testing System). Oferece bolsa auxílio (valor não divulgado), cobre despesas acadêmicas (taxas, matrículas e mensalidades) de até £12.000 (doze mil libras esterlinas), mas não inclui passagem aérea.
3)Alemanha
Programa de pós-graduação com relevância para países em desenvolvimento
Bolsa de 750 EUR, seguro saúde, ajuda de custo para passagem aérea e curso preparatório de alemão.
Inscrições: até 28/08

4)França
O Governo da França não oferece bolsas, elas são oferecidas por organismos internacionais.

5)Japão
Bolsa para não-descendente somente em maio de 2010.
Oferece bolsa de 153 mil ienes, passagem aérea, 6 meses de curso de japonês e insenção de taxas escolares. Exige fluência em inglês ou japonês. E uma carta da universidade aceitando o aluno.

6)Austrália
Programa Endeavour
Oferece bolsa (sem valor divulgado), passagem aérea e seguro saúde.
Exige certificação IELTS (International English Language Testing System) e TOEFL (Test of English as a Foreign Language).
Inscrições até 31/07

7)Espanha
Já encerrou o prazo para inscrições, mas vale a informação para o ano que vem.
O Banco Santander financia o aperfeiçoamento em espanhol para graduados por três meses na Universidad de La Rioja, na Espanha.
Oferece bolsa de € 2.000 (dois mil euros), alojamento universitário, seguro saúde e insenção de taxas acadêmicas.

8)Canadá
O edital para pleito de bolsa encerrou em 29/06. Mas quem se interessa em estudar no país, os links estão em: http://www.canadainternational.gc.ca/brazil-bresil/study-etudie/index.aspx?lang=por&menu_id=47&menu=L

Escolhido o objetivo, é preciso direcionar o foco. Aperfeiçoar o idioma e regularizar a documentação para inscrição e enviá-la dentro do prazo. Depois torcer para ser selecionado nas disputadíssimas bolsas de estudos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Eu não ronco


É mentira. Eu não ronco.

Depois dos amigos mais chegados (e sacanas), ex-namorados e alguns familiares afirmarem que eu ronco, resolvi ir a um otorrinolaringologista. No consultório, o médico perguntou qual era o meu problema.

-Eu acho que ronco. É o que me dizem.

-Com qual intensidade?

-Como eu vou saber? Estou dormindo! É tudo baseado no que dizem.

Então fiz alguns exames, enfiaram-me tubos do nariz até a garganta. Achei até que teria que buscar uma clínica do sono. Encontrar um otorrinolaringologista especializado nisso e que atendesse pelo plano de saúde já foi difícil. Como aparentemente estava tudo bem, o médico me explicou o que pode levar uma pessoa a roncar: sobrepeso (mas com 10 kg a menos, meu amigo Gu afirmava que eu ainda roncava), adenóide e desvio de septo (obstrução das vias nasais) e relaxamento dos músculos da garganta.

De acordo com o Núcleo de ORL (Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço) de São Paulo, 25% das pessoas roncam habitualmente e 45% ocasionalmente. Ou seja, raramente encontraremos alguém que não ronca. Mas, se um homem roncando já é horrível, uma mulher é muito mais constrangedor. Conheci uma que roncava mais que um homem gordo e apavorei. Comecei a ficar com vergonha da possibilidade do meu ronco ser como o dela. E como durmo em 5 min, esperar que o outro adormecesse para roncar em paz seria impossível. O ideal seria expulsar o indivíduo do quarto antes de adormecer.

De acordo com o resultado dos exames médicos, tenho um pequeno desvio de septo numa das narinas, mas nada que venha a causar um ronco exagerado. A possibilidade mais óbvia seria o relaxamento dos músculos da garganta. Então, o médico me encaminhou para exercícios vocais com um fonaudiólogo (que o plano de sáude não cobre).

Com tanta coisa para fazer, acabei deixando para segundo plano. Mas, hoje, nesta noite, resolvi fazer um pequeno teste. Gravei minha primeira hora de sono. Pois me parece que as pessoas começam a roncar no início do sono. Então, posicionei gravador e despertador para desligarem exatamente uma hora depois que eu dormisse.

Hoje cedo fui ouvir a gravação, morrendo de medo de ouvir alguma voz estranha e soturna no meio dos ruídos chamando meu nome... A minha surpresa (mais feliz) é que o silêncio foi total. Pontuada apenas com o despertador tocando no final.

Então, ao menos na primeira hora de sono, é mentira do povo. Eu não ronco e isso é uma conspiração.

:)

sábado, 23 de maio de 2009

Indiscrições no apartamento de cima


Toc, toc, toc, toc, toc... Toc, toc.

Hoje acordei às 4h da madrugada com a vizinha do andar de cima chegando da balada de salto alto.

Eu sei que horas ela chega, que horas sai, quando ela está namorando ou quando ela está de caso. Tudo pelos barulhos dos pés que vem do andar de cima. Sobre sexo falo mais abaixo.

Quando o namorado dormia lá, ele acordava às 7h (e pisava pesado), fazia a barba (batia o barbeador na pia), não tomava café (o som da pisada ia do quarto direto para a porta de saída) e ia para o trabalho. Dei graças aos céus quando eles terminaram, ganhei uns meses de sossego.

Todo dia, ela calça um tamanco, chega na porta, lembra que esqueceu algo e volta para pegar no quarto. Toc-toc-toc. Quando chega muito cansada (dá até para saber o humor), senta na cama, tira o sapato e joga no chão. Tom! Tom!

Já reclamei na portaria timidamente:

-Olha, por favor, não quero incomodar, mas talvez a moça do andar de cima nunca tenha morado em apartamento, então peça-a para tirar o salto alto quando chegar em casa, pois tem me acordado todos os dias.

Melhorou, mas continua. Ainda mais que agora ela está saindo com alguém de novo.

Nós temos um sério problema de sacada no prédio. À noite, no silêncio da escuridão, se a sacada estiver aberta, dá para ouvir tudo o que se fala nos apartamentos. E a luz acesa, se destacando na noite, denuncia o andar. Eventualmente acordo com os gemidos (alguns sussurrados, outros esganados) de algum vizinho. Dá vontade de gritar:

-Goza logo, pelo Amor de Deus!

Mas, compreensivamente, fecho a sacada. O vizinho ao lado liga a tv no volume alto. Um ou outro acende a luz e vai para a sacada tentar descobrir quem é o autor da performance. Mas ninguém grita nada pornográfico. Ah, isso não. Acho que todos entendem que o(a) filho(a) de Deus também merece dar uma de vez em quando, afinal ninguém aqui é santo.

Certa vez, nem fechando a sacada houve sossego. O casal resolveu conversar depois do sexo. O que considero muito bom, saudável; mas não com a sacada aberta! Dava para ouvir todo aquele diálogo íntimo. Fui até a portaria:

-Por favor, avise a moça do andar de cima que dá para ouvir TUDO lá de baixo. Ela vai entender o que estou dizendo.

Eu nunca me apresentei à essa vizinha, mas já a conheço de vista. Deduzi. A reconheci no elevador quando subimos um andar e uma moça baixinha entrou. Dei uma olhada nos pés: tamancos. Quando chegamos no térreo, esperei ela sair. Incrível! Reconheci a cadência daquele "toc-toc-toc".

Ouvi vários relatos de como pessoas resolveram esses pequenos problemas em apartamentos.

Um amiga já comprou pantufas e largou na porta da mulher para ver se ela se tocava. Não funcionou, ela não entendeu o recado.

Um amigo usa o cabo da vassoura e dá umas cutucadas no teto ou uns murros na parede. Às vezes funciona, mas o vizinho retribui na mesma moeda.

Alguns já foram pessoalmente na porta do vizinho reclamar; uns foram bem recebidos, outros, não.

Já teve gente que reclamou ao policial que mora no mesmo prédio (como se ele tivesse autoridade dentro do apartamento dos outros), ao porteiro, ao síndico, à mãe, à amiga e aos outros vizinhos. Mas, nunca conseguiu reunir um levante.

Pena que o uso de salto alto não está explícito nas Regras do Condômínio. Mas, depois disso, eu calço e descalço sapato na porta de casa. E ouvi falar de moradoras deste prédio que até tiram o sapato na portaria quando chegam depois das 22h.

É uma questão de bom senso e querer preservar a intimidade.

Chato todo mundo ficar sabendo o que se faz, não?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Enfim, o inverno chegou!


O Ravi odeia, mas nós aqui, de Brasília, adoramos! Este é o segundo dia em que saímos de casa com casaco e jaqueta! Uou!

Tudo bem que não é o frio de -35º do Canadá. Mas esse friozinho gostoso de 12 graus já nos proporciona dormir de edredon, enrolar um lenço ou foulard na garganta, esfregar as mãos e dizer "quero uma xícara de chá quente". Nem é lá essas coisas, mas perecer no calor é muito pior, então estamos naquele clima ideal, gostoso de curtir, tomar vinho e comer fondue. Que os palmenses morram de inveja!

De acordo com o Aurélio (não o dicionário, mas o meu amigo recém-chegado do saara tocantinense), este é o primeiro inverno dele no Planalto Central. Segundo dia de friozinho, lá está ele todo emocionado, enrolado em um cachecol e jaqueta de couro suando que nem um condenado dentro do metrô. Firme e forte, pois é apenas o começo e não dá para perder a pose. Mas, não é preciso desanimar, vai esfriar um pouquinho mais e talvez até dê para usar touca e luvas para quem madruga no serviço.

O bom do frio é que dá para se vestir decentemente, pelo menos no sul, sudeste e centro-oeste do Brasil. No Canadá até dá preguiça de se trocar ou sair de casa com toda aquela nevasca aguardando o indivíduo lá fora. No rigoroso inverno do Canadá, as pessoas parecem bolinhos de algodão com variadas camadas de roupas. Em Brasília, capital do Brasil, a gente enrola uns paninhos no pescoço, calça uma bota legal e joga um sobretudo nas costas. Que país mais feliz!

Até me dei o trabalho de pesquisar os paninhos de pescoço:



Cachecóis tem a função de proteger o pescoço do frio, são mais volumosos, estreitos e compridos. Podem ser de lã, sintético e algodão, mas têm franjas nas pontas. Usa-se dando voltas ou jogado sobre a garganta.

Echarpes são de tecidos leves como chiffon e musseline. Lembram cachecóis, pois são compridos, mas não têm volume e compões looks mais finos.

Xales são peças grandes de algodão em formato retangular ou triangular que servem para proteger todo o colo do frio, com ou sem franjas. O ideal é usar as pontas sobrepostas uma à outra.

Foulard são lenços de seda quadrados, 70x70cm, com ricas estampas. Geralmente usados mais afrouxados em formato triangular para compôr um visual básico ou para dar um charme numa bolsa ou calça. Confira as maneiras mais tradicionais usadas na Europa aqui.

Lenços são menores, 50x50cm, feitos de tecidos moles e estampas diversificadas para enfeite da nuca.

Lenços palestinos inspirados no Keffiyeh árabe estão na moda. Enormes, 105x105cm, com franjas e estampas do oriente médio, são usados como o foulard.

E aqui tem um vídeo da consultora de moda Glória Kalil dando dicas de como usar tudo isso.

Achei tão legal o uso múltiplo dos lenços, e eles não saem de moda, que até me arriscarei a dar um nó na garganta amanhã para ver se me sinto mais charmosa...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sexo ou Chocolate?

Estudos científicos comprovaram que o chocolate libera endorfina no organismo humano e dá uma sensação de bem estar semelhante ao orgasmo. E estudos britânicos mostraram que 52% das mulheres inglesas pesquisadas preferem comê-lo ao fazer sexo.

Meus estudos empíricos observaram que as mulheres brasileiras, mais especificamente minhas colegas de trabalho e amigas mais próximas, comem muito chocolate quando estão na TPM (Tensão Pré-Menstrual) ou quando estão precisando de sexo.

Meus pensamentos altamente imaginativos deduzem que está faltando homem, ou os homens não estão dando conta do recado, ou o chocolate é um método mais rápido e eficaz quando queremos dar uma "rapidinha", já que a mulher tem um ritmo diferente.

Se alguém pergunta a uma mulher "você quer chocolate?". A mente feminina pode responder rapidamente "Eu prefiro sexo". Mas, "sim, eu aceito" é a resposta mais óbvia, já que ele pode ser apreciado a qualquer hora e na frente de todo mundo.

O chocolate como presente de alguém sexualmente interessado também pode significar "quero fazer sexo com você". Daí um dos motivos para se dar chocolate de presente para agradar as mulheres, um pequeno prazer momentâneo. Ou, quem sabe, até uma prévia do que virá.

Claro, comer muito chocolate também pode ser indicativo de frustração (descontada na comida), vício (café, álcool e chocolate viciam) ou gula (comer é tão bom).

Então aproveite este momento degustativo para observar como uma mulher aprecia seu chocolate, pois de acordo com as pesquisas do sexólogo Dr. Amaury Mendes Júnior, realizada no Rio de Janeiro, em 2007, pode indicar como ela encara o próprio prazer. Uma mordida, não necessariamente seguida de um gemido, diz tudo:

  • Gulosa - come muitos pedaços. Para essas pessoas, o sexo é rápido, por vezes supérfluo. Têm o intuito de agradar o parceiro, mas acabam prejudicando a relação. Se for do sexo masculino, pode sofrer de ejaculação precoce.
  • Desconfiada - gosta de chocolate, mas nunca aceita quando lhe oferecem. É cismada, ciumenta e controlada.
  • Seletiva - prova vários sabores, mas não encontra um que lhe satisfaça. Em geral, são mulheres de boas condições financeiras sem grandes obstáculos na vida, mas que enfrentam dificuldades de obter prazer.
  • Exigente - degusta apreciando a aparência, o aroma, a textura e o sabor do chocolate. Ela sabe curtir o sexo e exige bastante do parceiro. Pode estar insatisfeita em seus relacionamentos.
  • Devoradora - é capaz de engolir um bombom inteiro sem morder, liquidar uma barra de chocolate de uma só vez. É característico de quem se acostumou a abreviar as brincadeiras sexuais, de casais que estão juntos há anos.
  • Generosa - come um pedaço e guarda o resto para depois. Pode existir uma terceira pessoa nesse relacionamento.
(Fonte: Renata Cabral - O Globo Online em reportagem publicada em24/08/2007)

Independente disso, a afirmação geral é de que sexo com chocolate é muito melhor. Afinal, agrada a todos os envolvidos.

sábado, 2 de maio de 2009

Tão parecidas em certas coisas...

Mamis está passando uns dias comigo para fazer um check up médico. Que somos fisicamente parecidas, já sabíamos. Que sou naturalmente desastrada, todo mundo também já sabe. Mas, somente nesta semana é que eu fui perceber claramente o quanto eu e minha mãe temos atitudes e gestos idênticos!

Eu comecei a desconfiar disso logo que meus pais separaram e minhas irmãs e meu pai passavam por mim na cozinha e me chamavam de "mãe" ou de "benhê". Nunca dei muita atenção a isso. Nem aos comentários de que sou a versão japonesa dela.

Mas, no ano passado, mamãe escorregou nos três degraus da cozinha da minha irmã, bateu o quadril na quina da mesa de mármore e dividiu uma nádega em duas. Sim, ela ficou tribunda! Na semana seguinte, mancando, ela escorregou de novo, mas o celular protegeu a outra nádega e o conserto custou R$100.

Isso só me deixou encucada nesta semana. Me soou familiar.

Eu escorreguei três degraus nesta páscoa, me quebrei toda, e ainda joguei R$100 no lixo por engano na semana seguinte.

Então me lembrei que neste ano, escorreguei durante a chuva logo na entrada do meu trabalho. Mamis escorregou semana passada na esquina do meu prédio e rolou na lama... Bolsa para um lado, sacola para outro e barro até na cara. Ficou dois dias limpando e enxugando os resultados de laboratórios e laudos médicos. Lástima...

E hoje, fomos ao shopping juntas. Entramos numa dessas lojas de departamentos e cada uma foi para um lado. Quando nos encontramos no vestiário, estávamos com as mesmas roupas. E descartamos as mesmas peças que não gostamos. Pasmei.

Calçamos o mesmo número, às vezes usamos as roupas e os sapatos uma da outra. Pois é, ela é a mãe e eu sou a filha. O problema é que agora estamos negociando o vestido que acabei de comprar que ela também amou e só tinha um! As armas? Cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança e apelo sentimental ao amor fraternal.

Eu sou filha ou sou irmã? Eu sou ela, ou ela sou eu ontem? Vou ficar que nem ela quando chegar aos 50? Ou cheguei nos 50 antes do tempo?

E outra coisa, será que sou tão teimosa assim??? Suspeito que me arrependerei desta pergunta...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Alguém aí achou R$100???

De ontem para hoje, perdi R$100. Perdi não. Joguei no lixo. Literalmente.

Estou arrasada!

Saquei a grana para pagar um boleto atrasado, tudo por causa do feriadão. Viajei e me lasquei. A fila no banco estava enorme na quarta-feira passada, deixei para pagar nesta segunda-feira. Mas, depois de ter sacado o dinheiro, olhei a caixa dos correios e lá estava um lindo boleto atualizado, pronto para pagar no caixa eletrônico do Banco do Brasil.

Guardei o dinheiro junto com o boleto antigo e fui pagar as contas no banco. Mas, antes, joguei o boleto antigo fora COM O DINHEIRO DENTRO!!!

Pior que só percebi no supermercado à noite. Fiquei na dúvida se tinha deixado em casa ou perdido mesmo. Em casa, fucei tudo e nada. Cheguei ao cúmulo de ir ao trabalho no dia seguinte, logo cedo, para olhar o lixo, mas o lixeiro já havia passado.

Claro que não vou colocar a culpa em mim. A culpa é do São Longuinho! Achei que tinha esquecido o carregador do celular em Goiânia (GO), a 200 km de Brasília (DF), então prometi à ele três pulinhos como manda a tradição. Afinal, ficar sem celular é depender que o mundo tenha internet e nem todos têm. São Longuinho me cobrou os três pulinhos mais R$100. Nesses tempos modernos, até os santos cobram ônus por serviço prestado.

Já passei do estágio de desespero, indignação e ódio mortal. Agora me conformei. Só espero que um catador de lixo encontre o dinheiro e faça um bom proveito, tipo, comprar uma linda cesta básica e uma garrafa de cachaça porque pobre também precisa ter um pouco de alegria.

Não gostaria de saber que aquela notinha de R$50, mais duas de R$20 e uma de R$10 foram trituradas ou soterradas com o chorume da população brasiliense... Tanta gente precisando. Ainda mais eu!!!

domingo, 12 de abril de 2009

Em busca do Coelhinho da Páscoa


Passei o feriadão da Semana Santa procurando o Coelhinho da Páscoa em Goiânia (GO).

Carregada a tiracolo por uma amiga e sua família, fiquei hospedada numa casa com mais seis mulheres e duas crianças. Se o Coelhinho estivesse lá, era em forma de calcinha, vestidos, maquiagem, sapatos e DVD's.

Logo no primeiro dia, caí das escadas ao sair de casa. Um amigo, meu terapeuta holístico online, resolveu me levar para curtir uma quinta-feira cultural no Teatro Martim Cererê. Quando o interfone tocou e fui sair, enrosquei um salto numa cadeira na área, escorreguei no tapete e capotei três degraus abaixo.

Caí logo no início da escada, o celular foi parar no portão e a carteira, no meio do caminho. Juntaram as mulheres e mais um casal que estava visitando a casa, me carregaram para o banheiro para lavar o ralado do cotovelo e fazer curativo. Só que esqueceram meu amigo lá fora, com outra pessoa, me esperando.

- Por que será que ela está demorando?

-Ah, sei lá. Ela é meio desastrada, pode ter acontecido algo...

Se o Coelhinho da Páscoa estivesse com meu amigo, ele estaria me esperando na área com a pata estendida para me derrubar. Coelho safado...

Joelhos roxos, no dia seguinte ficamos em casa assistindo filme de terror. O filme espanhol Rec dos diretores Paco Plaza e Jaume Balagueró. Uma a uma, as meninas foram abandonando a sala. Restaram eu e mais duas resistentes. Eu, com um travesseiro, só lia a legenda e me escondia no meio dele. Terminou o filme, elas foram dormir juntas. E eu tive que ler duas revistas Caras para esquecer as cenas violentas e tentar ignorar o Shaik, um enorme Rottweiler, que ronca alto, embaixo da janela. É, o Coelhinho não usa roupas de griffe e nem frequenta festas vips da Caras.

Sábado de Aleluia! Piscina, sol, protetor solar nos ralados, mais filminhos e uma festa Anos 80! As meninas, avessas a programas alternativos, foram para Sedna Lounge. A boite estava lotada e tiveram que voltar para casa.

Eu catei sapato de uma, vestido de outra e cintão e me diverti até às 3h. Quando me olhei no espelho, pensei que estava olhando para minha mãe na década de 80! A festinha estava ótima, conheci um Mike Jackson, uma Madonna e um Cazuza. Ao som de Barão Vermelho, Xuxa, A-Ha etc, com uma decoração do vídeo game Atari, me diverti pacas. Dava para perceber claramente quem era daquela época. Os que sabiam todas as letras e cantavam mais animados tinham 30. O que se metiam em rodinhas, tinham 20. Mas, o Coelhinho não fumava maconha, não jogava arcade e nem dançava passinho combinado.

Então chegou o domingo, fui à feirinha do Cerrado, comi uma tapioca com carne seca com meu terapeuta-holístico-online-secular e voltei para casa. Minha amiga foi assaltada a caminho da feira hippie e levaram o celular. É, o Coelhinho da Páscoa não frequenta feiras também. Mas, passou rapidamente pela casa, pois entupiu as crianças de chocolate.

Cansada de buscar o bichano de olhos vermelhos e pêlos branquinhos, voltamos para Brasília debaixo de um pé da água (chuva) e um baita congestionamento. Mal sabia eu que o Coelhinho estava o tempo todo me esperando em Brasília (DF). Ao chegar em casa, que alegria!

Minha mãe veio de Barreiras (BA) passar uma semana comigo! Obrigada, Coelhinho da Páscoa!!!Mas, cadê mesmo meu chocolate?

sábado, 4 de abril de 2009

Um grande beijo

O Beijo, do escultor Auguste Rodin

Quando eu era criança, tentava imaginar como seria o beijo. Entender porque adultos colavam os lábios e trocavam saliva. Até então, achava isso nojento.

O beijo de língua era uma incógnita. O mesmo que imaginar a primeira transa, um parto ou a morte. Uma curiosidade que tentava sanar na literatura, em capítulos científicos e em revistas pré-adolescentes. E mesmo com todas as informações, não havia nada mais substancioso além da poesia que pudesse descrever a sensação de ser beijada.



"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito"

Pablo Neruda, poeta chileno


No beijo dos esquimós, no Ártico, esfrega-se o nariz. Em Bali, na Indonésia, sente-se o cheiro da pele. Mas, para nós, latinos-americanos, um beijo é o grande encontro das bocas em demonstração de afeto.

Um selinho, por exemplo, é intimidade e respeito. Um beijo amoroso é carinho e proteção. Um beijo sexual é ansioso pelo ato. Mas, nada se compara a um beijo de saudades.


O beijo, do pintor Gustav Klint

Ah, como é bom ser beijada com saudades... Um beijo saudoso é magnífico! São lábios macios e molhados cobrindo um ao outro num grande abraço. Um beijo ansioso e contido, cheio de afeto e paixão, se fundindo em sabor e calor. O corpo todo concentrado nesse momento; mesmo de mãos dadas e rostos colados, é na boca que há o verdadeiro encontro.

Com ele vem o cheiro da saudade. Um suor frio junto com o perfume predileto e hálito de desejo. Quem nunca se excitou com o hálito perfumado de outrém?

O olhar da saudade é brilhante e intenso, um revival de sentimentos guardados. Então o beijo é indubitavelmente melhor porque vem carregado de sensaçoes extra-sensoriais. Enquanto beijamos, os sentidos se aguçam. Tocamos a pele e cabelos para ver se continuam macios, apreciamos os detalhes do rosto para ver se ali há indícios de maturidade, sentimos as mãos numa busca de indícios de sofrimento e beijamos toda a face demonstrando o afeto guardado.

Nem na despedia, o beijo é tão caloroso quanto no reencontro.

sábado, 28 de março de 2009

Porque as mulheres vão juntas ao banheiro


Um homem diz:

- Sabe por que duas mulheres vão juntas ao banheiro? Para uma se equilibrar no vaso, sem encostar, dar as mãos para a amiga e dizer "Me segura!".

A piada tem fundamento. Os homens vão sozinhos, nem precisam encostar na privada melecada do banheiro público, ficam de pé, abrem o zíper e só precisam mirar o girocóptero para acertar aquele buraco enorme no chão. E ainda erram.

Homens, em sua simplicidade urinatória, ainda não conseguem realizar este simples feito com eficiência. E por isso resolvi contar aqui a peripécia que é usar um banheiro público feminino.

É sempre bom levar uma amiga porque nem todos as cabines possuem um ganchinho para pendurar as bolsas. E nessa moda de bolsas gigantes, piorou. Apoiar no chão é inconcebível, nojento! Dependendo da bolsa, se for muito pequena, por exemplo, também não dá para pendurar na porta. Fora quando a gente pendura, e a porta abre com o peso das nossas coisas.

O correto é levar uma amiga e revezar para segurar as bolsas.

Entrando no cubículo (entendam, banheiro feminino tem que ser maior, a gente precisa de espaço para o contorcionismo que vem a seguir), é preciso examinar as paredes e a porta para ver onde está limpo para a gente se segurar. Inevitavelmente, acabamos lendo as coisas que as pessoas escrevem.

"Fulano, eu te amo! Ass: Ciclana" dentro de um enorme coração. Eu não entendo por que a Ciclana vai escrever uma declaração de amor pro Fulano sendo que ele é homem e nunca vai ler isso no banheiro feminino; mas tudo bem. Piores são os comentários das outras usuárias, uma setinha, de outra letra e cor, puxando pra fora do coração dizendo "puta" ou "rapariga". E claro, sempre há também nas paredes um "Jesus te ama!". Pichações em banheiro público viraram até objeto de estudos por pesquisadores da USP -Universidade de São Paulo!

Pode acontecer do banheiro estar com algum problema na descarga ou mesmo não tem várias limpezas durante o dia. Então o chão está todo molhado com uma substância líquida duvidosa. O salto alto é muito útil nessas horas, a plataforma é o sapato ideal.

Escolhido o local para apoiar os pés e uma das mãos, nos agachamos. Com a outra mão, seguramos as roupas no meio das pernas para não encostar naquela privada toda respiganda de xixi e outras coisas indescritíveis.

A seguir, um momento de muita atenção: é preciso se equilibrar, agachada, sem encostar no vaso, com as roupas no meio das pernas para não sujar, se apoiar na porta para fechá-la (caso não tenha tranca) e ainda dosar o jato para não molhar tudo! Aí entra a verdadeira função do pêlos pubianos. Quanto maiores, mais direcionado para baixo e eficientes na ação da gravidade. Quanto menores, mais xixi pra todo lado! Nada de pêlos, é o caos!

Em meio a tudo isso, pode acontecer de alguém, ao invés de bater na porta para saber se está ocupado, abrí-la de repente e acertar-lhe a porta na cabeça. Para isso serve a amiga do lado de fora: para vigiar a sua porta.

E se não tiver papel higiênico? É o fim. A mulher xinga, depois reza três ave-maria, dá umas três balangadas (que dependendo dos pêlos pubianos pode ser pior) e olha na bolsa se tem algum cupom fiscal, bilhete, post-it, absorvente etc). Para isso serve a amiga do lado de fora também, para providenciar um pedaço de papel com outra mulher.

Sem a amiga, a mulher pode ainda arriscar gritar de lá de dentro "Ô, alguém aí tem papel?". As mulheres são mais solidárias e geralmente, em suas super-bolsas, alguma terá um bom pedaço de papel higiênico para poder dividir.

Ao sair do banheiro, a mulher sabe que isso tudo vai ocorrer com a amiga; mas, solidária, já avisa logo: "sobe em cima do vaso que é melhor!".

Recompostas, as amigas retocam a maquiagem, dão opinião no visual, comentam sobre outras mulheres e combinam quem vai ficar com quem e como vão voltar para casa.

Sem a amiga, a mulher olha pro espelho, lava as mãos, retoca a maquiagem e pede para Deus para na outra encarnação, nascer homem.




Para saber mais sobre o assunto, leia o que a Faxineira Ponto G descreve no blog Sábado de Faxina.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Qual é a parte boa de ser mãe?



Eu me pergunto isso toda vez que ouço as mulheres se reunindo para desabafar o stress de ser mãe de filhos pequenos. Aquelas coisinhas fofinhas totalmente dependentes dos pais.

Tem dias que minhas amigas chegam desabafando o pesado fardo de ser mãe. É a babá e a empregada que nunca vão trabalhar no dia em que mais se precisa. Ou a criança que não dorme com febre, com catarro, com diarréia, com dor de ouvido. E quando dorme tarde, acorda cedo. E quando dorme cedo, acorda cedo também.

Nem todas tem uma mãe para vigiar o neto. O pedido para uma amiga confiável ter que ser guardado para uma situação especial ou extrema. Então, momentos de lazer com o maridão, namorado ou paquera são raros. Ainda mais porque os pequeninos querem dormir com os pais.

Noites mal-dormidas; o desenvolvimento da paciência de Jó; comida espalhada pelo chão, roupa e cabelos; brinquedos pela casa toda e decoração (suspensa) adaptada aos pequenos. Gastos e mais gastos são para os filhos. Sapato e roupa infantil novos são a cada seis meses e sempre dois números maior porque eles crescem rápido. Roupa fashion, sapato chique, viagem no feriadão, praia no final do ano, comer em restaurante, tudo vai para último plano.

E quando eles começam a andar... Aí mora o perigo. Se piscar, o menino some no meio da multidão no shopping. Se parar para conversar com a professora na saída da escola, o menino corre para o parquinho e só sai agarrado, entre chutes e choro.

Quando têm irmãos, brigam o tempo todo. Na escola, mordem e arranham uns aos outros. Trazem brinquedos que não são deles e perdem os que são. Para cada filho, uma lancheira e um lanche personalizado, se mudar o sabor é o fim do dia.

Eles precisam de dedicação, paciência e disposição, pois estão aprendendo tudo. "É minho (meu)!", "Eu sabo (sei)", "Eu tem (tenho) força". A palavra "não" é algo constante nessa fase. Os pais dizem "não coloque isso no nariz", "não coloque o dedo na tomada", "não jogue isso no chão", "não bata na sua irmã" etc. Quando o "não" se torna banal, só há duas saídas: bater ou chorar.

Ouvindo todos esses relatos, fiquei horrorizada. No meu departamento, sou a única sem filhos.

Perguntei:
- Afinal de contas, qual é a parte boa em ser mãe?

Uma mãe, que era a mais revoltada do dia, respondeu com olhos sonhadores:
- É quando ele acordam de manhã cantando "mamãe, eu quero mamar".

Outra com um imenso sorriso no rosto:
- Quando eles dizem "mamaaaãe" e te dão um beijo!

Hum, não sei. Me parece que adotar um filho de 18 anos, já saindo de casa, é mais negócio.

Não me convenceram, não.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mulher de quase 30


Me disseram que até os 25 anos, você tem "20 e uns". Entre 26 e 28, se tem "20 e tantos". Mas os 29 é o famigerado "20 e todos". Porque depois disso, são inevitavelmente os 30.

Fazer 29 anos é poder escolher o quê, quando e onde. Não sou mais obrigada a comer o que a mamãe manda, nem ir onde não quero. Posso escolher entre aturar uma sogra ou casar agora, falar palavrão, viajar para onde quiser, ler livros eróticos, dizer sim ou não para um homem ou comprar algo caro.

Aprendi também que vinho bom é melhor do que cerveja; que tenho mais informações intelectuais que vão impressionar um homem interessante; que posso não ter o frescor dos 16 anos, mas meu senso de humor ficou muito melhor; que ser mestiça tem seu charme; que cozinho melhor agora e sei fazer um sexozinho bom.

Não tenho mais medo do escuro, nem de tarado. Consigo abrir um vidro de azeitona, martelar uma tábua, plantar tomatinhos cerejas na sacada, ir sozinha ao cinema e ainda tenho amigas para contar em qualquer hora!

E ainda posso ouvir, numa boa, piadinhas por chegar atrasada na própria festa de aniversário. "Ô, é a noiva que chega atrasada na festa e não a aniversariante". E "Você reserva mesa para 15 pessoas, chega depois da meia-noite e ninguém senta na mesa?".

Posso comer no dia do meu aniversário, ostras gratinadas no Pontão do Lago Sul. Mesmo que o queijo tenha lhes tirado o sabor exótico. E à noite, comida japonesa no Haná e passar o domingo digerindo e arrotando sashimi, salmão, missoshiro e shimeji. Uma despedida dos "20 e tantos".

Mas o melhor de fazer 29 anos ficou reservado para esta segunda-feira, 23. Passei na seleção para Aluno Especial no Mestrado de Comunicação da UNB - Universidade de Brasília. Ainda não é o mestrado, mas um sinalizador que aos 30 algo vai mudar.

Em resumo, estou me sentindo mais capaz porque agora sou madura, aspergindo aroma. E ainda não caí do pé. E quando cair, vai ser com categoria!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Contando dias para trás e para frente...


Meu aniversário é amanhã, vou fazer 29 anos e espero estar tão bêbada para não ter forças para escrever aqui.

A vantagem da propaganda antecipada é que quatro dias antes da data oficial, começo a receber os parabéns dos amigos que vão viajar e dos de passagem por Brasília. Dois dias antes já recebi meu primeiro presente. Hoje também ganhei um. Espero que sobre algum para amanhã.

Vou virar a data torcendo para não virar abóbora à meia-noite com os amigos da alvorada. Estou quase me despedindo da casa dos 20, logo serei uma balsaquiana, então tenho que aproveitar os resquícios de fôlego que me permitem ficar de pé até um pouco além da zero hora. Mas, numa tentativa de me enganar (e a alguns desequilibrados na matemática), enviei convite para todo mundo dizendo que queria comemorar meus 25 anos num pub irlândes aqui em Brasília. O pub existe.

Se a véspera é com os amigos na balada, o dia oficial é com a família e amigos diurnos. E os quatros dias seguintes são dos amigos esquecidos e atrasados.

No fundo, a gente quer ser lembrado e amado. Passar aniversário sozinho é o cúmulo da solidão!

terça-feira, 17 de março de 2009

Qual é o problema, São Pedro?




Eu tenho uma guarda-chuva mágico.

Mas, ele só funciona quando olho para o céu, pela janela, antes de sair.

Quando está nublado, coloco-o na bolsa e vou para o trabalho. Não chove.

Quando está há dias fazendo um baita calor, olho pro céu e constato que não vai chover, deixo-o em casa. Então, chove.

Qual é o problema, São Pedro? É pessoal? É só comigo? Hoje choveu...

domingo, 1 de março de 2009

Esticando as férias ao máximo!


As férias acabaram!

Se eu não soubesse o que me aguarda nesta segunda-feira no trabalho, eu não ficaria tão triste. E, por isso, estou tentando esticá-las ao máximo.

Passei o domingo na estrada de volta para casa, o dia todo. Chegando em Brasília, no final da tarde, liguei para um amigo, o Hebert.

-O que você vai fazer hoje a noite?

-Nada. Por quê?

-Me pega na rodoviária, vamos tomar um vinho?

Enganei bem, ele me pegou na rodoviária, passamos no shopping para comer e acabamos indo jogar sinuca com outro amigo, o Fred (que eu não via há 8 anos). Nós três no Área 51, um bar especializado em sinuca, ouvindo rock'n roll (década de 60 e 70) e tomando água mineral.

Água mineral, isso mesmo. Final de noite, final de festa, final de semana ou final de férias, tudo termina de forma muito estranha. Eles tinham que voltar dirigindo, eu não. Só que eu não sei jogar sinuca! Sou café-com-leite. Então ficamos ali, eles jogando e eu tentando acertar a bola na caçapa. E ainda lembrando de quando nos conhecemos na viagem mais trash que já fiz na vida e dando notícias dos amigos das antigas.

Fred pergunta: Cadê o Eric?

Eu: Casou.

Fred: ... (segundos de silêncio). É mesmo?
-E você casou com aquele...?

Eu: não. Ele casou com outra, tem uma filha e já separou.

Fred: ... (cara de espanto). É mesmo?

Eu: casei e separei, mas com outro. Você não conheceu.

A vida continua. Bem diferente daquela que tínhamos há oito anos quando eu, Eric e Du saímos de Palmas (TO) num feriadão de 7 de setembro rumo a Chapada dos Veadeiros (GO) sem ter a mínima idéia do que nos esperava pela frente.

Três mochilas cargueiros nas costas, uns 50 metros de corda para rapel, mosquetões, cadeirinhas, fitas, uma barraca, fogareiro portátil, saco de dormir, um pouco de granola, café, duas mudas de roupas e uma única toalha de banho para os três. Ou era isso ou os mosquetões. Conforto ou aventura? A vida é realmente uma questão de escolhas.

Nossa viagem já começou com o motorista esquecendo de parar em Alto Paraíso (GO). Ás 6h da manhã fomos largados na rodovia, a 80 km da cidade, para pegar carona de volta. Acabamos chegando em Alto Paraíso e, no embalo, na Vila São Jorge, portal de entrada do Parque Estadual da Chapada dos Veadeiros.

Foi no acampamento do velho Joe, em São Jorge, que conhecemos a família Martins. Eram 4 irmãos, 1 irmã, 1 namorada e 2 amigos de infância. O Fred um dos irmãos; o Hebert, o amigo de infância. A família Martins era o que havia de mais decente no camping, achamos melhor nos juntar a eles para nos protegermos. Nunca vi tanto porra-louca junto num mesmo local, São Jorge não tem policiamento. O povo faz a lei, linchamento. E éramos jovens de cidade pacata, eu estava chocada com a quantidade de brasilienses malucos no local.

Mas, foi uma das melhores viagens que já fiz. Tudo era novidade. Ninguém conhecia pessoas de Palmas, a capital do Estado mais novo da Federação, então ganhávamos carona para todo canto. A única refeição decente era o almoço, comíamos cachorro quente e espetinho à noite. O Eric aprendeu a beber catuaba selvagem com os Martins. O Du acordava cedo todo dia e nos arrastava para mais uma trilha. Conhecemos cachoeiras, águas termais, lojinhas e fizemos muitas bolhas nos pés.

A volta pra casa... essa foi de lascar. Compramos nossa passagem com antecedência, mas houve overbook e, depois de muita discussão, os motoristas acabaram cedendo duas poltronas para nos revezarmos durante a madrugada.

Mas, com os Martins foi pior. O ônibus de excusão que eles pagaram antecipado foi embora sem levar ninguém. Eles ficaram três dias acampados na varanda de um bar esperando dinheiro para voltar para casa.

Depois de oito anos quem é que tem disposição para uma aventura dessa de novo? Ainda bem que fiz isso antes dos 30, pois agora eu quero é cama e conforto. Mas, imagine lembrar de tudo isso tomando água mineral? Se eu tivesse tomado vinho, esse post não teria sido saído.

Definitivamente, já não sou mais a mesma.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Criando um Monstrinho


Eu tenho que dar uma satisfação aos leitores desse blog.

Passei o carnaval achando que estava com berne no pé e que teria pego na trilha que fiz no Tocantins para ver as incrições rupestres há três semanas. Depois de andar horas por uma trilha de deixar qualquer ser desesperado, tirei a bota apertada por 10 minutos para descansar. Então, fui picada no pé por um mosquitão.

Na semana seguinte, logo que cheguei na Bahia, no sábado, bem cedinho, passei na feira e comprei fumo de corda, seguindo a tradição popular. Botei no pé e tampei com bandagem por um dia. No final da tarde, depois da sofrida expremeção da mamãe, arranquei um berne do pé. Que nojo!

Queria ter cortado meu pé fora, se ele não me fosse útil. O Ulisses, de Brasília (DF), queria ver sangue e torcia pela decepação, já que eu não sou jogadora de futebol e nem escrevo com este membro (e ainda poderia concorrer nas vagas de deficiente físico nos concursos públicos).

Mas, havia outra ferida logo abaixo e eu sentia coceira. Passei mais fumo e nada. Passei na farmácia, no domingo, e comprei uma pomada multiuso (antiinflamatório, anti-bacteriana e analgésica) e nada. Fui no postinho de saúde, na segunda-feira, e o médico disse que eu teria que desinchar o pé primeiro para fazer uma incisão e ver se era realmente um berne, mas teria que fazer o procedimento cirúrgico em um hospital.

Se eu abrisse o pé, teria jogado o abadá fora e não pularia o carnaval com minha amiga Janaína. E de qualquer forma, hospital particular decente só na quinta-feira. Fui, como todos sabem, de pé inchado para a avenida, afinal ele não estava doendo. E ainda peguei gripe, me perdi dentro do bloco e fiz amigos na enfermaria e no camarote dos dodóis no trio elétrico.

Eu já estava até pegando amor pelo monstrinho no meu pé, eu dizia que em breve ia parir um berne. E todos me davam receitas malucas.

Minha prima zootecnista de Juazeiro (BA) dizia para eu passar éter, é o que os zootecnistas passam no gado. Ou então creolina. E que se o verme não desmaiasse, tentasse tocar fogo...

Ouvi mil conselhos de gordurinha de porco (toucinho) para atrair o bichano para o bacon. Outros diziam para pingar vela no respiradouro e tentar puxar pra fora. Ou gelo, água quente, álcool, fita crepe, urina etc. De qualquer forma, teria que passar pela situação nojenta e traumática (de novo) de puxar um corpo estranho com minhas próprias mãos. Achei melhor ir no médico, meus amigos estavam tentando me matar.

Hoje consegui ser atendida numa clínica com meu plano de saúde de Brasília, mas só por ser uma urgência. Tive que explicar que eu estava criando um monstro. Na Bahia não há casos de berne, isso é coisa dos Estados do Norte e Centro-Oeste.

-Berne??? O que é isso?

- Um verme gigante, cabeludo, nojento, que te devora por dentro.

O médico ficou curioso. Mandou dizer que ia me atender. Em 29 anos de profissão na Bahia só atendeu dois casos desses. Na primeira vez, ele retirou um bichano de 1,5 cm e quase saiu correndo assustado.

Sentei na maca e me prepararam para o pequeno procedimento cirúrgico. Achei melhor vigiar...

-Você quer mesmo assistir a este procedimento?

-Por que não?

-Acho melhor você deitar (com um olhar suspeito).

Imaginei cenas dos filmes de terror "A Mosca", "A Coisa" e os livros do Stephen King, então achei que realmente era melhor me deitar.

Ahá! Estão pensando que o meu berne já teria uns 5 cm, não é? Então vocês tinham que ter visto a cara de decepção do médico. Nada de bicho. Um pouco de pus e mais nada. Me cortaram a tôa.

Por via das dúvidas, me passou Ivermectina, Cefadroxil e continuar a Nimisulid receitada pelo médico do postinho. Ele acha que foi algum outro inseto que me picou e irritou a pele (viu, Ulisses?). Ufa!

O chato é ficar com o pé enfaixado em estado inicial de mumificação. Mas, quem pensa que eu iria gastar meus últimos dias de férias de molho em casa, se enganou novamente. Depois do almoço, fui descer o Rio de Ondas de bóia com um saco de lixo amarrado no pé.
Um cliente do meu cunhado acha que o verme me abandonou no carnaval durante a folia. Acho que nunca saberemos...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ressaca de Carnaval


Eu sobrevivi!


E para não dizer que não peguei nada, peguei uma baita gripe neste Carnaval, estou com a garganta doendo e o nariz escorrendo. Entre mortos (um cara infartou e morreu ao lado do trio elétrico no encerramento da folia) e feridos (umas brigas de vez em quando), até que me sai bem, apenas com um pé inchado (e nem foi de cachaça) e a gripe.


Não tenho resistência alguma a chuva de madrugada, sono acumulado e overdose de axé music. Estou ficando velha, já não tenho pique para essas coisas de adolescente. Sobre aquela história de uma vez na vida e outra na morte: mais uma dessa e eu morro! Acho mais seguro voar de paramotor e dar uma de Indiana Jones do que pular seis dias de carnaval na Bahia.


Passei a última noite a base de energético e muita água de coco, já que estou tomando antiinflamatório e não posso beber alcóolicos. Fiquei na avenida até acabar oficialmente o Carnaval, pois Janaína partiria nesta manhã e queria aproveitar até o último momento.


Pena que o encontro dos trios em frente aos camarotes vips não foi como o esperado, nada de misturar os blocos e cantarem juntos a mesma canção. Mas, deu pra ver o sol nascer e assistir, literalmente de camarote, a polícia militar prendendo os encrequeiros de plantão. De cima, com vista privilegiada, tínhamos o panorama de todas as brigas de rua, as discussões de casais, a polícia levando gente e mais gente para o posto policial. Parece que como era último dia, os malandros da cidade que não brigaram, queriam brigar tudo de uma vez. A polícia levava dois, logo atrás vinha outra briga. Só não vi briga de mulher, isso é até engraçado de ver, pois é mais briga verbal (palavrões) e puxões de cabelo. Ganha quem arrancar mais tufos e rasgar melhor a roupa da outra.


A revista corporal para entrar no circuito da folia, o uso de detectores de metais, o policiamento ostensivo e a boa distribuição do público fez com que esse carnaval fosse bem tranquilo em relação aos anos anteriores.


Poxa, esqueci de me despedir da minhas amigas Su e Ju, as enfermeiras do bloco de carnaval que me atenderam todos os dias. Elas foram um amor com todos, atendiam os bêbados com a maior solicitude, até os que iam lá só para encher o saco. Descobri que além de mim, houve mais dois indivíduos que passavam umas duas vezes por noite por lá para usar o spray antiinflamatório. Pena que não nos encontramos para trocar telefones de fisioterapeutas.


Bem, não encontrei a Dalila e não beijei ninguém no bloco. Confesso que fui desanimando no meio da reta, ainda mais depois que fiquei perdida das amigas e da mamãe por uns 30 minutos. Que garota de 28 anos vai pular em bloco com a própria mãe? Só eu, é claro. E ainda se perde...


Bem, amanhã, quinta-feira pós carvanal, já poderei ir ao hospital levar meu pé para passear. Afinal, nesta quarta-feira de cinzas os hospitais devem estar cheios de cachaceiros tomando glicose na veia e médicos mau-humorados de ressaca.
Eu que não vou arriscar entrar com um pé ruim e sair com o sexo mudado...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Carnaval - Pulando no Bloco

Acho que devo uma garrafa de Whisky para o meu cunhado... Já que cerveja me embrulha o estômago. Somando isso com muita água de coco, estou até aprendendo a dançar axé.

Eu ia me enfurnar na chácara da mamãe, na beira do rio, mas usaram meu argumento preferido "Você tem que experimentar isso pelo menos uma vez na vida". Então lá se foi eu e minha amiga Janaína (ela mais animada do que eu, depois eu mais animada do que ela, em seguida ela mais animada de novo) pular o carnaval num bloco de trio elétrico.

Aquele verso de marchinha "Só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu" é a mais pura verdade. No nosso bloco tinha cadeirante e uma mulher de aparador com rodinhas. Eles percorriam toda a extensão da corda mais animados do que nós. Era mais perigoso eles nos atropelarem do que qualquer um machucá-los.

Eu com meu pé inchado (literalmente), fiz até amizade com as enfermeiras do posto de plantão no carro de apoio. Ia duas vezes por noite lá aplicar um antiinflamatório em spray. E cada tipo que aparecia na enfermaria... Até agora não entendi porque um rapaz queria tanto enfaixar o braço se não tinha nada nele.

E quando eu não aguentava mais caminhar, era só subir no camarote do trio e apreciar a vista. O local já estava parecendo carro de apoio dos dodóis. Lá em cima conheci uma loirinha com o dedão enfaixado que sem querer jogou cerveja em mim... Ficamos amigas depois.

A estrutura do bloco é muito boa, no carro de apoio tem bar (muitas vezes com bebida mais barata), camarote, enfermaria e banheiros. No meio dos foliões vão os coordenadores do circuito e uma fila de seguranças para manter a ordem e impedir que pessoas que não fazem parte do bloco passem para dentro da corda.

Minha amiga Janaína merece o diploma de Jardineira (para quem não beijou ninguém), apesar do terrorismo da minha irmã, o bloco era muito tranquilo; ninguém saiu correndo, nos cercando e agarrando a força. Haviam muitos casais, mas os solteiros estavam até comportados, era só ignorar as tentativas e tudo seguia tranquilo.
Cansei de procurar a "Dalila" (Ivete Sangalo) e ouvir Janaína dizendo que queria "Beijar na Boca" (Cláudia Leite), os ritz desse carnaval. Já não somos adolescentes, acho que devemos ter cara de senhoras respeitosas (?!!) e entramos na categorias dos não-beijáveis na boca (crianças, velhinhos, bêbados, feios, desdentados, eu e Janaína)...

Criatividade é o que não falta aos foliões, cada um incrementa, recorta e costura seu abadá no modelo que quiser. Tênis ou sandália rasteirinha são o ideal para percorrer dois quilômetros de avenida. Mas legal são os acessórios criativos: perucas coloridas, óculos gigantes, penteados malucos, capacete espaçonal, máscaras etc. Assim se paga mico e ninguém sabe depois quem é.

Não vi brigas de rua e nem consumo de drogas, só um ou outro caindo de vez em quando bêbado e uns ataques de mulheres ciumentas. Mas, todo o circuito foi fechado pela Prefeitura Municipal de Barreiras e as pessoas eram revistados na entrada ou passavam por detector de metais. A Patrulha policial no meio dos foliões também era frequente. Os que não pularam nos blocos, camarotes, sacadas de prédio e arquibancadas, acompanharam os trios da pipoca (sem bloco) que, por sinal, eram os mais animados.

E para terminar a noite e começar bem o dia, acabávamos o circuito num barzinho tomando caldo de qualquer coisa estranha (mocotó, sururu, vaca atolada etc) para depois desmaiar na cama, em casa.
Pular de noite e dormir de dia, isso é a vida por seis dias na Bahia nesta época de folia. E eu admiro aqueles que continuam a bebedeira, durante o dia, nos bares e nas margens do Rio de Ondas.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

É só na Bahia...


Eu e Janaína na Bahia. Tem coisas que não me surpreendem mais, mas há outras que conto e as pessoas acham que é piada. E como para minha amiga Janaína tudo aqui é novidade, resolvi calibrar minha capacidade de assombro para contar o que se vê somente aqui na Bahia.

A mensagem é bem clara logo na divisa entre DF e BA: Sorria, você está na Bahia.

Nada de estress, não tenha pressa, leve tudo no bom humor e na alegria. O povo é animado, criativo, alegre, fala alto, bebe muito e faz uns contorcionismos na dança além da nossa capacidade física.

Estou em Barreiras, no oeste do Estado, onde dizem que é o melhor carnaval de interior, onde mora minha família. Por mais que eu venha aqui umas duas ou três vezes por ano, não tinha notado que algumas coisas eram novidades para minha amiga.

Ela quase acreditou que o mendigo louco, sujo e esfarrapado era de verdade, e não um bem humorado professor de psicologia fantasiado. Ela achou engraçado, e um contra-senso, a Polícia Militar andar sisuda, em fila indiana, no meio dos foliões animados, sendo que os cordeiros (os caras que seguram as cordas do blocos) são os trabalhadores que mais se divertem no carnaval.


Ela nunca tinha visto tanta gente numa caminhoneta como a que passou, em frente a um bar badalado, com seis adultos amontoados na cabine. Ela também achou engraçado os rapazes bonitinhos passeando numa piscina improvisada com lona, em cima de uma caminhoneta, usando próteses de dentes tortos (afinal de contas, a finalidade era atrair ou espantar a mulherada?). Mas, deve ser porque ela ainda não viu o famigerado bloco das Negrinhas, onde os homens (assumidos ou não) saem vestidos de mulher.

Ela nunca tinha visto árvore plantada no meio da rua e nem o xampoo e hidratante de quiabo com mandioca para cabelo ruim (isso confesso, nem eu tinha visto). Mas, ficou encantada com os dançarinos bombados em cima do trio elétrico requebrando até o chão, no samba-axé, enquanto a mulherada gritava desvairada como num Clube de Mulheres.

E ficou chocada com a desleal concorrência feminina de barrigueira (microssaias e micro-shorts), pois as vestes sumárias praticamente só escondiam a barriga. Sem contar com a ginga sensual e desleal da mulher baiana. Mulheres do centro-oeste ficam no chinelo.

Mas, tudo isso aí ainda está dentro da normalidade. Até mesmo ir para a chácara e encontrar uma velhinha capengando, bêbada, na estrada. E dois dias depois voltar e encontrar a mesma velhinha, com a mesma roupa, só dois quilômetros mais perto. Talvez estivesse provando a qualidade da cachaça de cada boteco de beira de estrada até chegar em casa, vai saber.

O bom da Bahia, e qualidade do nordeste, é a boa recepção. Onde for, sempre será recebido como um verdadeiro turista. "Ei, bixinha, de onde tu vem?". "Vixi Maria, Nossa Senhora! Seje (sic) bem vinda!".