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segunda-feira, 19 de março de 2012

Mudanças


Estou para falar disso há tempos. Mais precisamente há três meses que foi quando mudei algumas coisas na minha vida. Principalmente mudei meu foco, agora estou concentrada mais em mim, mais preocupada em resolver meus conflitos internos e ser mais feliz comigo (porque com os outros está cada vez mais difícil).

Desisti do Japão, mas continuo estudando o idioma e tenho teste de proficiência no fim do ano. Estou no meio de uma pós-graduação e enfim, após alguns meses, me enturmei com uma garotas animadas da minha sala. Toda quinta-feira, após a aula, saímos para beber e conversar. Estou me abrindo para conhecer novas pessoas, ampliar meus horizontes, viajar mais (cadê a maionese?).

Comecei assim: mudei de apartamento, iniciei terapia com um psicólogo, adotei uma gata abandonada, tentei arrumar um namorado... Bem, o namorado não deu certo. Mas, o resto vai indo bem.

Mudar de apartamento foi maravilhoso. Percebi que estava acomodada no lar anterior e o fato da proprietária querer reajustar o aluguel defasado me proporcionou alugar um bem melhor com direito a piscina de 20mt, sauna, academia, plaground, salão de festa, espaço gourmet, churrasqueira e mais um monte de coisas que não vou usar, por só um pouquinho a mais do que o anterior. O condomínio não é muito caro, então compensa.

Prometi-me nadar sempre, mas acho que fiz isso umas 4 vezes apenas. Pela sacada vejo alguns solitários nadadores como eu, de touca e óculos de natação, se exercitando. Odeio piscina cheia de gente, principalmente de crianças, então fico esperando abrir uma brecha no horário para bater perna na água.

Estou bem localizada, ao lado do metrô, entre padaria, supermercado, farmácias, bares e restaurantes. Houve um final de semana em que eu e uma amiga resolvemos rodar os barzinhos da esquina. Perto o suficiente para ir de salto alto a pé. Acabamos na danceteria (sim, fica na esquina de casa) e voltamos para casa às 4h da madrugada. No dia seguinte, quase na hora do almoço, descemos para tomar o café da manhã na padaria. A maioria dos que vimos na night estavam por lá com a mesma cara de ressaca e óculos escuros como nós. Me senti uma verdadeira mulher de 30.

Estou ficando preocupada com isso. Quando adotei a Esmeralda, a gata, um amigo aproveitou para zoar com a minha cara "Você está se tornando uma tia velha cheia de bichos". Olhei para os lados e vi um monte de pessoas (homens e mulheres), na faixa dos 50 anos, solteiras, sem filhos, sem namorados, umas bem resolvidas, outras nem tanto.

Mas, está f***. Adoro morar só, ter meu espaço, meu cantinho, andar nua pela casa, comer na hora em que eu quiser, deitar e ler um livro até o fim numa única lapada de 400 páginas sem interrupção... Porém, falta alguém com afinidades para eu dividir meu espaço. Estou carente e isso é uma m****. Não existe sexo sem compromisso que supra essa necessidade de afeto feminino.

Mesmo que eu consiga encarar isso, supere isso na terapia, sempre vou achar que falta uma metade de mim que anda por aí sem saber que eu existo. Nesta quarta-feira, 21, faço 2 elevado a 5 anos e me falaram que daqui há 3 anos eu vou pirar, me agarrar ao primeiro pau que descer o rio boiando, num ato de desespero. Senão, a outra alternativa é me tornar uma jornalista solteirona cheia de gatos, cachorros, cobras, sapos e lagartos. Com certeza vou ser uma pessoa bem menos tolerante.

Cheguei a perguntar para minha terapeuta se isso é da cidade ou da idade. Ela disse que é da idade, vamos ficando mais rabugentos com o tempo. Mais, racionais, separando bem as coisas. Vejo meus amigos da mesma faixa etária fazendo classificações cada vez mais egocêntricas: mulheres para namorar, mulheres para casar, mulheres para transar e mulheres apenas para amizade (sem cor). Se algumas delas demonstrar carência, eles somem rapidinho. Ainda bem que ainda existem os amigos gay (toda mulher merece ter um amigo gay).

Que mundo é esse em que estamos vivendo? Só tenho visto gente solitária e excêntrica nessa cidade. E pior, estou a meio caminho de me tornar um deles.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O primeiro amor


Há algum anos reencontrei meu primeiro amor de adolescência. Foi um grande choque, além de ter ficado baixinho, agora é gay. O fato dele ser homossexual não me afetou, mas o fato dele ser baixo me deixou bastante constrangida. Eu cresci e ele ficou, fiquei me perguntando o que eu tinha visto nele.

Isso me fez olhar uma caixa de fotos antigas, há algumas semanas, e reencontrei um diário com algumas páginas em branco. Resolvi atualizá-lo após 15 anos de memórias curtas. Citei uma ou outra pessoa que merecia entrar para os anais da minha vida. Tive que escrever que meu primeiro amor agora é gay. Quem vai ler isso no futuro? A vida é cheia de desencontros.

Ando meio saudosista do tempo em que amor era tudo. Hoje em dia, tanto faz, o importante é ter um sexo bom e alguém que ouça de vez em quando os nossos problemas. A vida é tão prática que falta amor.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lingeries de gaveta


Meu terapeuta sexual holístico tem razão. Quem quer saber sobre a migração das baleias?

Elas vêm todo ano para as águas rasas e quentes do Brasil para se acasalarem e nós ficamos só olhando. Então, resolvi aproveitar meu isolamento domiciliar imposto por uma conjuntivite viral e falar sobre lingeries já que não tenho mais o que fazer em casa.

Abri a o malbec Terrazas de Los Andes que ganhei da minha tia argentina. Ótimo momento de introspecção para arrumar minha gaveta de calcinhas, sutiens, meias e corpetes. Uma vez, o Silas Sequetim comentou em seu blog sobre a relação entre o vinho e a sexualidade feminina. É verdade que um pouquinho de vinho tinto nos deixa mais "soltinhas", porém também não é segredo que além da conta é desestimulante.

Coloco uma música alto astral para ter ânimo para o que vem por aí. Abrir uma gaveta é como abrir um baú de memórias. Estou em casa e quero me sentir bem, então passo meu perfume preferido, aproveito e renovo o sachê de gaveta, e começo a arrumar peça por peça das minhas recordações. Dobrar calcinhas, jogar fora as mais velhas, acrescentar as compradas recentemente e separar tudo por cor. Os sutiens são guardados abertos como recomendado pela vendedora da loja. As meias enroladas e separadas entre as do dia a dia e as de festa. Desde que uma 7/8 com silicone enrolou na minha perna e desceu no meio da rua, cinta-liga agora é um item indispensável, não mais decorativo.

Algumas peças usei apenas uma vez em momentos especiais. Acho que cada pessoa merece uma lingerie exclusiva. Não conseguiria repetir uma peça sexy com outra, então é melhor jogar fora ou deixá-la no fundo da gaveta para decidir mais tarde.

Faz tanto tempo que não faço essa organização que é possível traçar uma linha temporal e perceber como mudei nos últimos três anos.

Aos 30 anos, enfim, vejo o mundo com outros olhos. A ansiedade continua a mesma, porém, ando mais exigente. O que mudou? Os médicos não perguntam mais se você é virgem, só não perguntam se você é santa. Mulher de 30, balzaquiana, já deveria saber o que quer, já viveu muita coisa. Será?

As lingeries da minha gaveta há muito deixaram de ser simplesmente básicas e confortáveis. Sair de casa com uma lingerie sexy mesmo que seja para trabalhar levanta muito a estima. De todas as marcas, as que mais me agradam são a francesa Soleil Sucré e a brasileiríssima Fruit de La Passion.

Encontrei na gaveta umas lingeries vermelhas nunca usadas. Não havia reparado antes que preto e rosa são as minhas cores preferidas, descobri depois que as classifiquei por cor no guarda-roupa. Arranquei as etiquetas que me incomodavam, dificil saber de onde são.

Tantas lembraças... E umas tão cômicas como a vez em que o lacinho de uma calcinha desamarrou na rua e tive que andar como um robozinho até o provador da loja mais próxima. Aprendizado prático: laço tem que ser duplo sempre.

Na mesma gaveta encontrei as calçolas gigantes que me minha mãe me deu a pouco tempo com o conselho de que são ótimas para "firmar a barriga". Não sei o que fazer com elas, portanto, vão para o fundo da gaveta.

Outras, são praticamente tapa-olhos, recebidas de presente das amigas mais entusiasmadas no aniversário e Natal. Há também aqueles fios dentais que vêm obrigatoriamente no conjunto de um sutien maravilhoso ou corpete, super difíceis de usar. Vão para o fundo da gaveta!

Uma vez comprei uma grandinha, cor de rosa, tecido poá transparente. Achei-a tão meiguinha, mas não fez nenhum sucesso. De acordo com minha tia, essa é para aqueles dias de vida largada. Errei na escolha, acontece.

Enfim, termino de arrumar a bagunça. Concluo que preciso de um modelo branco nadador e um tomara-que-caia cor da pele para fechar o armário.

E amanhã é a vez dos sapatos!






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sábado, 28 de agosto de 2010

Encontro de Família


Estou despachando minha mãe para o encontro da Família Martha Felix em Cerro Azul (PR), em outubro.

Martha é sobrenome também, mas por anos, achei que fosse o segundo nome da minha avó Ana Martha. E mesmo que minha mãe afirmasse que não, só acreditei quando conheci minha prima de 5° grau com esse sobrenome em Curitiba.

O que me deixou muito contente, foi a afirmação do tio Milton de que 75% (não comprovado estatisticamente) de Cerro Azul serem nossos parentes. Enfim, uma raiz próxima! Um lado da família que não está do outro lado do mundo.

Ele conta que depois de muitos anos sem visitar a cidade (afinal meus avós se mudaram de lá no século passado) andou pelas ruas com meu tio-avô que ia apresentando os parentes que passavam. Balançando a árvore geneológica de uma cidade de 18 mil habitantes, caía muito primo.

Em outra visita, o carro quebrou e ele precisou comprar uma peça numa oficina. O problema é que a peça era cara, o dono não vendia a prazo e havia a possibilidade de não servir. Até que se descobriram primos. Resultado: ele levou a peça para testar, se desse certo depositaria o dinheiro e se não desse, mandava a peça de volta por algum primo.

Mas, o mais legal de ter raízes em cidadezinha do interior do Brasil é saber que tenho um monte primas loiras! E elas dizem "E nós temos uma prima japonesa!".

Isso é Brasil.


*Na foto, meus avós com minha mãe e um tio passando ao fundo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

10 anos depois...


Ontem eu estava revendo fotos antigas com um amigo que conheci há 10 anos. Putz, DEZ anos!

Enquanto jogávamos mau-mau pelo msn, sentados na mesma mesa, de frente um para o outro, e tomando vinho branco seco, de vez em quando interrompíamos a jogada para dizer "olha essa foto!"... Para o outro responder "caralho, como tava diferente!".

Eu sei, essa combinação não tem nada a ver: jogo, msn, vinho e foto antiga. Mas dez anos depois, todo mundo com mais de 30, isso não importa mais. Tudo virou dezena, engordamos uns dez quilos, mudamos de emprego umas dez vezes, um descobriu mais de 10 fios brancos, outro ganhou dez centímetros nas entradas laterais... A vantagem é que agora a gente pode se dar o luxo de usar o computador para substituir dois jogadores.

Há 10 anos não era assim. Celular era uma coisa para poucos, computador eram um item caro. A comunicação exigia mais energia humana: marcavávamos com antecedência, deixávamos recado por telefone ou simplesmente aparecíamos na casa do amigo sem avisar. Viajar? Só com uma galera de uns dez.

Hoje a gente marca e desmarca, começa e termina, ganha e perde online. Vida prática. Nem precisamos mais sair de casa carregando um espesso álbum de fotos.

As fotos estão salvas num pendrive. As memórias dos melhores tempos estão guardadas num HD (Hard Disk). Minha vida agora depende de um técnico de Tecnologia da Informação.

Ah, esse meu amigo veio resgatar a placa-mãe do meu velho computador, meu reservatório de memórias. No fim, o computador venceu o jogo e a noite terminou em ressaca.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

No aconchego do Natal


Consegui chegar a tempo de pegar a ceia de Natal em Barreiras (BA) e confraternizar com minha família. Que alívio! Passar as festas de fim de ano sozinha em Brasília seria depressivo. Mas terei que voltar para Brasília para trabalhar na terça-feira, 29; um imprevisto no meio do meu recesso de trabalho; e ainda voltar a tempo de passar o reveillon na Bahia. Maratona!

Tudo pela família. Neste ano senti falta dela demais. Ainda mais com os sobrinhos crescendo e os priminhos japoneses nascendo. A casa está cheia de crianças e não há final de ano mais gostoso sem esses pequeninos por perto. É interessante vê-los crescendo e descobrindo o mundo.

Descobri que crianças têm medo do mundo. Na verdade, de ficar sozinhas no mundo. E quando se tornam adultos, continuam com medo da solidão.

Acabei de levantar e o Henrique, dois anos, acordou chorando porque estava sozinho, não viu o pai nem a mãe por perto (tia que mora longe não é parente até ele ter uns 5 anos). Eu o compreendo. Uma vez dormi no sofá no meio da tarde e quando acordei, meus pais e irmãs não estavam na casa. Achei que o mundo tinha acabado e só restara eu. A primeira coisa que pensei é se o estoque de bolachas na despensa seria suficiente para eu viver e fiquei com medo de pôr a cara para fora e descobrir um mundo desolado por alguma bomba atômica. Felizmente minha mãe voltou logo, me encontrou com uma cara emburrada (eu tinha sido abandonada), mas logo passou porque estar com eles é confortante.

Bem, a mãe do Henrique estava a uns 5 mts do quarto, logo ali, na sala. Mas essa historinha demonstra bem o sentimento de conforto e proteção que sentimos ao estar perto da família.

Feliz Natal!

domingo, 13 de setembro de 2009

O que fazer quando se leva um FORA?


Um amiga estava na fossa. Levou um fora do cara com quem estava saindo.

Quem nunca levou um fora? Nessas horas...

O amigo íntimo diz:
- Chame seu amigo mais canalha para beber até cair. Ele vai lhe sacanear tanto lembrando de como o cara é um filho da P***, zoar com sua cara e lhe deixar com uma baita ressaca moral que só de pensar naquele cafajeste, você vomita.

A amiga diz:
- Putz! Vamos sair para dançar, beber e conhecer gente mais interessante! Você merece coisa melhor.

A mãe diz:
- É a vida, minha filha. Deus quis assim. Vai ver que não era para ser...

O pai diz:
- Ainda acho que você não deve se casar.

O amigo gay diz:
- Que é isso, nega? Vai ficar na fossa? Vamos agarrar outro!

O terapeuta diz:
- Eu disse.

Enfim, independente do conselho, a mulher reage de três formas: cai no choro e se enfia debaixo das cobertas até ser resgatada pelas amigas, faz da vida do cara um inferno ou dá a volta por cima e parte para a outra.

Meu lema é "tudo passa". O planeta possui quase 7 bilhões de habitantes e muita gente interessante por aí. Numa dessas voltas planetárias, há de se esbarrar com alguém legal. Então, a melhor solução é o conselho da amiga: vamos sair!

Acho que quando saímos dispostas a sermos felizes, de bem com a vida, pessoas interessantes aparecem atraídas por esse encanto. Mas, desde que não fiquemos caçando-as por aí, pois as afinidades rolam naturalmente, sem precisarmos forçá-las. Quem não quer estar ao lado de uma companhia agradável e simpática?

E ficar frequentando os mesmos lugares que iam juntos, bisbilhotando a vida virtual do cara ou perguntando aos amigos também não ajudam em nada na cura dessa dor.

Bola para frente e sorriso no rosto que o Mundo a espera!

sábado, 2 de maio de 2009

Tão parecidas em certas coisas...

Mamis está passando uns dias comigo para fazer um check up médico. Que somos fisicamente parecidas, já sabíamos. Que sou naturalmente desastrada, todo mundo também já sabe. Mas, somente nesta semana é que eu fui perceber claramente o quanto eu e minha mãe temos atitudes e gestos idênticos!

Eu comecei a desconfiar disso logo que meus pais separaram e minhas irmãs e meu pai passavam por mim na cozinha e me chamavam de "mãe" ou de "benhê". Nunca dei muita atenção a isso. Nem aos comentários de que sou a versão japonesa dela.

Mas, no ano passado, mamãe escorregou nos três degraus da cozinha da minha irmã, bateu o quadril na quina da mesa de mármore e dividiu uma nádega em duas. Sim, ela ficou tribunda! Na semana seguinte, mancando, ela escorregou de novo, mas o celular protegeu a outra nádega e o conserto custou R$100.

Isso só me deixou encucada nesta semana. Me soou familiar.

Eu escorreguei três degraus nesta páscoa, me quebrei toda, e ainda joguei R$100 no lixo por engano na semana seguinte.

Então me lembrei que neste ano, escorreguei durante a chuva logo na entrada do meu trabalho. Mamis escorregou semana passada na esquina do meu prédio e rolou na lama... Bolsa para um lado, sacola para outro e barro até na cara. Ficou dois dias limpando e enxugando os resultados de laboratórios e laudos médicos. Lástima...

E hoje, fomos ao shopping juntas. Entramos numa dessas lojas de departamentos e cada uma foi para um lado. Quando nos encontramos no vestiário, estávamos com as mesmas roupas. E descartamos as mesmas peças que não gostamos. Pasmei.

Calçamos o mesmo número, às vezes usamos as roupas e os sapatos uma da outra. Pois é, ela é a mãe e eu sou a filha. O problema é que agora estamos negociando o vestido que acabei de comprar que ela também amou e só tinha um! As armas? Cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança e apelo sentimental ao amor fraternal.

Eu sou filha ou sou irmã? Eu sou ela, ou ela sou eu ontem? Vou ficar que nem ela quando chegar aos 50? Ou cheguei nos 50 antes do tempo?

E outra coisa, será que sou tão teimosa assim??? Suspeito que me arrependerei desta pergunta...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Contando dias para trás e para frente...


Meu aniversário é amanhã, vou fazer 29 anos e espero estar tão bêbada para não ter forças para escrever aqui.

A vantagem da propaganda antecipada é que quatro dias antes da data oficial, começo a receber os parabéns dos amigos que vão viajar e dos de passagem por Brasília. Dois dias antes já recebi meu primeiro presente. Hoje também ganhei um. Espero que sobre algum para amanhã.

Vou virar a data torcendo para não virar abóbora à meia-noite com os amigos da alvorada. Estou quase me despedindo da casa dos 20, logo serei uma balsaquiana, então tenho que aproveitar os resquícios de fôlego que me permitem ficar de pé até um pouco além da zero hora. Mas, numa tentativa de me enganar (e a alguns desequilibrados na matemática), enviei convite para todo mundo dizendo que queria comemorar meus 25 anos num pub irlândes aqui em Brasília. O pub existe.

Se a véspera é com os amigos na balada, o dia oficial é com a família e amigos diurnos. E os quatros dias seguintes são dos amigos esquecidos e atrasados.

No fundo, a gente quer ser lembrado e amado. Passar aniversário sozinho é o cúmulo da solidão!

terça-feira, 17 de março de 2009

Qual é o problema, São Pedro?




Eu tenho uma guarda-chuva mágico.

Mas, ele só funciona quando olho para o céu, pela janela, antes de sair.

Quando está nublado, coloco-o na bolsa e vou para o trabalho. Não chove.

Quando está há dias fazendo um baita calor, olho pro céu e constato que não vai chover, deixo-o em casa. Então, chove.

Qual é o problema, São Pedro? É pessoal? É só comigo? Hoje choveu...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ninguém é de Ninguém


Faz tempo que quero escrever sobre isso. Mas, não tem nada a ver com o fato de ser véspera de carnaval e eu estar embarcando hoje para a Bahia onde, coincidentemente, minha família mora.

Eu sei. Há quem diga que isso é desculpa para trair, mas não é bem isso. Considero um enorme egoísmo achar que alguém nos pertence como uma propriedade. É uma questão de respeito pela liberdade dos demais. O livre arbítrio de escolher com quem, quando e onde queremos estar.

Cônjuge, namorado ou namorido não são nossos pertences, não deveríamos querer controlá-los. Filhos não são nossos, eles precisam partir um dia. Amigos não são nossos cães, também se magoam e querem novas diversões.

Ninguém é de ninguém. Pessoas são companheiras de viagem em uma jornada pessoal, mesmo sendo difícil entender quando elas querem partir e seguir sozinhas por novos caminhos. Se ela partiu é porque nunca foi sua, ou nunca a conquistou, ou o tempo juntos se esgotou e é hora de seguir em frente.

Enfim entendi o que é AMOR. Amar é realmente doar um pouco de si sem pedir NADA em troca. Sem jogar na cara que deixou de trabalhar para cuidar da família; sem dizer que ama e exigir a mesma resposta (mesmo que mascarada com um doce sorriso); sem querer obrigar o filho a cursar tal faculdade porque aquilo seria o ideal; sem obrigar sua melhor amiga a não ser amiga de alguém que você não gosta; sem dizer "eu fiz isso por você" como forma de barganha.

A gente ama sim, mas não deve esperar nada em troca. Nem o mesmo amor. Um dia todos partem, é o curso natural da vida: uma viagem, um casamento, uma mudança de país, um novo círculo de amizade, a morte. Porque essa vida é efêmera e não merece ser desperdiçada com violência (física, verbal ou emocional) ou cobranças.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Quando a gente morre, nos últimos instantes, a vida passa como um filme?

Ao visitar meu gerente de banco, ele me ofereceu um seguro de vida. Pensei: seguro de vida para quê? Solteira, sem filhos, sozinha... Só se for para cobrir os gastos do meu funeral!


Aí, me ocorreu: será verdade que na hora da morte, a vida passa pela cabeça como num filme?


Nas poucas vezes em que estive com minha vida em risco, ela não passou como um filme. A única coisa que meio veio foi “Então é assim que morrerei? Que estranho (ou que pena)...”. E parou por aí. Talvez porque não era o fim. Só um lembrete do quanto a vida é frágil.


Eu queria mesmo era ver o filme do “depois”.
Saber quem foi ao meu velório, quem chorou, tomou tequila em minha homenagem (ao menos o Hebert e a Rafaela eu diria que sim, mas seria ótimo confirmar depois); ter certeza que fui cremada e minhas cinzas jogadas de cima do Pico Olimpo, no Conjunto Marumbi, a favor do vento que é pra ninguém correr o risco de me engolir...



Pior que essa curiosidade não é só minha. Ontem mesmo um amigo me perguntou pelo MSN se eu iria ao velório dele, pois se sentiria mal se ninguém fosse. Eu o tranqüilizei, ele tem família, pô! Ao menos a família!


Aí, me veio a idéia ridícula e dramática: dá tempo de pensar nas pessoas colocando-as em ordem decrescente de importância para que a mais especial ficasse por último, levando o último suspiro de lembrança?


Claro, seria mais vantajoso morrer lentamente, agonizando de uma doença terminal para pensar em tudo: seguro de vida, dívidas pendentes, herança, lembranças, coisas que não fiz, pedidos de perdão, bilhetinhos póstumos, funeral, um litro de tequila... Porém, mais doloroso. A vontade de ficar e ser eterno são um desejo comum.

Ah, e o sonho angelical de morrer dormindo, inesperadamente, sem dor, sofrimento ou despedida? Apenas dormir e deixar de existir... Porém, deixar tudo inacabado, a obra de uma vida!

Mas, como dizem por aí, se soubéssemos o “amanhã”, tiraríamos o sentido da vida. Então, é melhor começar a rodar esse filme de “ontem” logo, aproveitando o hoje sem pena do passado. Estão todos convidados (para reflexão e pro funeral, seja quando for)!








domingo, 31 de agosto de 2008

Tudo vale a pena se a alma não é pequena...




Fernando Pessoa, grande poeta. E este verso rege minha vida...
Eu sempre disse que prefiro me arrepender do que fiz ao que não fiz. Arrependo-me de poucas coisas na vida; ainda vivi pouco, nestes meus 28 anos; mesmo assim, são por ter ferido inocentes em meus bombardeios pessoais. Fiz escolhas erradas na tentativa de acertar na sorte. Avaliei mal em muitas opções, noutras nem pensei, apenas fui...

Há uma ânsia aqui no peito... Uma vontade enorme de conhecer o mundo e as pessoas. Sinto-me como uma viajante galáctica, uma exploradora despretensiosa, alguém que busca ver o mundo com os próprios olhos. Sapiência é o que aspiro, muito além do mero conhecimento e da filosofia da vida. Sapiência; agora entendo; isto sim é a verdadeira sabedoria. A mesma que pedia em minhas orações juvenis, “sabedoria para guiar minha vida”, a que advém com a experiência e não com a teoria.

Minha vida não segue ambições materiais, nem sucesso ou status. Estou à procura de um preenchimento no peito. Um sentido existencial, um amor de verdade, um grande momento, algo que me espante, me surpreenda! E isso causa uma saudade de não sei o quê... Um vazio. Estou só e não quero estar, porém não quero me prender a laços e correntes. Uma dúvida, um dualismo entre meu Ser e toda uma geração de costumes.

Alguns podem dizer que é solidão, outros podem dizer que é medo de amar e se machucar ou, ainda, de não ter encontrado o par perfeito, minha metade. Mas, me pergunto: isso me preencheria? È de um companheiro que necessito? Mas “beijo só não basta...”, disse uma poetisa amadora, do interior da Bahia, cujo nome não me lembro, “...é preciso meter os pés pelas mãos...”.

Procuro um disposto a meter os pés pelas mãos, a arriscar um mundo de incertezas. Há intensidade garantida, porém, nenhum futuro promissor à vista. Mas isso bastaria para saciar meus anseios de não-sei-o-quê?