sábado, 31 de março de 2012

Sushi com o sósia do Ashton Kutcher



Acabei de encontrar o sósia do ator Ashton Kutcher no elevador. Mal acredito que ele falou comigo. Tive que entrar aqui para postar isso antes que o deslumbramento passasse.

A versão é mais jovem e mais baixa (o original tem 34 anos e 1,91 mts), mas muito educado. Aliás, que mulher não se encanta por um homem que abre a porta do carro, deixa ela passar primeiro no elevador e presta atenção nas coisas que ela diz? O último com quem saí sempre abria a porta do carro para mim. Como era uma BMW, isso causava um maior efeito, é claro.

Voltando ao Ashy - o apelido que acabei de dar ao meu vizinho... Cheguei da feira do Guará, agora no fim de tarde, onde apoveito para comprar comida japonesa e água de coco. Entrei no cubículo, apertei o número do meu andar e fiquei lendo os avisos do mural, nem havia percebido que o elevador havia descido para a garagem até a porta abrir e entrar o moço lindo, de uns 1,80 mts, em forma, com uma sacola na mão.

Ele com um sorriso educado aperta o 13:
- Boa noite.

Eu com cara de susto:
- Boa noite...

Dois andares acima, eu ainda lendo o mural, ele me pergunta:
- Sushi?

Eu com cara de espanto:
- Hein?

Um sorriso lindo apontando para a própria sacola:
- Você também comprou sushi?

Olhando para as minhas sacolas transparentes, lembrei que comprei uma bandeja de sushi numa banca tradicional japonesa.
- É. Na Feira do Guará. Você também comprou lá?

Ele, informativo:
- Não. No Sushi Loko.

Eu, desdenhosa:
- Ah, no "creme-cheese-com-sushi"... E emendei: Tudo lá tem creme cheese, eu gosto de comprar no Guará numa banca japonesa, o sushi é tradicional e o preço é mais justo. Olha esse aqui, tem legumes, kani... E ainda acabei de encontrar lá broto de bambu pré-cozido,caseiro, isso refogado com carne é uma delícia (acho que essa era a minha deixa para convidá-lo para jantar, mas passou...).

Ele, interessado e tentando demonstrar algum conhecimento:
- Eu acho o sushi do Vicente Pires caro.

Eu, ultra prestativa, sem nem saber onde fica esse tal de sushi do Vicente Pires, saindo do elevador no meu andar e ele segurando a porta para me dar atenção:
- Outro lugar para você encontrar um bom sushi é no Mikami, na 414 Sul, a bandeja custa uns R$ 8 e é muito bom.

Ele, muito educado, com o sorriso maior ainda, mais lindo, mais charmoso do mundo:
- Obrigado!

E lá se foi a imagem dele junto com a porta que se fechou. "Uau, que gato!!!", pensei dando pulinhos no corredor.

É realmente foi um bom investimento ter mudado para esse prédio cheio de homens lindos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Mudanças


Estou para falar disso há tempos. Mais precisamente há três meses que foi quando mudei algumas coisas na minha vida. Principalmente mudei meu foco, agora estou concentrada mais em mim, mais preocupada em resolver meus conflitos internos e ser mais feliz comigo (porque com os outros está cada vez mais difícil).

Desisti do Japão, mas continuo estudando o idioma e tenho teste de proficiência no fim do ano. Estou no meio de uma pós-graduação e enfim, após alguns meses, me enturmei com uma garotas animadas da minha sala. Toda quinta-feira, após a aula, saímos para beber e conversar. Estou me abrindo para conhecer novas pessoas, ampliar meus horizontes, viajar mais (cadê a maionese?).

Comecei assim: mudei de apartamento, iniciei terapia com um psicólogo, adotei uma gata abandonada, tentei arrumar um namorado... Bem, o namorado não deu certo. Mas, o resto vai indo bem.

Mudar de apartamento foi maravilhoso. Percebi que estava acomodada no lar anterior e o fato da proprietária querer reajustar o aluguel defasado me proporcionou alugar um bem melhor com direito a piscina de 20mt, sauna, academia, plaground, salão de festa, espaço gourmet, churrasqueira e mais um monte de coisas que não vou usar, por só um pouquinho a mais do que o anterior. O condomínio não é muito caro, então compensa.

Prometi-me nadar sempre, mas acho que fiz isso umas 4 vezes apenas. Pela sacada vejo alguns solitários nadadores como eu, de touca e óculos de natação, se exercitando. Odeio piscina cheia de gente, principalmente de crianças, então fico esperando abrir uma brecha no horário para bater perna na água.

Estou bem localizada, ao lado do metrô, entre padaria, supermercado, farmácias, bares e restaurantes. Houve um final de semana em que eu e uma amiga resolvemos rodar os barzinhos da esquina. Perto o suficiente para ir de salto alto a pé. Acabamos na danceteria (sim, fica na esquina de casa) e voltamos para casa às 4h da madrugada. No dia seguinte, quase na hora do almoço, descemos para tomar o café da manhã na padaria. A maioria dos que vimos na night estavam por lá com a mesma cara de ressaca e óculos escuros como nós. Me senti uma verdadeira mulher de 30.

Estou ficando preocupada com isso. Quando adotei a Esmeralda, a gata, um amigo aproveitou para zoar com a minha cara "Você está se tornando uma tia velha cheia de bichos". Olhei para os lados e vi um monte de pessoas (homens e mulheres), na faixa dos 50 anos, solteiras, sem filhos, sem namorados, umas bem resolvidas, outras nem tanto.

Mas, está f***. Adoro morar só, ter meu espaço, meu cantinho, andar nua pela casa, comer na hora em que eu quiser, deitar e ler um livro até o fim numa única lapada de 400 páginas sem interrupção... Porém, falta alguém com afinidades para eu dividir meu espaço. Estou carente e isso é uma m****. Não existe sexo sem compromisso que supra essa necessidade de afeto feminino.

Mesmo que eu consiga encarar isso, supere isso na terapia, sempre vou achar que falta uma metade de mim que anda por aí sem saber que eu existo. Nesta quarta-feira, 21, faço 2 elevado a 5 anos e me falaram que daqui há 3 anos eu vou pirar, me agarrar ao primeiro pau que descer o rio boiando, num ato de desespero. Senão, a outra alternativa é me tornar uma jornalista solteirona cheia de gatos, cachorros, cobras, sapos e lagartos. Com certeza vou ser uma pessoa bem menos tolerante.

Cheguei a perguntar para minha terapeuta se isso é da cidade ou da idade. Ela disse que é da idade, vamos ficando mais rabugentos com o tempo. Mais, racionais, separando bem as coisas. Vejo meus amigos da mesma faixa etária fazendo classificações cada vez mais egocêntricas: mulheres para namorar, mulheres para casar, mulheres para transar e mulheres apenas para amizade (sem cor). Se algumas delas demonstrar carência, eles somem rapidinho. Ainda bem que ainda existem os amigos gay (toda mulher merece ter um amigo gay).

Que mundo é esse em que estamos vivendo? Só tenho visto gente solitária e excêntrica nessa cidade. E pior, estou a meio caminho de me tornar um deles.

domingo, 18 de março de 2012

Vamos ao circo?

Acabei de chegar da última apresentação do espetáculo Varekai, do Cirque du Soleil, em Brasília. É um ingresso caro que vale a pena pagar. Da 4a. fileira, sobre mim, voaram acrobatas pendurados por um fio em apenas um braço. Ri com palhaços sem máscaras; admirei cada acobracia e contorcionismos de mulheres, homens e crianças artistas; me espantei com a superação dos limites físicos.


A platéia aplaudia, gritava, se espantava e eu junto, como uma menina de 10 anos que vai ao circo pela primeira vez. Nada de elefantes, leões, cães ou pôneis amestrados. O circo canadense utiliza apenas o corpo humano e uma excelente produção técnica. Não havia como não reparar no explêndido figurino, na arquitetura e engenhosidade da parafernália toda (iluminação, som, guindastes, efeitos especiais etc).

E os corpos maravilhosos? Nada de músculos salientes ou bíceps e tríceps avantajados. Verdadeiros corpos malhados são sequinhos, esguios, no máximo com uma barriga tanquinho. Alguns artistas são delicados, outros viris. Vi dezenas de Michelângelos na minha frente!

Outra coisa contagiante é o sorriso deles, percebe-se como se divertem no palco. Alguns até interagiram com a platéia, um sorriso mais focado, uma piscadinha. Outros mais sérios, concentrados em suas dificuldades. O sorriso alegre de uma menina num papel terciário me contagiou... Porque é assim, enquanto os malabaristas principais se apresentam na frente do tablado, os demais criam pequenas historinhas ao fundo, divertidos e saltimbancos.

Em alguns momentos, a atenção se dividiu entre a atuação principal e do fundo dos palcos. É uma explosão de cores, de saltos, acobracias, malabarismos e com figurinos lindos!

Saí de lá super feliz. Foi um ótimo presente de aniversário!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O primeiro amor


Há algum anos reencontrei meu primeiro amor de adolescência. Foi um grande choque, além de ter ficado baixinho, agora é gay. O fato dele ser homossexual não me afetou, mas o fato dele ser baixo me deixou bastante constrangida. Eu cresci e ele ficou, fiquei me perguntando o que eu tinha visto nele.

Isso me fez olhar uma caixa de fotos antigas, há algumas semanas, e reencontrei um diário com algumas páginas em branco. Resolvi atualizá-lo após 15 anos de memórias curtas. Citei uma ou outra pessoa que merecia entrar para os anais da minha vida. Tive que escrever que meu primeiro amor agora é gay. Quem vai ler isso no futuro? A vida é cheia de desencontros.

Ando meio saudosista do tempo em que amor era tudo. Hoje em dia, tanto faz, o importante é ter um sexo bom e alguém que ouça de vez em quando os nossos problemas. A vida é tão prática que falta amor.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Olá!?!

Olá! Alguém ainda passa por aqui? Faz tempo que não escrevo. Andei olhando os blogs dos meus amigos, muitos tão desatualizados quanto o meu. Mas, aí encontrei um herói da resistência: o Ravi, casado com a pequena Soraya e pai do pequeno Artur e da pequeníssima Hannah (nascida no Canadá). Um cara sempre alto astral e bem humorado que mudou com a família para Calgary e, após 4 anos, retorna ao Brasil.

Meu lema sempre foi "É melhor se arrepender de algo que fez do que não fez". Pior é não tentar, viver na frustração. Eu tentei as bolsas de estudos para o Japão, fiz curso de inglês e japonês, fui para o Canadá nas minhas férias estudar, voltei e agora começo a repensar meus objetivos. Viver em outro país é legal, mas é também frustrante quando você sente falta das suas coisas no Brasil.

Gostei muito de Toronto, mas descobri que lá também há velhinhos tarados e gente consumindo drogas na rua. Convivi com imigrantes e estrangeiros, principalmente indianos, árabes, japoneses, coreanos, tailandeses, taiwaneses, mexicanos, venezuelanos, bolivianos, suícos e franceses. Os torontians são muito receptivos e pacientes com estrangeiros, o que se é esperado num país tão multicultural.

Adorei New York e sua magia. Achei lindo o mar de Miami Beach. Os EUA são realmente um paraíso para as compras porque pagamos no mínimo 3 vezes mais aqui. Mas, o povo não é muito gentil.

Assim que cheguei, mudei de função no trabalho e a responsabilidade triplicou. Comecei uma pós-graduação, dei um tempo nos idiomas, finquei o pé no chão por um tempo. Não vejo como um retrocesso. Como o Ravi, vejo como um recomeço, seja aonde for.

sábado, 9 de abril de 2011

About Canada, the EUA and Japan


Demorei para escrever porque decidi que enquanto não passasse por toda a maratona para tirar os vistos canadense e americano, eu não iria alardear nada para que não agourassem o processo.

Pois bem. Aqui estou, em Brasília (ainda), com passaporte, passagem e hospedagem na mão. Viagem marcada para o final de abril. Estou indo para o Canadá, aproveitar minhas férias para imersão em inglês. Depois de nove longos meses de curso intensivo, chegou um momento que minha mente estressou e meu entusiasmo minguou.

Percebi que se eu não me desse uma injeção de ânimo, iria empacar no idioma. Então, escolhi Toronto, cotei intercâmbio em agências e passei esses meses todos juntando documento, pagando inúmeras taxas e aguardando os processos dos vistos se concluírem.

Tudo isso para ver se melhoro o desempenho na prova do mombukagakusho, da Embaixada do Japão, em junho. Sim, minha meta de fazer a pós na Terra do Sol Nascente não se desfez nem com o terremoto, seguido de tsunami, ocorrido em março.

A Universidade que escolhi fica em Kyoto, longe da área atingida. O povo japonês se recupera rápido. Minha família que reside por aquelas bandas está bem. Só não sei se com tudo isso ainda haverá bolsas de estudos para este ano.

Porém, o inglês nunca será desperdiçado. Essencial em minha profissão, indispensável para melhores oportunidades de trabalho e estudo. Além disso, continuo a estudar japonês no Nihongakku.

Vou para o Canadá e passar pelos EUA. Convenci uma amiga a fazer o curso também. Então, poderá ser mais divertido do que imagino.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Lingeries de gaveta


Meu terapeuta sexual holístico tem razão. Quem quer saber sobre a migração das baleias?

Elas vêm todo ano para as águas rasas e quentes do Brasil para se acasalarem e nós ficamos só olhando. Então, resolvi aproveitar meu isolamento domiciliar imposto por uma conjuntivite viral e falar sobre lingeries já que não tenho mais o que fazer em casa.

Abri a o malbec Terrazas de Los Andes que ganhei da minha tia argentina. Ótimo momento de introspecção para arrumar minha gaveta de calcinhas, sutiens, meias e corpetes. Uma vez, o Silas Sequetim comentou em seu blog sobre a relação entre o vinho e a sexualidade feminina. É verdade que um pouquinho de vinho tinto nos deixa mais "soltinhas", porém também não é segredo que além da conta é desestimulante.

Coloco uma música alto astral para ter ânimo para o que vem por aí. Abrir uma gaveta é como abrir um baú de memórias. Estou em casa e quero me sentir bem, então passo meu perfume preferido, aproveito e renovo o sachê de gaveta, e começo a arrumar peça por peça das minhas recordações. Dobrar calcinhas, jogar fora as mais velhas, acrescentar as compradas recentemente e separar tudo por cor. Os sutiens são guardados abertos como recomendado pela vendedora da loja. As meias enroladas e separadas entre as do dia a dia e as de festa. Desde que uma 7/8 com silicone enrolou na minha perna e desceu no meio da rua, cinta-liga agora é um item indispensável, não mais decorativo.

Algumas peças usei apenas uma vez em momentos especiais. Acho que cada pessoa merece uma lingerie exclusiva. Não conseguiria repetir uma peça sexy com outra, então é melhor jogar fora ou deixá-la no fundo da gaveta para decidir mais tarde.

Faz tanto tempo que não faço essa organização que é possível traçar uma linha temporal e perceber como mudei nos últimos três anos.

Aos 30 anos, enfim, vejo o mundo com outros olhos. A ansiedade continua a mesma, porém, ando mais exigente. O que mudou? Os médicos não perguntam mais se você é virgem, só não perguntam se você é santa. Mulher de 30, balzaquiana, já deveria saber o que quer, já viveu muita coisa. Será?

As lingeries da minha gaveta há muito deixaram de ser simplesmente básicas e confortáveis. Sair de casa com uma lingerie sexy mesmo que seja para trabalhar levanta muito a estima. De todas as marcas, as que mais me agradam são a francesa Soleil Sucré e a brasileiríssima Fruit de La Passion.

Encontrei na gaveta umas lingeries vermelhas nunca usadas. Não havia reparado antes que preto e rosa são as minhas cores preferidas, descobri depois que as classifiquei por cor no guarda-roupa. Arranquei as etiquetas que me incomodavam, dificil saber de onde são.

Tantas lembraças... E umas tão cômicas como a vez em que o lacinho de uma calcinha desamarrou na rua e tive que andar como um robozinho até o provador da loja mais próxima. Aprendizado prático: laço tem que ser duplo sempre.

Na mesma gaveta encontrei as calçolas gigantes que me minha mãe me deu a pouco tempo com o conselho de que são ótimas para "firmar a barriga". Não sei o que fazer com elas, portanto, vão para o fundo da gaveta.

Outras, são praticamente tapa-olhos, recebidas de presente das amigas mais entusiasmadas no aniversário e Natal. Há também aqueles fios dentais que vêm obrigatoriamente no conjunto de um sutien maravilhoso ou corpete, super difíceis de usar. Vão para o fundo da gaveta!

Uma vez comprei uma grandinha, cor de rosa, tecido poá transparente. Achei-a tão meiguinha, mas não fez nenhum sucesso. De acordo com minha tia, essa é para aqueles dias de vida largada. Errei na escolha, acontece.

Enfim, termino de arrumar a bagunça. Concluo que preciso de um modelo branco nadador e um tomara-que-caia cor da pele para fechar o armário.

E amanhã é a vez dos sapatos!






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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Resumão do feriadão de 7 de setembro


Sumi devido a alguns acontecimentos.

Antes do feriadão cai do último degrau do ônibus. Não sei como aconteceu, mas quando vi já estava no chão. Pior, no ponto de ônibus lotado em frente a um shopping de Brasília. Fora os passageiros grudados na janela de vidro para ver o que aconteceu e ainda eu sair mancando, está tudo bem. Estou ficando resistente a quedas.

Resolvi viajar no feriado, ir à praia, tomar banho de mar e ver as baleias jubartes. Mas, antes de arrumar minha mala recebi a carta-resposta da Nippon Zaidan. Um cópia da mesma do ano passado: ainda não foi dessa vez.

Quem sabe no ano que vem? Não sei mais. Porém ainda tenho o resultado de uma última bolsa para aguardar ainda neste ano. Enquanto isso, estudo para a prova de proficiência nível básico em japonês com minha kawaii sensei.

Mas, a viagem... Ah, essa valeu a pena apesar de ter aproveitado só dois dias. Consegui a proeza de não me queimar nadinha ao passar protetor solar quatro vezes ao dia. Mas, não escapei do escorregão de joelhos na proa do barco. Gente de terra firme é assim, meio sem equilíbrio. Ao menos não vomitei, fiquei lá na frente lambendo o vento até atracarmos na ilha Siriba, a única das 5 ilhas onde os turistas podem descer para conhecer os atobás. Bichinhos dóceis esses.

Definitivamente sou uma pessoa das montanhas. Comprovei que não gosto mesmo de praia e areia sapecante, mas mergulhar no mar é uma exceção. Fiz o mergulho de batismo em Abrolhos e me deu vontade de fazer o curso de mergulho autônomo para visitar Fernando de Noronha e, quem sabe, a Barreira de Corais na Austrália.

E as baleias são impressionantes. Curiosas, se aproximam do barco. Mas, eu conto sobre elas mais tarde.

sábado, 28 de agosto de 2010

Encontro de Família


Estou despachando minha mãe para o encontro da Família Martha Felix em Cerro Azul (PR), em outubro.

Martha é sobrenome também, mas por anos, achei que fosse o segundo nome da minha avó Ana Martha. E mesmo que minha mãe afirmasse que não, só acreditei quando conheci minha prima de 5° grau com esse sobrenome em Curitiba.

O que me deixou muito contente, foi a afirmação do tio Milton de que 75% (não comprovado estatisticamente) de Cerro Azul serem nossos parentes. Enfim, uma raiz próxima! Um lado da família que não está do outro lado do mundo.

Ele conta que depois de muitos anos sem visitar a cidade (afinal meus avós se mudaram de lá no século passado) andou pelas ruas com meu tio-avô que ia apresentando os parentes que passavam. Balançando a árvore geneológica de uma cidade de 18 mil habitantes, caía muito primo.

Em outra visita, o carro quebrou e ele precisou comprar uma peça numa oficina. O problema é que a peça era cara, o dono não vendia a prazo e havia a possibilidade de não servir. Até que se descobriram primos. Resultado: ele levou a peça para testar, se desse certo depositaria o dinheiro e se não desse, mandava a peça de volta por algum primo.

Mas, o mais legal de ter raízes em cidadezinha do interior do Brasil é saber que tenho um monte primas loiras! E elas dizem "E nós temos uma prima japonesa!".

Isso é Brasil.


*Na foto, meus avós com minha mãe e um tio passando ao fundo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Bebês na Web


Agora criança com menos de um ano de idade já tem msn.
Esta foi a solução encontrada por um casal de amigos para monitorar o filho enquanto estão no trabalho.

Em casa, a webcan fica ligada enquanto o bebê está com a babá. Prático, não?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Companhia para um chá


Enfim, encontrei uma companhia para tomar chá: minha professora de japonês.

Além de paciente (sou como uma criança de 1ª série aprendendo a ler e escrever em japonês) e cheia de histórias nipônicas para contar, ela adora chás exóticos.

E também gosta de chá de maçã com canela e morangos silvestres, uns dos meus preferidos! Outro dia me falou sobre uma flor de jasmim desidratada que se abre, em infusão, dentro da chaleira. "Fica lindo numa chaleira de vidro", comentou. Achei fantástico! Eu tenho a chaleira de vidro, falta achar a flor desidratada.

Hoje vamos tomar chá de folhas de jasmim antes da aula, uma variedade chinesa. Mas já experimentamos o chá verde com folhas de arroz (japonês) e o de hibisco (nacional). "Japonês adora hisbisco", ela afirma.

Enquanto minha professora prepara as aulas, eu preparo os chás. Já estão na minha agenda para a próxima semana: pêra verde e laranja com jasmim.

E pensar que no primeiro dia de aula, timidamente tomamos chá Mate Leão tostado...

Mesmo assim, na hora da ceia, eu ainda pergunto: você prefere chá, café ou leite achocolatado? Ela responde "Mas é japonesa mesmo...".

domingo, 15 de agosto de 2010

Como se arrumar em 30 min


Quanto tempo uma mulher precisa para se arrumar? Depende do caso.

Se for para ir até um barzinho ou cinema, em torno de 1h30min para banho, roupa, sapato e maquiagem.

Se for para uma balada, de um a dois dias, pois a preparação requer um salão de beleza para cabelos e unhas e uma volta no shopping para achar roupa e sapato ideais.

Se for para um casamento, uma ou duas semanas para encontrar o vestido longo, o sapato perfeito, as jóias que combinam e uma vaga no excelente cabelereiro para penteado, maquiagem e unhas.

E se for para sair com o Hebert para chegar às 21h num pub que depois das 22h fica lotado no sábado à noite? Trinta minutos. Esse foi o tempo recorde para entrar em desespero.

Quem assistiu Sexy and City 2 se lembrará da cena onde o quarteto de mulheres tem apenas uma hora para arrumar as malas e sair do hotel para não ter que pagar uma diária de 23 mil dólares.

Nessas horas, odiamos a praticidade masculina. Eles passam em casa, trocam a camisa e o sapato e já estão prontos. Porém, como estávamos de carona e a pessoa disse que queria chegar cedo, tive a difícil missão de comunicar as amigas e monitorar o horário.

19h30min, no meu prédio.

Celular toca:
- Tá pronta? Tô aqui embaixo.
- O quê? Mas eu ainda estou pelada!!!

Só não sai com o sapato na mão para não parecer que meu apartamento estava pegando fogo. Mas vesti correndo um vestido, enfiei o pé no sapato e joguei um sobretudo por cima para passar com alguma dignidade pela portaria do prédio. Debaixo do braço: bolsa, kit de maquiagem, 2 energéticos porque depois dos 30 anos a gente não tem mais aquele pique e um saco de pão de queijo porque nenhum de nós havia jantado.

O cabelo foi secando ao vento.

19h45, dentro do carro.
Saindo de casa, ligo para a primeira amiga.
- Amiga, você está pronta? Já saímos de casa.
- O quê? Você está louca? Estou passando (fritando) bife para as crianças! Elas ainda não jantaram.
- Em 30 min estaremos aí.
- Impossível! Só se eu não tomar banho... É melhor eu ir de táxi. Encontro vocês lá.

19h55min, a caminho da casa da outra amiga.
- Oi!
- Já saímos de casa. Estamos indo para aí...
- O quê? Estou começando a me arrumar agora.
- Então se apresse, estamos chegando.

Não vi, mas imagino o desespero dela.

Enfim, com exceção da amiga que precisou fazer o jantar para os filhos, conseguimos chegar no local às 21h.

É possível ficar pronta em 30 min, mas é odiável!

domingo, 8 de agosto de 2010

Intensivão de japonês

Contratei uma professora de japonês para fazer um intensivo durante a semana, além das aulas na associação-nipo aos sábados.

Estou me preparando para o teste de proficência em língua japonesa, o noryoku shiken ou Japanese Language Proficiency Test (JLPT), que será realizado em dezembro.

Devo aprender 150 kandis e ter um vocabulário de 800 palavras para ter o nível básico (5 ryu). O exame é requisito para algumas bolsas de estudos e universidades.

Bom, já sei uns 60 kandi e tenho dicionários (um novo e um todo em japonês - recém-herdado do meu pai), apostilas da Universidade de Tokyo, programa para escrita japonesa e uma professora.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

10 anos depois...


Ontem eu estava revendo fotos antigas com um amigo que conheci há 10 anos. Putz, DEZ anos!

Enquanto jogávamos mau-mau pelo msn, sentados na mesma mesa, de frente um para o outro, e tomando vinho branco seco, de vez em quando interrompíamos a jogada para dizer "olha essa foto!"... Para o outro responder "caralho, como tava diferente!".

Eu sei, essa combinação não tem nada a ver: jogo, msn, vinho e foto antiga. Mas dez anos depois, todo mundo com mais de 30, isso não importa mais. Tudo virou dezena, engordamos uns dez quilos, mudamos de emprego umas dez vezes, um descobriu mais de 10 fios brancos, outro ganhou dez centímetros nas entradas laterais... A vantagem é que agora a gente pode se dar o luxo de usar o computador para substituir dois jogadores.

Há 10 anos não era assim. Celular era uma coisa para poucos, computador eram um item caro. A comunicação exigia mais energia humana: marcavávamos com antecedência, deixávamos recado por telefone ou simplesmente aparecíamos na casa do amigo sem avisar. Viajar? Só com uma galera de uns dez.

Hoje a gente marca e desmarca, começa e termina, ganha e perde online. Vida prática. Nem precisamos mais sair de casa carregando um espesso álbum de fotos.

As fotos estão salvas num pendrive. As memórias dos melhores tempos estão guardadas num HD (Hard Disk). Minha vida agora depende de um técnico de Tecnologia da Informação.

Ah, esse meu amigo veio resgatar a placa-mãe do meu velho computador, meu reservatório de memórias. No fim, o computador venceu o jogo e a noite terminou em ressaca.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Eu versus Japoneses no Brasil


Não passei na seleção do Monbukagakusho, mas já me inscrevi na bolsa da Nippon Zaidan e estou me inscrevendo numa bolsa de associação de província. No caso, de Shimane-ken, onde meu pai nasceu.

Por pouco mandei tudo para as cucuias, passei raiva com esses japas. Cheguei a bradar "Se o povinho de lá for igual ao daqui, nem quero ir mais!".

Os japoneses realmente são corporativistas. Eles sempre darão a preferência para os conterrâneos, de preferência 100% japonês. Mas para os mais velhos, mestiço tem que provar que os 50% da raça valem a pena. Ainda bem que nos outro 50% brasileiro veio a persistência (que às vezes se confunde com a teimosia).

Passei 40 minutos em pé na sala de estar, sequer fui convidada para sentar, ouvindo uma professora de japonês e sua mãe, que sequer falava português depois de tanto tempo no Brasil, dizendo que eu não conseguiria a bolsa de estudos pela província porque não tinha idioma suficiente, que eu iria sofrer muito no Japão, que era muito difícil porque eu não iria conseguir preencher os relatórios, que não iria passar na seleção porque tinha exame oral e escrito e, principalmente, porque não tinham tempo para preencher a ficha de inscrição em japonês para mim.

Fiquei pensando no tanto que já sofri desde os 16 anos, sem pai nem mãe, tendo que trabalhar, estudar e ainda cuidar das minhas irmãs. Lembrei das diferenças culturais de cada Estado em que vivi, um em cada região do Brasil. Isso vai ser fichinha! E eu adoro peixe cru.

Indignada, liguei para a associação de província, expliquei a situação, argumentei porque daria certo se eu conseguisse a bolsa. Resultado, tenho hospedagem grátis quando quiser ir à SP e ainda obtive a informação que o exame é feito pelo governo do País através da seleção de currículo. Ou seja, nada de prova oral ou escrita, só preciso ser descendente da província. Eles me deram total apoio.

E o melhor, só tem eu e mais um concorrendo para a mesma vaga! E ele sabe japonês tanto quanto eu!!!

Munida das informações, achei outra professora disposta a me ajudar a preencher a ficha de inscrição. Eu tenho que ir ao Japão conferir se o povo de lá é como os daqui, apesar de saber bem que gente desse jeito tem em qualquer lugar do mundo.

Aí vou eu, de novo!

Teimo!

Se o Lula chegou à Presidência da República teimando porque eu não chego ao Japão?



Obs: na foto, o Castelo de Matsue, na capital de Shimane.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Operação Monbukagakusho


Algumas pessoas me perguntaram se eu consegui entregar a documentação a tempo.

Sim, consegui. Montei uma verdadeira operação de logística que me obriga a dizer que se eu não passar nos exames da Embaixada do Japão, terei que montar uma empresa de eventos em Brasília. Como é bom trabalhar com gente comprometida, eficiente e profissional! Nas últimas 12 horas que antecederam a efetivação da minha inscrição, deu tudo certo!

No último dia de inscrição, a Cynthia acordou cedo e me enviou ainda pela manhã mais algumas observações sobre o projeto. Liguei para o revisor e perguntei se havia tempo de incluir mais um parágrafo, ele disse que sim. Até que revisar foi rápido, mas de acordo com o Du Brasil (o revisor), complicado foi enviar por e-mail. Por que a conexão de internet dá pau, a luz acaba ou o computador sempre trava nessas horas???

Mas ele conseguiu. O documento chegou às 12h10. Vinte minutos depois, eu saía com ele impresso debaixo do braço para pegar uma carona com o Guto para chegar à Embaixada do Japão (no horário de almoço do meu trabalho) e fazer minha inscrição. Carona, não! Larguei o Guto no curso dele e peguei o carro emprestado.

Claro que na noite anterior já havia buscado a localização da embaixada no google maps, anotado o endereço e telefone e organizado toda a papelada para a inscrição (tradução de histórico escolar e diploma, currículo etc). Depois de tudo isso não adiantava mais me desesperar, foi-se feito tudo o que se podia fazer, liguei o "Foda-se" e fui com calma para o Setor de Embaixadas Sul.

Quando estacionei e ia descer do carro; chegou uma moça apressada, estacionou ao meu lado e foi direto para a guarita enquanto eu pegava minha documentação e deixava câmera e celular no interior do veículo. Claro que a pressa dela não adiantou, ela teve voltar e deixar o celular dentro do carro. A Embaixada abre pontualmente às 13h30 e não permite a entrada de aparelhos eletrônicos, nem mesmo o bendito celular. Mas, isso eu já sabia... Hehehehe.

Bem, fui a primeira a ser atendida. Descobri que fui a única a entregar a documentação traduzida para o japonês (podia ser em inglês), então chamaram outra pessoa mais entendida do assunto para me atender. E o resultado é que passei por praticamente uma entrevista com perguntas do tipo: por que a tradução juramentada em japonês, onde você estudou, onde trabalha, quanto tempo de escola japonesa e vai prestar o exame em japonês também?

Não, moça. É que tentei a bolsa da Nippon Zaidan no ano passado e achei que seria mais prático traduzir logo para o japonês, já que as universidades devem pedir essa documentação em algum momento.

Satisfeita, ela disse que estava tudo OK e que eu receberia orientações por e-mail, senão deveria ligar para lá até esta sexta-feira (4). Não recebi nenhum comprovante de inscrição, mas se uma japonesa de verdade disse que estava tudo OK, a gente acredita.

Recebi. E nesta segunda-feira (7) terei duas provas que são classificatórias. Os melhores terão o direito de terem seus projetos e documentação analisados e serão chamados para uma entrevista no dia 18. Os selecionados em entrevista terão a documentação enviada para análise do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (MEXT) e após o OK do ministério, a universidade escolhida dá seu parecer, se aceita esta pobre pesquisadora brasileira ou não.

Quando vou saber o resultado final se passar em todas as fases? Lá para fevereiro de 2011.

E quanto a prova, dei uma olhada nas edições anteriores. São relativamente fáceis, mas exigem um conhecimento intermediário em inglês e japonês. Terei 1 hora para resolver umas 35 questões (divididas em aproximadamente 13 páginas) para cada idioma. Ou seja, duas horas para 70 questões no total.

Já liguei o "Foda-se" de novo. Estou estudando as provas anteriores para me familiarizar com as questões. A fase de aprender o idioma já foi, não há muito o que se fazer às vésperas da prova. Nem vou me desesperar, pois se eu passar, terei curso de idioma no Japão.

Agora resta torcer para conseguir uma boa média, pois não sei como está o nível dos meus concorrentes. Mas se não der, existem outras bolsas para este ano e essas são exclusivamente para nikkeis (descendentes de japoneses), aí a concorência é menor. Às vezes acho que só eu e um monte de não-nikkeis querem estudar no Japão...

Se alguém quiser uma dica de como conseguir uma bolsa de estudos para o exterior, digo que é essencial se planejar anos antes e aprender o idioma do país pretendido. Boas notas escolares e ter estudado em universidade federal também ajudam, mas acho que conta mais o senso de voltar para o país de origem. É investimento perdido para os governos, um pesquisador que não retorna para contribuir no desenvolvimento de seu país.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Monbukagakusho


Esse palavrão simboliza na minha vida "viver no mínimo dois anos no Japão com bolsa de pós graduação do governo japonês".

Enfim, terminei meu protótipo de projeto (se é que existe isso) baseado no pedido pela Embaixada do Japão: introduçao, justificativa e metodologia. A referência bibliográfica era facultativa. Obrigada Cynthia Mara, colega de faculdade na Universidade Federal do Tocantins (UFT) e doutoranda na Universidade de Brasilia (UNB), por ter acendido a luz no último minuto e colocado em ordem a minha bagunça mental!

Ainda tenho 12 horas para traduzir para o inglês e entregá-lo no Departamento de Cultura junto com uns documentos traduzidos para inglês e japonês... Seja o que tiver que ser! E viva o tradutor google online!

Preparei-me durante um ano para isso, fora os seis meses pesquisando bolsas de estudos no exterior para chegar até aqui. Dentro desse período, tive nove meses de intensivo de inglês, dois semestres de curso básico de japonês e um semestre na pós-graduação da UNB como aluna especial. O ano de 2009 passou voando! E só agora que me dei conta disso.

Sei lá se tem gente mais preparada do que eu no exame de idiomas que será realizado no dia 7 de junho, mas fiz o meu melhor no prazo que tive. A família também foi muito importante, ainda mais minha querida irmãzinha Zuzu e meu cunhado Gêo que me deram a oportunidade de cursar um caro curso de inglês (e põe caro nisso). E acho que também devo algo a Deus devido às orações da minha mãe.

Mas isso é um post de agradecimento? Então, não poderia deixar de citar todas os amigos do Tocantins que me apoiaram e, principalmente, os que não me atrapalharam entendendo meu momento de introspecção e dedicação aos estudos. E também ao Fred que teve a grande idéia de me alfinetar para fazer uma pós com a célebre frase "Até os 20 anos, você é promessa. Depois dos 30, você é alguém que deu ou não deu certo". Agora ele afirma que isso foi culpa do vinho. Então o deus Baco merece algum mérito também.

Bem, se não for dessa vez, não será a última ocasião que o Ministério da Educação, Cultura, Esporte e Ciência e Tecnologia do Japão ouvirá falar de mim. A bolsa Nikkei Scholarship Projeto Realização do Sonho abre dia 1° e lá estarei eu e minha pastinha debaixo do braço de novo.

Yoroshiku onegai shimasu!

domingo, 9 de maio de 2010

Coração de Flor de Cactus

Estou felicíssima!

Acabei de ganhar um perfume maravilhoso da minha amiga Alê, por meu aniversário atrasado. A frangância Very Sexy for Her, da Victoria´s Secret, é muito sensual e feminina. Obrigada, amiga!

O perfume tem notas de cabeça floral oriental, coração de flor de cacto com camélia e fundo de âmbar branco, baunilha e amoras. Apesar da baunilha ser a frangância de fundo, a flor de cactos perdura do início ao fim. Um aroma agreste das noites pós-chuva do sertão que me comoveu, pois me traz pensamentos muito bons.

Alguém já sentiu o aroma de uma flor de cactus? Algumas recendeiam gloriosas na madrugada para atrair insetos na polinização, outras cheiram muito mal para atrair moscas, mas com o mesmo intuito.

Certa vez, tive a sorte de conhecer uma espécie do cerrado onde a flor emergia do miolo de seus espinhos quase como um susto, mas seu aroma era esplendoroso. Encontrei um exemplar numa caminhada às margens do rio de Ondas, na Bahia, e levei para casa para decorar meu quarto de adolescente rebelde. Reguei como um chuvisco de verão e no dia seguinte, antes de ir para o colégio, notei um botão crescendo no centro do cactus. Quando voltei, espantei-me com um botão crescido vários centímetros na minha ausência.

Ao pôr do sol, lá estava aquela linda flor, em toda sua magnitude, se apresentando para mim, aromática e com pétalas tão delicadas... Fiquei enamorada, dormi feliz, encantada. Mas, acordei quase asfixiada em meio a sonhos delirantes. Seu aroma era tão forte que tive que colocar o cactus para fora.

Mas, assim que o sol nasceu, a flor morreu. Aquilo me marcou, uma flor que brota com tanto custo assim da aridez e vive apenas por uma noite? É tão efêmera que só florece uma vez por ano, mas tão forte que num enorme impulso, brota, cresce e se abre para o mundo em apenas 24 horas. Tudo isso por uma única noite de amor com uma intensidade impressionante.

Quando senti o Very Sexy, lembrei dessa flor. Após ter contado essa pequena história, pode ser que alguns julguem como um perfume de mulher desesperada... Mas, não é isso. É um perfume para várias noites, para todas as vezes que quisermos nos sentir sexy, únicas e provocantes, como uma flor de cactus. Regue para ver!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Qualidade de vida no trabalho


Acabei de mudar de emprego. E sempre que encontro algum conhecido é sempre a mesma pergunta: E aí, como é lá? E eu sempre respondo: o ar condicionado funciona! E muito bem por sinal.

Pode parecer banal ou exagero, mas tecnicamente passo oito horas em frente ao computador, o ar condicionado a 18 graus é um conforto. Claro que para a maioria das muheres do departamento, não. Mas vindo de onde vim, dos quintos do Tocantins, é um grande alívio poder trabalhar com um terno completo (considerando a blusa) e um sapato fechado enquanto se aprecia uma xícara de chá quentinho. Estou até levando ervas de casa!

A copeira já sabe e logo cedo traz minha xícara de água quente. O dia todo somos abastecidos com água no copo porque no friozinho de 18 graus dentro da sala e 14 graus fora, esquecemos de beber nossos 2 litros diários.

E como tudo isso influencia na produtividade! Meu rendimento melhorou, não sinto aquela preguiça depois do almoço e nem fico suando bicas enquanto entrevisto alguém por telefone. A única desvantagem é que o frio aumenta o apetite...

Bem, é isso. Queria atualizar o blog, pois na correria das mudanças meio que abandonei esse espaço. Mas continuo estudando idiomas e com aquele antigo plano de abandonar o barco brasileiro...

Logo trarei mais notícias!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Japonês na Bahia

Minha prima japonesa e seu namorado-quase-noivo estão visitando a Bahia pela primeira vez, vieram do Paraná. Então leveio-os para a feira da cidade para conhecerem e degustarem todas as coisas típicas in natura da região. Coisas que eles nunca ouviram falar: umbu, pequi, pinha, buriti, siriguela, pitomba... Frutas com sabor exótico ou que lembram alguma outra já conhecida. Claro que eles estranharam o sabor de tudo.

Bem, na Bahia não pode faltar a fruta agreste mais popular de todas, o COCO. Muito popular, os olhos puxados saltaram com alegria ao reconhecer, enfim, algo saboroso.

Prima:
- Olha, coco! Quanto custa?

Vendedor 1:
-R$1,00.

Prima:
-Nossa que barato, na praia custa R$3,00. Mas, olha, ali tem uns maiores.

Menos de 3 metros de distância depois.

Prima:
-Quanto está o coco?

Vendedor 2:
-R$0,50

Volto lá no primeiro vendedor, a pedido de uma prima desconfiada, e pergunto o preço para desencargo de consciência. Ele me diz:

-R$ 0,50

A fama de japonês por aqui é de quem tem muito dinheiro. Por via das dúvidas, nós, os locais, vamos na frente e para perguntar.

Mas, às vezes a falta do sotaque (ou excesso) na hora de falar pode confundir os ouvidos, ainda mais com coisas que não são muito comuns no dia-a-dia do baiano do interior.


- Oi, vocês têm champignon?

-Hã?

-Champingon.

-Bolacha Champagne?

-Não, cogumelos.

-O quê?

-Cogumelos! (fazendo gestos com as mãos)

-Ah, tem não.

-E Toddy?

-Fia, olha lá no fundo!

Alguns minutos depois, a moça volta:

-Tem Nescau.

-Ah, tá. Obrigada.

Cinco mercadinhos depois, nos rendemos ao palmito e Nescau e voltamos para casa. Mas, acredito que os convecerei a entrar no cardápio baiano. Nem passamos ainda pelo acarajé, vatapá, mocotó, buchada...