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domingo, 18 de março de 2012

Vamos ao circo?

Acabei de chegar da última apresentação do espetáculo Varekai, do Cirque du Soleil, em Brasília. É um ingresso caro que vale a pena pagar. Da 4a. fileira, sobre mim, voaram acrobatas pendurados por um fio em apenas um braço. Ri com palhaços sem máscaras; admirei cada acobracia e contorcionismos de mulheres, homens e crianças artistas; me espantei com a superação dos limites físicos.


A platéia aplaudia, gritava, se espantava e eu junto, como uma menina de 10 anos que vai ao circo pela primeira vez. Nada de elefantes, leões, cães ou pôneis amestrados. O circo canadense utiliza apenas o corpo humano e uma excelente produção técnica. Não havia como não reparar no explêndido figurino, na arquitetura e engenhosidade da parafernália toda (iluminação, som, guindastes, efeitos especiais etc).

E os corpos maravilhosos? Nada de músculos salientes ou bíceps e tríceps avantajados. Verdadeiros corpos malhados são sequinhos, esguios, no máximo com uma barriga tanquinho. Alguns artistas são delicados, outros viris. Vi dezenas de Michelângelos na minha frente!

Outra coisa contagiante é o sorriso deles, percebe-se como se divertem no palco. Alguns até interagiram com a platéia, um sorriso mais focado, uma piscadinha. Outros mais sérios, concentrados em suas dificuldades. O sorriso alegre de uma menina num papel terciário me contagiou... Porque é assim, enquanto os malabaristas principais se apresentam na frente do tablado, os demais criam pequenas historinhas ao fundo, divertidos e saltimbancos.

Em alguns momentos, a atenção se dividiu entre a atuação principal e do fundo dos palcos. É uma explosão de cores, de saltos, acobracias, malabarismos e com figurinos lindos!

Saí de lá super feliz. Foi um ótimo presente de aniversário!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Companhia para um chá


Enfim, encontrei uma companhia para tomar chá: minha professora de japonês.

Além de paciente (sou como uma criança de 1ª série aprendendo a ler e escrever em japonês) e cheia de histórias nipônicas para contar, ela adora chás exóticos.

E também gosta de chá de maçã com canela e morangos silvestres, uns dos meus preferidos! Outro dia me falou sobre uma flor de jasmim desidratada que se abre, em infusão, dentro da chaleira. "Fica lindo numa chaleira de vidro", comentou. Achei fantástico! Eu tenho a chaleira de vidro, falta achar a flor desidratada.

Hoje vamos tomar chá de folhas de jasmim antes da aula, uma variedade chinesa. Mas já experimentamos o chá verde com folhas de arroz (japonês) e o de hibisco (nacional). "Japonês adora hisbisco", ela afirma.

Enquanto minha professora prepara as aulas, eu preparo os chás. Já estão na minha agenda para a próxima semana: pêra verde e laranja com jasmim.

E pensar que no primeiro dia de aula, timidamente tomamos chá Mate Leão tostado...

Mesmo assim, na hora da ceia, eu ainda pergunto: você prefere chá, café ou leite achocolatado? Ela responde "Mas é japonesa mesmo...".

domingo, 8 de agosto de 2010

Intensivão de japonês

Contratei uma professora de japonês para fazer um intensivo durante a semana, além das aulas na associação-nipo aos sábados.

Estou me preparando para o teste de proficência em língua japonesa, o noryoku shiken ou Japanese Language Proficiency Test (JLPT), que será realizado em dezembro.

Devo aprender 150 kandis e ter um vocabulário de 800 palavras para ter o nível básico (5 ryu). O exame é requisito para algumas bolsas de estudos e universidades.

Bom, já sei uns 60 kandi e tenho dicionários (um novo e um todo em japonês - recém-herdado do meu pai), apostilas da Universidade de Tokyo, programa para escrita japonesa e uma professora.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Monbukagakusho


Esse palavrão simboliza na minha vida "viver no mínimo dois anos no Japão com bolsa de pós graduação do governo japonês".

Enfim, terminei meu protótipo de projeto (se é que existe isso) baseado no pedido pela Embaixada do Japão: introduçao, justificativa e metodologia. A referência bibliográfica era facultativa. Obrigada Cynthia Mara, colega de faculdade na Universidade Federal do Tocantins (UFT) e doutoranda na Universidade de Brasilia (UNB), por ter acendido a luz no último minuto e colocado em ordem a minha bagunça mental!

Ainda tenho 12 horas para traduzir para o inglês e entregá-lo no Departamento de Cultura junto com uns documentos traduzidos para inglês e japonês... Seja o que tiver que ser! E viva o tradutor google online!

Preparei-me durante um ano para isso, fora os seis meses pesquisando bolsas de estudos no exterior para chegar até aqui. Dentro desse período, tive nove meses de intensivo de inglês, dois semestres de curso básico de japonês e um semestre na pós-graduação da UNB como aluna especial. O ano de 2009 passou voando! E só agora que me dei conta disso.

Sei lá se tem gente mais preparada do que eu no exame de idiomas que será realizado no dia 7 de junho, mas fiz o meu melhor no prazo que tive. A família também foi muito importante, ainda mais minha querida irmãzinha Zuzu e meu cunhado Gêo que me deram a oportunidade de cursar um caro curso de inglês (e põe caro nisso). E acho que também devo algo a Deus devido às orações da minha mãe.

Mas isso é um post de agradecimento? Então, não poderia deixar de citar todas os amigos do Tocantins que me apoiaram e, principalmente, os que não me atrapalharam entendendo meu momento de introspecção e dedicação aos estudos. E também ao Fred que teve a grande idéia de me alfinetar para fazer uma pós com a célebre frase "Até os 20 anos, você é promessa. Depois dos 30, você é alguém que deu ou não deu certo". Agora ele afirma que isso foi culpa do vinho. Então o deus Baco merece algum mérito também.

Bem, se não for dessa vez, não será a última ocasião que o Ministério da Educação, Cultura, Esporte e Ciência e Tecnologia do Japão ouvirá falar de mim. A bolsa Nikkei Scholarship Projeto Realização do Sonho abre dia 1° e lá estarei eu e minha pastinha debaixo do braço de novo.

Yoroshiku onegai shimasu!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Ranking do Cafezinho

Ando trabalhando tanto, num ritmo alucinado, que tenho aceitado todo tipo de café oferecido nas repartições públicas, durante o expediente, indiscriminadamente. Tenho levado ao pé da letra de que café faz bem para a saúde, dá energia, combate o cansaço e a depressão e ainda proporciona um pequeno prazer similar ao chocolate.

Pois bem, nessa maratona, eu e meus colegas (alguns fumantes, outros viciados em café assumidos) passamos a fazer um ranking do melhor e do pior cafezinho servido. Começou inocentemente nos gabinetes do Congresso Nacional. Depois de subir, descer, andar, correr e deslizar (na esteira rolante horizontal) por vários gabinetes, nos deparamos com um café expresso no gabinete de um certo deputado federal. A notícia se espalhou rápido.

- Prove esse aqui que é bom.

Além da fila que se formou, sempre que o encontro o deputado, me pergunto qual seria a marca daquele café.

Claro que não há nenhum barista entre nós, meros comunicólogos, mas, depois de tantas variações de café forte, fraco e com ou sem açúcar, passamos a aguçar os sentidos. Identificar, pelo sabor, se foi passado no filtro de papel ou de pano, foi um grande avanço.

Aliás, no ranking dos piores, a Secretaria do Esporte do DF ficou em primeiro lugar: café aguado, ultra-doce e ainda com gosto do pano em que foi passado. Nenhum de nós conseguiu passar do primeiro gole.

Em segundo lugar, o da secretaria onde trabalho depois que a copeira saiu de férias. Há pessoas que tem seu valor reconhecido somente depois que se vão: poetas, pintores, compositores e bons cozinheiros. O café da substituta não tinha rotina, nunca era igual ao outro. Cada dia uma surpresa pior.

Em terceiro lugar, o da Embaixada do Japão. O país tradicional no cultivo de chá, nos serviu chafé. Café aguado de boa qualidade, já viu isso?

Em quarto lugar, os cafezinhos dos ministérios servidos com adoçante líquido. Blergh! Por via das dúvidas, um dos colegas só toma sem. Eu desisti da dieta e peço açúcar. E não espere ser bem servido no gabinete da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ou em alguma secretaria especial com status de ministério. Os cafés de lá vêm do mesmo saco.

Em uma das minhas últimas pautas, cheguei a comentar com o garçom que estava fazendo um ranking. Além dele afirmar que eu iria gostar daquele, ainda se declarou o autor da façanha e me pôs DUAS colheres de açúcar na xícara; metade café, metade pó branco. Depois de duas horas de reunião, no segundo round, diante do atrevimento do garçom em me perguntar se eu tinha gostado, eu pedi sem açúcar para compensar o primeiro.

Constatei que os melhores cafezinhos são servidos nos tribunais do judiciário. O mais gostosinho que provei foi no gabinete de um certo ministro do Tribunal de Justiça. Mas, os do STF (Supremo Tribunal Federal) e TCU (Tribunal de Contas da União) também são caprichados.

Mas dentre todos, ainda mantenho meu conceito: melhor mesmo é tomar chá (sem açucar, por favor). Claro que para isso há toda uma ciência arragaida com a virtude da paciência. Não dá para tomar um chá com toda a tranquilidade que tal bebida exige no meio do corre-corre. Chá nunca foi bebida de workaholic, isso é coisa de passado. A onda agora é tomar café adocicado...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mais Bolsas de Estudos no Japão


Como meu objetivo de estudos no exterior é o Japão, eis aqui bolsas abertas no período:

1) BOLSA DE ESTUDOS - UNESCO: Programa de bolsas Keizo Obuchi para jovens pesquisadores

Prazo: 15 de julho de 2009 a 8 de janeiro de 2010.

Abertura de inscrições de 20 bolsas de estudo, oferecidas pelo Governo do Japão, no âmbito do programa Keizo Obuchi de Bolsas de Estudo.

O referido programa oferece bolsas de US$ 6 a 10 mil dólares para
pesquisadores pós graduados, de menos de 40 anos e oriundos de países em desenvolvimento - particularmente aqueles de menor desenvolvimento relativo - que desenvolvam trabalhos nas seguintes áreas:

• a) Meio-ambiente;
• b) Diálogo intercultural;
• c) Tecnologias de comunicação e informação; e
• d) Resolução pacífica de conflitos.


Cada país pode submeter até duas postulações.

Maiores informações e formulário de inscrição aqui.



2) Formação de Líderes da Comunidade Nikkei (Bolsa de Mestrado)


Período: A partir de 15 de julho até 24 de setembro de 2009.
Com o objetivo de formar recursos humanos capazes de liderar a comunidade Nikkei no futuro, ou de contribuir para o progresso do país em que reside e tornar-se elo de ligação entre o Japão e o seu pais, a JICA custeará, ao título de ajuda indireta, as despesas de permanência e de estudos dos nikkeis que estão com o ingresso no curso de pós-graduação no Japão.

Maiores informações e formulário de inscrição aqui ou aqui.


Todos exigem fluência em japonês.


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Carta


Uma surpresa para mim na caixa dos correios.

É a resposta sobre a bolsa de estudos que estou peiteando para o Japão.

O que diz a carta? Eu não sei. Está em japonês.

Ela só tem dois parágrafos. Uma eu entendi, nela se agradece por eu ter me inscrito. Mas justamente a parte que diz se fui ou não aprovada, não compreendi.

Então, vou levar a carta para minha professora de japonês traduzir neste sábado.

Sinto que não fui selecionada. Imagino que nela está escrito algo do tipo: "Agradecemos sua participação, mas não foi dessa vez. Continue tentando". Ao menos duas pessoas que receberam a carta já adiantaram que não foram selecionadas.

Torço para a maré mudar... Mas, amanhã, enfim, saberei.

Nota 1: Sábado, 12. Soube num fórum que os que foram selecionados receberam cartas de até 4 páginas. Na minha carta só tem uma.

Nota final: Sábado, 12, meia-noite. Realmente, a carta comunica a não-seleção. Ainda não foi dessa vez.

domingo, 30 de agosto de 2009

Estudando idiomas


Estou fazendo dois cursos de idioma. Inglês porque preciso de qualquer jeito e japonês para resgatar a cultura de minha outra metade (a menos usada). Se eu passar no mestrado ou na seleção de bolsas no exterior, vou usá-los. Se não passar, ao menos serei uma pessoa um pouco mais culta.

De segunda a sexta-feira só penso em inglês, frequento as aulas do intensivão, faço exercícios e demoro uns 10 segundos para entender e traduzir o que estão me dizendo. No automático, as frases são "Excuse, good morning...", "How do you spell?" e "See you tomorow!".

Meu professor é marfinês, meu colega é descendente de alemão e eu, de japonês. Como na Costa do Marfim, país no sul da África, a língua oficial é o francês, acabamos aprendendo um pouco de muitas culturas. Salve a globalização! Pena que o esperanto não deu certo porque uma língua universal seria muito útil. Outro dia estávamos tentando explicar para o professor o que quer dizer "The cow went to swamp".

No sábado, é como seu eu fosse uma outra pessoa. Saio de casa repetindo as frases que preciso, e ainda não decorei, em japonês "Okurete sumimassen" (desculpe-me pelo atraso), "Kashite kudasai" (me empresta, por favor?) e "Yorushiku onegaishimasu" (conto com você).

Como são línguas totalmente diferentes, não tem como misturar. O único inconveniente é que quando se quer lembrar uma palavra, ela vem em todos os idiomas, menos no que você precisa. A palavra "eu", por exemplo:

Português: EU
Espanhol:
YO
Inglês:
I
Francês:
JE
Alemão:
ICHI
Japonês:
WATASHI


Dizem que aprender português é complicado, são muitas regras gramaticais e exceções. Mas aprender japonês é como ser uma criança sendo alfabetizada desde a coordenação motora. Começamos com um caderno de caligrafia. Letra por letra, número por número. Se errar a finalização de um traço (hamero, tomero, harau), apaga-se e faz tudo de novo. Se começar uma letra pelo traço errado, ela vira outra coisa. Literalmente, escrever em japonês é uma arte que exige tradição. Não dá para ser pós-moderno.


Até comprei um lápis especial para desenho e uma borracha que não borra. Mas me incomodam os resquícios que a borracha deixa sob a mesa. Então, em um sopro ou passada de mão, vão tudo para o chão, para cima da mesa do colega da direita ou da esquerda, meio metro para frente ou sobre o sapato de alguém. Em um mês já se foi um terço da borracha...

Mas, domingo é o dia mais importante da semana, preciso dele para eu retornar ao Brasil, um dia de transição para a realidade. Deus descansou no sábado; eu no dia seguinte porque metade de mim é brasileira, mas a outra ainda não se definiu.

domingo, 12 de julho de 2009

Bolsas de Estudos no Exterior


Passei o final de semana buscando informações sobre bolsas de estudos no exterior. Como qualquer viagem, é preciso planejar com antecedência. Buscar informações é o primeiro passo. Depois é necessário investir no idioma, ficar de olho nos prazos e correr atrás da papelada.

Resolvi aproveitar melhor a solteirice e usufruir dessas oportunidades (a maioria das bolsas limita a idade em no máximo 35 anos). Meu objetivo é a pós-graduação em comunicação social no exterior. Encontrei algumas informações nos consulados, as quais divido com os leitores:

1)EUA
PROGRAMA "OG - OPPORTUNITY GRANTS"
Auxílio de até US$ 5.000 para ingresso em Universidades nos EUA. Não oferece bolsa durante os estudos. O aluno entra em contato com a Universidade por conta própria.
Não há prazo estabelecido.

2)Inglaterra
Exigência de nota mínima de 6.5 no IELTS (International English Language Testing System). Oferece bolsa auxílio (valor não divulgado), cobre despesas acadêmicas (taxas, matrículas e mensalidades) de até £12.000 (doze mil libras esterlinas), mas não inclui passagem aérea.
3)Alemanha
Programa de pós-graduação com relevância para países em desenvolvimento
Bolsa de 750 EUR, seguro saúde, ajuda de custo para passagem aérea e curso preparatório de alemão.
Inscrições: até 28/08

4)França
O Governo da França não oferece bolsas, elas são oferecidas por organismos internacionais.

5)Japão
Bolsa para não-descendente somente em maio de 2010.
Oferece bolsa de 153 mil ienes, passagem aérea, 6 meses de curso de japonês e insenção de taxas escolares. Exige fluência em inglês ou japonês. E uma carta da universidade aceitando o aluno.

6)Austrália
Programa Endeavour
Oferece bolsa (sem valor divulgado), passagem aérea e seguro saúde.
Exige certificação IELTS (International English Language Testing System) e TOEFL (Test of English as a Foreign Language).
Inscrições até 31/07

7)Espanha
Já encerrou o prazo para inscrições, mas vale a informação para o ano que vem.
O Banco Santander financia o aperfeiçoamento em espanhol para graduados por três meses na Universidad de La Rioja, na Espanha.
Oferece bolsa de € 2.000 (dois mil euros), alojamento universitário, seguro saúde e insenção de taxas acadêmicas.

8)Canadá
O edital para pleito de bolsa encerrou em 29/06. Mas quem se interessa em estudar no país, os links estão em: http://www.canadainternational.gc.ca/brazil-bresil/study-etudie/index.aspx?lang=por&menu_id=47&menu=L

Escolhido o objetivo, é preciso direcionar o foco. Aperfeiçoar o idioma e regularizar a documentação para inscrição e enviá-la dentro do prazo. Depois torcer para ser selecionado nas disputadíssimas bolsas de estudos.

domingo, 12 de abril de 2009

Em busca do Coelhinho da Páscoa


Passei o feriadão da Semana Santa procurando o Coelhinho da Páscoa em Goiânia (GO).

Carregada a tiracolo por uma amiga e sua família, fiquei hospedada numa casa com mais seis mulheres e duas crianças. Se o Coelhinho estivesse lá, era em forma de calcinha, vestidos, maquiagem, sapatos e DVD's.

Logo no primeiro dia, caí das escadas ao sair de casa. Um amigo, meu terapeuta holístico online, resolveu me levar para curtir uma quinta-feira cultural no Teatro Martim Cererê. Quando o interfone tocou e fui sair, enrosquei um salto numa cadeira na área, escorreguei no tapete e capotei três degraus abaixo.

Caí logo no início da escada, o celular foi parar no portão e a carteira, no meio do caminho. Juntaram as mulheres e mais um casal que estava visitando a casa, me carregaram para o banheiro para lavar o ralado do cotovelo e fazer curativo. Só que esqueceram meu amigo lá fora, com outra pessoa, me esperando.

- Por que será que ela está demorando?

-Ah, sei lá. Ela é meio desastrada, pode ter acontecido algo...

Se o Coelhinho da Páscoa estivesse com meu amigo, ele estaria me esperando na área com a pata estendida para me derrubar. Coelho safado...

Joelhos roxos, no dia seguinte ficamos em casa assistindo filme de terror. O filme espanhol Rec dos diretores Paco Plaza e Jaume Balagueró. Uma a uma, as meninas foram abandonando a sala. Restaram eu e mais duas resistentes. Eu, com um travesseiro, só lia a legenda e me escondia no meio dele. Terminou o filme, elas foram dormir juntas. E eu tive que ler duas revistas Caras para esquecer as cenas violentas e tentar ignorar o Shaik, um enorme Rottweiler, que ronca alto, embaixo da janela. É, o Coelhinho não usa roupas de griffe e nem frequenta festas vips da Caras.

Sábado de Aleluia! Piscina, sol, protetor solar nos ralados, mais filminhos e uma festa Anos 80! As meninas, avessas a programas alternativos, foram para Sedna Lounge. A boite estava lotada e tiveram que voltar para casa.

Eu catei sapato de uma, vestido de outra e cintão e me diverti até às 3h. Quando me olhei no espelho, pensei que estava olhando para minha mãe na década de 80! A festinha estava ótima, conheci um Mike Jackson, uma Madonna e um Cazuza. Ao som de Barão Vermelho, Xuxa, A-Ha etc, com uma decoração do vídeo game Atari, me diverti pacas. Dava para perceber claramente quem era daquela época. Os que sabiam todas as letras e cantavam mais animados tinham 30. O que se metiam em rodinhas, tinham 20. Mas, o Coelhinho não fumava maconha, não jogava arcade e nem dançava passinho combinado.

Então chegou o domingo, fui à feirinha do Cerrado, comi uma tapioca com carne seca com meu terapeuta-holístico-online-secular e voltei para casa. Minha amiga foi assaltada a caminho da feira hippie e levaram o celular. É, o Coelhinho da Páscoa não frequenta feiras também. Mas, passou rapidamente pela casa, pois entupiu as crianças de chocolate.

Cansada de buscar o bichano de olhos vermelhos e pêlos branquinhos, voltamos para Brasília debaixo de um pé da água (chuva) e um baita congestionamento. Mal sabia eu que o Coelhinho estava o tempo todo me esperando em Brasília (DF). Ao chegar em casa, que alegria!

Minha mãe veio de Barreiras (BA) passar uma semana comigo! Obrigada, Coelhinho da Páscoa!!!Mas, cadê mesmo meu chocolate?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ressaca de Carnaval


Eu sobrevivi!


E para não dizer que não peguei nada, peguei uma baita gripe neste Carnaval, estou com a garganta doendo e o nariz escorrendo. Entre mortos (um cara infartou e morreu ao lado do trio elétrico no encerramento da folia) e feridos (umas brigas de vez em quando), até que me sai bem, apenas com um pé inchado (e nem foi de cachaça) e a gripe.


Não tenho resistência alguma a chuva de madrugada, sono acumulado e overdose de axé music. Estou ficando velha, já não tenho pique para essas coisas de adolescente. Sobre aquela história de uma vez na vida e outra na morte: mais uma dessa e eu morro! Acho mais seguro voar de paramotor e dar uma de Indiana Jones do que pular seis dias de carnaval na Bahia.


Passei a última noite a base de energético e muita água de coco, já que estou tomando antiinflamatório e não posso beber alcóolicos. Fiquei na avenida até acabar oficialmente o Carnaval, pois Janaína partiria nesta manhã e queria aproveitar até o último momento.


Pena que o encontro dos trios em frente aos camarotes vips não foi como o esperado, nada de misturar os blocos e cantarem juntos a mesma canção. Mas, deu pra ver o sol nascer e assistir, literalmente de camarote, a polícia militar prendendo os encrequeiros de plantão. De cima, com vista privilegiada, tínhamos o panorama de todas as brigas de rua, as discussões de casais, a polícia levando gente e mais gente para o posto policial. Parece que como era último dia, os malandros da cidade que não brigaram, queriam brigar tudo de uma vez. A polícia levava dois, logo atrás vinha outra briga. Só não vi briga de mulher, isso é até engraçado de ver, pois é mais briga verbal (palavrões) e puxões de cabelo. Ganha quem arrancar mais tufos e rasgar melhor a roupa da outra.


A revista corporal para entrar no circuito da folia, o uso de detectores de metais, o policiamento ostensivo e a boa distribuição do público fez com que esse carnaval fosse bem tranquilo em relação aos anos anteriores.


Poxa, esqueci de me despedir da minhas amigas Su e Ju, as enfermeiras do bloco de carnaval que me atenderam todos os dias. Elas foram um amor com todos, atendiam os bêbados com a maior solicitude, até os que iam lá só para encher o saco. Descobri que além de mim, houve mais dois indivíduos que passavam umas duas vezes por noite por lá para usar o spray antiinflamatório. Pena que não nos encontramos para trocar telefones de fisioterapeutas.


Bem, não encontrei a Dalila e não beijei ninguém no bloco. Confesso que fui desanimando no meio da reta, ainda mais depois que fiquei perdida das amigas e da mamãe por uns 30 minutos. Que garota de 28 anos vai pular em bloco com a própria mãe? Só eu, é claro. E ainda se perde...


Bem, amanhã, quinta-feira pós carvanal, já poderei ir ao hospital levar meu pé para passear. Afinal, nesta quarta-feira de cinzas os hospitais devem estar cheios de cachaceiros tomando glicose na veia e médicos mau-humorados de ressaca.
Eu que não vou arriscar entrar com um pé ruim e sair com o sexo mudado...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

É só na Bahia...


Eu e Janaína na Bahia. Tem coisas que não me surpreendem mais, mas há outras que conto e as pessoas acham que é piada. E como para minha amiga Janaína tudo aqui é novidade, resolvi calibrar minha capacidade de assombro para contar o que se vê somente aqui na Bahia.

A mensagem é bem clara logo na divisa entre DF e BA: Sorria, você está na Bahia.

Nada de estress, não tenha pressa, leve tudo no bom humor e na alegria. O povo é animado, criativo, alegre, fala alto, bebe muito e faz uns contorcionismos na dança além da nossa capacidade física.

Estou em Barreiras, no oeste do Estado, onde dizem que é o melhor carnaval de interior, onde mora minha família. Por mais que eu venha aqui umas duas ou três vezes por ano, não tinha notado que algumas coisas eram novidades para minha amiga.

Ela quase acreditou que o mendigo louco, sujo e esfarrapado era de verdade, e não um bem humorado professor de psicologia fantasiado. Ela achou engraçado, e um contra-senso, a Polícia Militar andar sisuda, em fila indiana, no meio dos foliões animados, sendo que os cordeiros (os caras que seguram as cordas do blocos) são os trabalhadores que mais se divertem no carnaval.


Ela nunca tinha visto tanta gente numa caminhoneta como a que passou, em frente a um bar badalado, com seis adultos amontoados na cabine. Ela também achou engraçado os rapazes bonitinhos passeando numa piscina improvisada com lona, em cima de uma caminhoneta, usando próteses de dentes tortos (afinal de contas, a finalidade era atrair ou espantar a mulherada?). Mas, deve ser porque ela ainda não viu o famigerado bloco das Negrinhas, onde os homens (assumidos ou não) saem vestidos de mulher.

Ela nunca tinha visto árvore plantada no meio da rua e nem o xampoo e hidratante de quiabo com mandioca para cabelo ruim (isso confesso, nem eu tinha visto). Mas, ficou encantada com os dançarinos bombados em cima do trio elétrico requebrando até o chão, no samba-axé, enquanto a mulherada gritava desvairada como num Clube de Mulheres.

E ficou chocada com a desleal concorrência feminina de barrigueira (microssaias e micro-shorts), pois as vestes sumárias praticamente só escondiam a barriga. Sem contar com a ginga sensual e desleal da mulher baiana. Mulheres do centro-oeste ficam no chinelo.

Mas, tudo isso aí ainda está dentro da normalidade. Até mesmo ir para a chácara e encontrar uma velhinha capengando, bêbada, na estrada. E dois dias depois voltar e encontrar a mesma velhinha, com a mesma roupa, só dois quilômetros mais perto. Talvez estivesse provando a qualidade da cachaça de cada boteco de beira de estrada até chegar em casa, vai saber.

O bom da Bahia, e qualidade do nordeste, é a boa recepção. Onde for, sempre será recebido como um verdadeiro turista. "Ei, bixinha, de onde tu vem?". "Vixi Maria, Nossa Senhora! Seje (sic) bem vinda!".

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Primeira mão: a Vento Azul está de volta!


A Banda Vento Azul está voltando!!! E recebi essa notícia do próprio Adriano Hermano, vocalista, que inusitadamente encontrei no espetinho do Posto da Arse 22 no final desta tarde (Palmas tem disso).

A banda surgiu em 1998 e gravou um único CD: Araguaia. O som era um rock com mesclas de folk e blues. Seguiam um estilo politicamente correto, sempre falando da preservação do meio ambiente e de um futuro melhor. As letras e os arranjos eram muito bons. Era um vento que deixava uma sensação gostosa quando passava.

Comprei uns quatro cds, todos foram emprestados e não devolvidos. Dei de presente para amigos distantes até que os cds esgotaram e peguei o da Glês emprestado para não devolver mais. Como o crime não compensa, também me levaram ele.

Não sei porque a banda dissolveu, mas agora ela retorna sem o Jamaica, baterista, que foi embora. E ele dava show. Estou esperando para ver e ouvir os novos componentes. O Adriano me garantiu que o novo disco sai nesse ano.

Nosso amigo Eric era fã da Vento Azul, a ponto de decorar as letras e ir para a frente do palco cantá-las. E todo mundo para quem eu apresentava o disco, gostava de cara. Logo a gente se unia para acompanhar os shows. Até participamos de um dos clipes (tiete é foda).

Há anos que sempre que encontro o Adriano, pergunto da banda. Agora ele me vem com essa notícia. Acho ótimo, pois não aguento vê-lo "enternado" num órgão público. O cara nasceu com alma de artista e vai ser burocrata?

Ainda bem que dá tempo de voltar atrás, se a gente tem um pouquinho de coragem.
Quem quiser curtir o som da Vento Azul, é só baixar no hapidshare clicando aqui.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Domingo Gastronômico


Minha dieta foi por água abaixo nesse domingo.

Começou com a Rafaela fazendo panqueca em casa logo cedo. Em seguida fomos para um legítimo churrasco gaúcho na casa dos pais do Gustavo. À tarde passamos por uma sorveteria exótica. E encerramos o dia na Feirinha do Bosque com comidas regionais.

Na casa do Gu, ele era minha referência para apresentar a família para a Rafaela. "Fá, esse é o pai do Gu, a mãe do Gu, o avô do Gu, a irmã do Gu, a tia do Gu, a prima do Gu, o cachorro do Gu...". Só o Gu não apareceu.

Mas, como diz minha amiga, eu conheço as famílias inteiras dos meus amigos e me sinto em casa... Da família da Rafaela conheço até a tia-avó, Dona Edília, de Araguaína (TO). E a Fá diz que por causa disso, meus amigos têm que ficar dando notícias minhas. "Como vai aquela menina japonesa?". "Vai bem, está morando em Brasília". E por aí vai.

Seu Tupi, pai do Gu, me entupiu de picanha, costela, linguiça de frango e frango assado. Nem me deixou lavar a louça, que crime! De lá, juntamos uma parte da Família Nascimento e fomos para uma sorveteria de sabores do Cerrado, filial da Frutos do Cerrado, de Goiânia, (GO).

Então provei picolé de pequi, jatobá, mutamba, milho verde com canela e o melhor de tudo (recomendado "de com força" pela Fá): cajá-manga com sal. O sal é um detalhe que realmente faz a diferença. O picolé vem com um saleiro acompanhando.

Todos têm mesmo o sabor da fruta, com exceção do de jiló. Esse tem gosto de doce de figo e é muito bom.

Não dei conta de provar os outros sabores, mas para se ter uma idéia, o cardápio oferece picolés de araçá, araticum, buriti, café, cagaita, coco de guariroba, gabiroba, gravatá, jaca, jenipapo, mamacadela, melancia, murici e tapioca (mandioca). Qualquer um por R$2.

Bem, fim de tarde em Palmas é na Feira do Bosque, na Pç. da Prefeitura Municipal, uma tradição domingueira.

E não é que depois de quatro anos, o senhorzinho que fazia coxinha de mandioca (R$2) com carne desfiada ainda estava lá? E o mesmo gaúcho que faz cucas (De R$6 a R$9) também, mas agora ele diversificou o produto: pão diet, pão integral, rosca de coco e cucas de vários sabores.

A tradicional paçoca pilada (não chequei preço) continua fazendo sucesso, mas a novidade para mim foi a tapioca nordestina com carne de sol (R$3,5). Eu disse, "Eu sei fazer tapioca em casa". A vendedora rebateu, "Sim, aquela fininha com manteiga, mas não com coco ralado, carne desfiada, queijo e manteiga". Obrigada pela receita!

Pamonha, bolos recheados, empadão goiano, bolinho de milho etc. Jantar em casa para quê? Domingo a cidade inteira está na feirinha.

Tomei conta de menino dos outros, olhei os artesanatos de capim-dourado do Tocantins e no local mais óbvio para encontrar conhecidos, não encontrei ninguém. Mas eu curti muito o domingo-com-a-família-dos-outros. Ainda mais eu, pessoa solitária e com cara de cachorro que caiu da mudança. Todo mundo me adota. E eu continuo feliz!

Ah, doce férias!







domingo, 1 de fevereiro de 2009

Daniel Briand - Um cantinho francês



Dicas são boas, mas boas dicas são melhores ainda. E essa, eu realmente tenho que agradecer minha amiga Marry Popins pela excelente indicação.

No plano piloto de Brasília, numa esquina quase escondida entre ciprestes e árvores da área verde da 104 Norte, encontrei Daniel Briand. Uma confeitaria francesa com um chef francês de verdade!

Deliciosas tortas, bombons exóticos (pimenta com manga é um deles), cestinhas de pães da casa (dá para provar um legítimo croissant), quiches, patês, vinho Côtes Du Rhône, música típica e garçons que falam francês.

Reduto de franceses em Brasília, francófonos, simpatizantes (como eu) e apreciadores gastronômicos. Junte essa turma no final da tarde para um café expresso e uma das maravilhosas tortas Le Briand, arremate com um dos bombons como sobremesa. Pronto, por algums horas é possível estar num café ou bistrô na França.

Um ambiente estilizado, valorizado nos detalhes, um lugar aconchegante à meia luz das lâmpadas amarelas.

Nas paredes, obras de artistas franceses. No chão, azulejos coloridos compõe os detalhes das portas. As mesas e cadeiras campestres estão espalhadas na calçada e se integram com a área verde. Um pequeno vaso com flores naturais do campo enfeita cada uma delas.

Os doces são expostos em vitrines de madeira, do chão ao teto. Um carrinho de sorvete, de fabricação própria, descansa na esquina para apurar o sabor entre um prato e outro.

Mas, o que realmente chama a atenção, e faz com que os garçons tenham muita paciência para esperar o pedido do cliente, são os cardápios estilizados. O conteúdo bilíngue é igual, mas as fotos que os compões tranforman-nos em álbuns de fotos documentais do interior da França.

Cada um possui uma composição diferente, em preto e branco, tiradas entre 1970 e 2007 pela fotógrafa brasileira Luíza Venturelli, esposa de Briand.

De acordo com a romântica história; Luiza, na época doutoranda em fotografia, conheceu Daniel, um chef da região de Anjou, num curso de gastronomia. Mais precisamente, num curso de croissant em um centro cultural de Paris. Ele, o professor. Ela, a aluna. Se apaixonaram e mudaram para o Brasil.

Da união da duas culturas nasceu a charmosa Daniel Briand Pâtissier & Chocolatier. "Queríamos que as pessoas encontrassem também a cultura, o belo e o charme de um ambiente francês", diz Luíza em seu cardápio-álbum.

A base dos doces ainda é feita por Briand. Ele conta apenas com o apoio de uma ajudante e ainda cria novos sabores. Daniel parece ser bem criterioso nos ingredientes e na confecção de seus produtos, tudo é feito de forma artesanal utilizando chocolate belga.

Alguns ingredientes são importados, outros são brasileiros, mas para isso ele percorreu vários lugares no Brasil em busca de ingredientes semelhantes aos usuais franceses.

A Daniel Briand Pâtissier & Chocolatier foi eleita pela revista Veja, em 2007, como a melhor confeitaria do Distrito Federal. Mas, opino, o charme da história do casal e a tradicional decoração dão um gostinho muito mais especial às delícias.

Acredito que charme tem sabor. E esta pâtissier tem muito charme.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Natal: frutas frescas para assistir os dias que virão


O aroma floral de nectarina, o sabor cítrico-doce da lichia quando se dissolve na boca e do gostoso “ploc” do talo quando se desprende da cereja madura. Isso é Natal para mim, pois essas frutas que adoro só aparecem no final do ano. E tem que ter comida e musiquinha Jingle Bell para eu apreciar as cenas que virão. Por um mês, eu sou telespectadora da transformação radical da sociedade em função de uma data. E me divirto com isso porque sou muito boba.


Acho engraçado os Papais Noel na porta das lojas fazendo “Ho, ho,ho” e outros distribuídos pelos shoppings e supermercados, prontos para ouvir os pedidos e tirar uma foto com as crianças e poucos adultos, como eu.


Alguns, com uma cara de palhaço assassino, dão medo. Outros, com uma falsa barba que dá uma vontade quase-incontrolável de puxar. Mas, quando encontro um com cara de bom velhinho, não resisto, até arrisco fazer um pedido. “Papai Noel, neste ano eu me comportei e quero ganhar bastante dinheiro!”. O pobre Papai Noel de Supermercado se espantou com uma jovem do meu tamanho, largar o carrinho de compras e ir correndo em sua direção fazer tal pedido com tamanha cara de pau. “Para todos nós, minha filha! Para todos nós! Ho, ho, ho,ho, ho”.


Uma vez não resisti, vi um cara vestido de comprimido na porta de uma farmácia fazendo propaganda da loja. Ao passar por ele perguntei “Você é um anticoncepcional ou um Viagra?”. Ele ficou tão assustado com a possibilidade de ser qualquer um dos dois que ficou sem fala. Limitou-se balançar veementes os braços (para cima e para baixo, visto que não era possível dobrá-los) para negar qualquer das possibilidades enquanto eu seguia meu caminho.


Natal para mim tem que ter marotice de criança, Natal de adulto é muito chato. Uma vez um amigo estava trabalhando fotografando crianças sentadas no colo do Papai Noel embaixo de um enorme pinheiro enfeitado. “Vamos fazer uma foto juntos para celebrar nossa amizade?”. “Tudo bem, mas não estou a fim de sentar no colo de nenhum marmanjo”. “A gente espera terminar, coloco o tripé e fazemos uma de nós dois na cadeira do Papai Noel”.


Guardo essa foto com muito carinho. Pois no momento em que colocamos no disparo automático e saímos correndo para sentar na cadeira do Papai Noel, simplesmente não nos cabia juntos e não íamos sentar um no colo do outro visto que ambos éramos compromissados. Com muito empurra-empurra, nos apertamos e saímos na foto com cara de meninos marotos prensados. Como é bom ser criança! Definitivamente, eu mereço presente de Natal.


Volto ao sofá, como minhas cerejas maduras. Aí passam os filmes comoventes na televisão. Filmes bíblicos, desenhos animados de historinhas tristes que terminam com boas ações, balés clássicos de contos de fadas, filmes antigos que são uma delícia de assistir (Mágico de Oz, A Noviça Rebelde entre outros). Todo mundo fica bonzinho, faz boas ações, distribui caridade. Depois do dia 1º de janeiro, tudo volta ao normal...


Não importa, economizamos o ano inteiro para nos empanturrarmos de comida no final do ano e tentar comer num dia só tudo o que não conseguimos nos 363 dias anteriores (conte o reveillon com sua exuberante ceia).


E eu que sou boba, aproveitarei minhas deliciosas frutas vermelhas que só aparecem no final do ano.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Hinoki-Ya: 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil

Nessa noite de sexta-feira, 21, na platéia de uma apresentação da banda musical japonesa Hinoki-Ya, no Espaço Funarte, em Brasília, em Comemoração aos 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, eu fiz uma reflexão. Eu me lembrei que sou metade japonesa.

É estranho falar de uma cultura quando não se sabe ao certo o quanto ela faz parte de você. Metade de mim é brasileira e a outra não. Mas não sei exatamente definir quais partes estão em quê. Costumo dizer às pessoas que esperam certas reações japonesas de mim, que aquilo ficou justamente nos 50% da raça que me falta. Mas me surpreendo quando observo um oriental e percebo que realmente que tenho algumas reações nipônicas, inevitavelmente, genéticas.

A voz levemente nasalada e estridente, o tom seco, os gestos contidos ou o andar meio quadrado e, às vezes, desengonçado. O cabelo liso de fios grossos que ficam espetados quando curtos ou escorridos quando repicados. A marcante falta de ritmo musical, a neurose em cumprir regras e avisos, a necessidade de ordem mesmo na assimetria. Devo ser uma das poucas pessoas no mundo que lêem mural e manual de instrução.

Os japoneses são tão peculiares que me faz acreditar que J. R. Tolkien se inspirou neles para criar os Hobbits em sua ficção literária. O hábito de trocar presentes e de guardar coisas velhas, as superstições mais absurdas, a obstinação em certas ações etc.

Mas meu cabelo mestiço tem fios que não se misturam, finos e grossos. Meu corpo tem curvas que as japonesas não têm, mas não são comparáveis às das brasileiras. Ser mestiço é complicado, é como ser um cão vira-lata, tem uns que prestam e outros que não, mas sempre tem alguém que gosta. Aqui, no Brasil, eu sou japonesa. Lá, no Japão, eu sou brasileira. Sorte minha esse país tropical ser racialmente diversificado.

Meu pai veio para o Brasil com oito anos, em 1961, num navio cujo não sei o nome. Caçula de três filhos, costuma dizer “Eu não vim, me trouxeram”. Meus avôs, tios e o otousan (pai) desembarcaram, como todos os demais, em Santos (SP) e foram trabalhar nas lavouras de café do interior de São Paulo. “Os negros tinham força para o trabalho braçal e comiam comida que os sustentavam no trabalho: milho, arroz e feijão. Nós, japoneses, tínhamos habilidade para mexer com coisas pequenas, delicadas, e comíamos arroz, peixe e chá. Não tínhamos força para a enxada, então começamos a plantar hortaliças”, me contou.

Sei lá como meu avô conseguiu comprar uns hectares de terra no norte do Paraná, mas a família foi trabalhar no campo plantando hortaliças para abastecer supermercados e feiras da região. E foi assim que meu pai conheceu minha mãe, brasileiríssima. E assim eu nasci. E a casa encheu de gente para ver que bicho tinha dado porque japoneses não costumavam se misturar com outras raças.

Quando assisto uma manifestação cultural dos meus ancestrais nihondins (japoneses), é como se estivesse resgatando algo enterrado não tão fundo, mas nem tão raso. E fico me perguntando, “isso faz mesmo parte de mim?”. Deparar-me inesperadamente com um japonês é sempre um susto, como se eu desse de cara com um espelho (e não é pela semelhança). A reação deve ser a mesma do outro lado porque japoneses mesmo quando não se conhecem, cumprimentam-se.

Fui educada até os quatro anos em um sistema japonês com minha obatchan (avó) e ela nem falava português. Mudar para o Estado da Bahia com meus pais na década de 80, quando os Campos Gerais do oeste baiano estavam sendo colonizados pelos sulistas, foi um enorme choque cultural. Além de sermos (eu e minhas irmãs) as únicas japonesinhas da escola, da rua e do bairro, havia palavras que só conhecíamos no idioma natal. Para agravar, puxávamos o R como os sulistas (imagine alguém falando japonês com sotaque do sul) e tínhamos hábitos diferentes dos baianos.

De repente, os outros não eram mais gaijins (não-japoneses), nós é que não éramos (intereiramente) brasileiros. A curiosidade era recíproca. Aprender a respeitar as diferenças e se adaptar a novas culturas foi nossa primeira lição.

Estudei nos hihongakos (escola de japonês) das associações Nipo-Brasileiras das cidades onde morei. Enquanto eu não conseguia pronunciar o hiroganá “tsu”, minha sensei (professora) não conseguia dizer as sílabas “tu”, “lá”, “fá” etc. E eu me sentia ridícula no final do ano por ter que cantar aquelas musiquinhas japonesas, que todos os brasileiros acham engraçadinhas, mas que hoje até me emocionam.

Quando a banda Hinoki-Ya se apresentou nessa noite, misturando música folclórica japonesa com ritmos de outros países (como comentou um amigo “nunca tinha visto japonês hippie”), enfim notei um Japão pós-guerra mais próximo do que o Japão tradicional que meus avôs preservaram enquanto puderam. O Japão tradicional por aqui ainda é tão sólido que o parco idioma que aprendi na infância já virou dialeto lá. Os isseis (japoneses emigrantes) mantêm a tradição de 50 anos atrás.

Mas, é engraçado observar como as culturas vão se integrando, seja na culinária (meu pai até come cheiro-verde, mas com shoyu) ou numa música israelita (com kimono na foto).

Hinoki é uma árvore japonesa, uma espécie de cipreste, comumente utilizada no bonsai. A banda Hinoki-ya me faz crer que os japoneses são como o bonsai, uma árvore que se adapta ao molde de arames e cordas, mas sempre manterá sua raiz, até mesmo por questões biológicas. Crie um japonês em outra cultura, não adianta, há reações que são tipicamente da raça e não há como retirá-las do código genético (por enquanto).

Ps: Praticamente no final do ano comerativo da Imigração Japonesa ao Brasil, resolvi falar sobre o assunto. Antes tarde do que nunca.



domingo, 19 de outubro de 2008

Desorientados numa Noche Caribeña

Estou me tornando uma observadora.

Adentro um recinto eclético e é inevitável, sento e me delicio em observar as peculiaridades.

Fui a um baile caribenho, numa dessas casas dançantes de Brasília, e passei a reparar no público diversificado do local, gente comum e gente de todas as tribos: alunos e professores de cursos de dança de salão, emos, roqueiros, playboy e patricinhas, GLS – Gays, Lésbicas e Simpatizantes, acadêmicos, estrangeiros latinos e curiosos, como eu e meus amigos.

Tudo isso ao som de salsa, merengue e reggaeton. Mas depois de certo horário, a casa diversifica seus ritmos para agradar a todos: house, hip hop, funk e forró. Para decepção da namorada venezuelana de meu amigo.

A primeira coisa destoante que vi foi um senhor grisalho, de uns 70 anos, de suspensório, solitário. Mais tarde soube que era um professor da Universidade de Brasília (UNB) mais perdido que cego em tiroteio.

Depois vejo outro perdido. Um rapaz novinho, óculos, camisa manga longa sóbria, branquinho, nerd ou como disse uma amiga, “cara de quem curte rock inglês”, ou como eu diria “cara de quem veio trazido por um amigo sem noção”. Como uma figura dessas foi parar ali? Ele mesmo devia estar se perguntando pela cara que fez quando, de repente, o ritmo latino foi alterado para o nosso famoso funk carioca... Como o cara sumiu em seguida, deduzi que foi embora rapidinho.

E os playboys? Havia um especificamente de óculos que passou a ser ponto de referência para minha análise superficial em conjunto com minha companheira de observatório. Óculos podem dizer muito de uma pessoa... Reparamos nas possibilidades dos que usam óculos: nerds, estilosos, intelectuais, pseudo-intelecuais, pessoas que querem parecer intelectuais e os que não têm grana para lentes de contato.

Nosso playboy tinha um falso ar intelectual e passou a noite tentando investir em várias garotas, sem muito sucesso. As pessoas estavam ali mais interessadas em bailar. Era possível ver meninas dançando juntas, como um casal, se divertindo como amigas.

Passeando pela miscelânea cultural, notei um casal gay discreto num canto do salão, sentados em suas cadeiras, descansando da última música. Então, passou um emo querendo ir embora, mas a irmã dele parecia muito empenhada, com o namorado, no passinho da Macarena Venezuelana. Com um pouco de apelo dramático, eles se foram, juntos.

De um lado do salão, mocinhas esperando serem convidadas para uma dança. No outro, rapazes tomando coragem (tequila ou cerveja) para convidá-las, arriscando levar um não. E no meio disso tudo, o povo que realmente se sentia em seu reino, à vontade: os alunos de dança de salão, os professores com suas camisas com propaganda de cursos de dança e... os estrangeiros!

Foi então que reparei na maior concentração africana que já encontrei no Distrito Federal. Os angolanos. Quando eles chegaram notei a forma diferenciada de se vestirem. Pensei, "saíram de que escala temporal?". Rendeu-me bons minutos analisando o vestuário. Meninos: cabelo Black Power, faixa na cabeça ou boina, camisões compridos, tênis tipo all star. Meninas: flor no cabelo ou presilhas, shorts ou vestidos curtíssimos, acessórios coloridos, salto alto.



A Angola fica na costa oriental da África, quase ao sul do continente, a língua oficial é o português. Reconhecemos facilmente quem é de fora. Todo povo tem sua característica própria e os brasileiros têm um jeito de requebrar que impregna as danças mais exóticas, denunciando abertamente "sou brasileiro".

Estes africanos me fascinaram pelo jeito sutil e lento de dançar as músicas caribenhas mais animadas. Enquanto os brasileiros se matavam rebolando, rodando a parceira sobre a cabeça em coreografias artísticas; eles dançavam apenas com o quadril, num movimento moroso, sem pressa e com um ar de “não estou nem aí” e "não tenho pressa".

De par em par, foram tomando conta do salão. Parados no mesmo lugar, o único movimento era um lento e sensual ritmo dos quadris. A discrepância com nossos conterrâneos, de certa forma, causou um mal estar. De repente nos sentimos deslocados em nosso próprio salão tupiniquim.

Mas eu adorei!

sábado, 9 de agosto de 2008

No jardim de um artista plástico argentino


Conheci Díaz Navarro e sua esposa, casal de artistas plásticos, em Córdoba (AR) no reveillon de 2007/08. Duas coisas me marcaram:

1) as obras em mármore argentino, conhecido como tentrino; rosado, cheios de lascas e furos... parecido com coral.
O estilo de Navarro era sempre mais sutil, feminino, curvo... o de sua esposa, cheio de metais, madeira, fálicos. Um, o complemento do outro.

2) uma pintura de um cubo vermelho, na parede.
"Às vezes, um quadrado é só um quadrado", me disseram.

Aqui estão meus pensamentos, às vezes, eles são só pensamentos. Noutros, são relatos reais. Porém como um jardim Navarro, cheio de beleza, esculturas, pregos e ferpas ou apenas... um quadrado.