
Estou fazendo dois cursos de idioma. Inglês porque preciso de qualquer jeito e japonês para resgatar a cultura de minha outra metade (a menos usada). Se eu passar no mestrado ou na seleção de bolsas no exterior, vou usá-los. Se não passar, ao menos serei uma pessoa um pouco mais culta.
De segunda a sexta-feira só penso em inglês, frequento as aulas do intensivão, faço exercícios e demoro uns 10 segundos para entender e traduzir o que estão me dizendo. No automático, as frases são "Excuse, good morning...", "How do you spell?" e "See you tomorow!".

No sábado, é como seu eu fosse uma outra pessoa. Saio de casa repetindo as frases que preciso, e ainda não decorei, em japonês "Okurete sumimassen" (desculpe-me pelo atraso), "Kashite kudasai" (me empresta, por favor?) e "Yorushiku onegaishimasu" (conto com você).
Como são línguas totalmente diferentes, não tem como misturar. O único inconveniente é que quando se quer lembrar uma palavra, ela vem em todos os idiomas, menos no que você precisa. A palavra "eu", por exemplo:
Português: EU
Espanhol: YO
Inglês: I
Francês: JE
Alemão: ICHI
Japonês: WATASHI

Mas, domingo é o dia mais importante da semana, preciso dele para eu retornar ao Brasil, um dia de transição para a realidade. Deus descansou no sábado; eu no dia seguinte porque metade de mim é brasileira, mas a outra ainda não se definiu.