domingo, 30 de agosto de 2009

Estudando idiomas


Estou fazendo dois cursos de idioma. Inglês porque preciso de qualquer jeito e japonês para resgatar a cultura de minha outra metade (a menos usada). Se eu passar no mestrado ou na seleção de bolsas no exterior, vou usá-los. Se não passar, ao menos serei uma pessoa um pouco mais culta.

De segunda a sexta-feira só penso em inglês, frequento as aulas do intensivão, faço exercícios e demoro uns 10 segundos para entender e traduzir o que estão me dizendo. No automático, as frases são "Excuse, good morning...", "How do you spell?" e "See you tomorow!".

Meu professor é marfinês, meu colega é descendente de alemão e eu, de japonês. Como na Costa do Marfim, país no sul da África, a língua oficial é o francês, acabamos aprendendo um pouco de muitas culturas. Salve a globalização! Pena que o esperanto não deu certo porque uma língua universal seria muito útil. Outro dia estávamos tentando explicar para o professor o que quer dizer "The cow went to swamp".

No sábado, é como seu eu fosse uma outra pessoa. Saio de casa repetindo as frases que preciso, e ainda não decorei, em japonês "Okurete sumimassen" (desculpe-me pelo atraso), "Kashite kudasai" (me empresta, por favor?) e "Yorushiku onegaishimasu" (conto com você).

Como são línguas totalmente diferentes, não tem como misturar. O único inconveniente é que quando se quer lembrar uma palavra, ela vem em todos os idiomas, menos no que você precisa. A palavra "eu", por exemplo:

Português: EU
Espanhol:
YO
Inglês:
I
Francês:
JE
Alemão:
ICHI
Japonês:
WATASHI


Dizem que aprender português é complicado, são muitas regras gramaticais e exceções. Mas aprender japonês é como ser uma criança sendo alfabetizada desde a coordenação motora. Começamos com um caderno de caligrafia. Letra por letra, número por número. Se errar a finalização de um traço (hamero, tomero, harau), apaga-se e faz tudo de novo. Se começar uma letra pelo traço errado, ela vira outra coisa. Literalmente, escrever em japonês é uma arte que exige tradição. Não dá para ser pós-moderno.


Até comprei um lápis especial para desenho e uma borracha que não borra. Mas me incomodam os resquícios que a borracha deixa sob a mesa. Então, em um sopro ou passada de mão, vão tudo para o chão, para cima da mesa do colega da direita ou da esquerda, meio metro para frente ou sobre o sapato de alguém. Em um mês já se foi um terço da borracha...

Mas, domingo é o dia mais importante da semana, preciso dele para eu retornar ao Brasil, um dia de transição para a realidade. Deus descansou no sábado; eu no dia seguinte porque metade de mim é brasileira, mas a outra ainda não se definiu.