
Meu terapeuta sexual holístico tem razão. Quem quer saber sobre a migração das baleias?
Elas vêm todo ano para as águas rasas e quentes do Brasil para se acasalarem e nós ficamos só olhando. Então, resolvi aproveitar meu isolamento domiciliar imposto por uma conjuntivite viral e falar sobre lingeries já que não tenho mais o que fazer em casa.
Abri a o malbec Terrazas de Los Andes que ganhei da minha tia argentina. Ótimo momento de introspecção para arrumar minha gaveta de calcinhas, sutiens, meias e corpetes. Uma vez, o Silas Sequetim comentou em seu blog sobre a relação entre o vinho e a sexualidade feminina. É verdade que um pouquinho de vinho tinto nos deixa mais "soltinhas", porém também não é segredo que além da conta é desestimulante.
Coloco uma música alto astral para ter ânimo para o que vem por aí. Abrir uma gaveta é como abrir um baú de memórias. Estou em casa e quero me sentir bem, então passo meu perfume preferido, aproveito e renovo o sachê de gaveta, e começo a arrumar peça por peça das minhas recordações. Dobrar calcinhas, jogar fora as mais velhas, acrescentar as compradas recentemente e separar tudo por cor. Os sutiens são guardados abertos como recomendado pela vendedora da loja. As meias enroladas e separadas entre as do dia a dia e as de festa. Desde que uma 7/8 com silicone enrolou na minha perna e desceu no meio da rua, cinta-liga agora é um item indispensável, não mais decorativo.

Faz tanto tempo que não faço essa organização que é possível traçar uma linha temporal e perceber como mudei nos últimos três anos.
Aos 30 anos, enfim, vejo o mundo com outros olhos. A ansiedade continua a mesma, porém, ando mais exigente. O que mudou? Os médicos não perguntam mais se você é virgem, só não perguntam se você é santa. Mulher de 30, balzaquiana, já deveria saber o que quer, já viveu muita coisa. Será?
As lingeries da minha gaveta há muito deixaram de ser simplesmente básicas e confortáveis. Sair de casa com uma lingerie sexy mesmo que seja para trabalhar levanta muito a estima. De todas as marcas, as que mais me agradam são a francesa Soleil Sucré e a brasileiríssima Fruit de La Passion.
Encontrei na gaveta umas lingeries vermelhas nunca usadas. Não havia reparado antes que preto e rosa são as minhas cores preferidas, descobri depois que as classifiquei por cor no guarda-roupa. Arranquei as etiquetas que me incomodavam, dificil saber de onde são.
Tantas lembraças... E umas tão cômicas como a vez em que o lacinho de uma calcinha desamarrou na rua e tive que andar como um robozinho até o provador da loja mais próxima. Aprendizado prático: laço tem que ser duplo sempre.
Na mesma gaveta encontrei as calçolas gigantes que me minha mãe me deu a pouco tempo com o conselho de que são ótimas para "firmar a barriga". Não sei o que fazer com elas, portanto, vão para o fundo da gaveta.
Outras, são praticamente tapa-olhos, recebidas de presente das amigas mais entusiasmadas no aniversário e Natal. Há também aqueles fios dentais que vêm obrigatoriamente no conjunto de um sutien maravilhoso ou corpete, super difíceis de usar. Vão para o fundo da gaveta!
Uma vez comprei uma grandinha, cor de rosa, tecido poá transparente. Achei-a tão meiguinha, mas não fez nenhum sucesso. De acordo com minha tia, essa é para aqueles dias de vida largada. Errei na escolha, acontece.
Enfim, termino de arrumar a bagunça. Concluo que preciso de um modelo branco nadador e um tomara-que-caia cor da pele para fechar o armário.
E amanhã é a vez dos sapatos!
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