quinta-feira, 3 de junho de 2010

Operação Monbukagakusho


Algumas pessoas me perguntaram se eu consegui entregar a documentação a tempo.

Sim, consegui. Montei uma verdadeira operação de logística que me obriga a dizer que se eu não passar nos exames da Embaixada do Japão, terei que montar uma empresa de eventos em Brasília. Como é bom trabalhar com gente comprometida, eficiente e profissional! Nas últimas 12 horas que antecederam a efetivação da minha inscrição, deu tudo certo!

No último dia de inscrição, a Cynthia acordou cedo e me enviou ainda pela manhã mais algumas observações sobre o projeto. Liguei para o revisor e perguntei se havia tempo de incluir mais um parágrafo, ele disse que sim. Até que revisar foi rápido, mas de acordo com o Du Brasil (o revisor), complicado foi enviar por e-mail. Por que a conexão de internet dá pau, a luz acaba ou o computador sempre trava nessas horas???

Mas ele conseguiu. O documento chegou às 12h10. Vinte minutos depois, eu saía com ele impresso debaixo do braço para pegar uma carona com o Guto para chegar à Embaixada do Japão (no horário de almoço do meu trabalho) e fazer minha inscrição. Carona, não! Larguei o Guto no curso dele e peguei o carro emprestado.

Claro que na noite anterior já havia buscado a localização da embaixada no google maps, anotado o endereço e telefone e organizado toda a papelada para a inscrição (tradução de histórico escolar e diploma, currículo etc). Depois de tudo isso não adiantava mais me desesperar, foi-se feito tudo o que se podia fazer, liguei o "Foda-se" e fui com calma para o Setor de Embaixadas Sul.

Quando estacionei e ia descer do carro; chegou uma moça apressada, estacionou ao meu lado e foi direto para a guarita enquanto eu pegava minha documentação e deixava câmera e celular no interior do veículo. Claro que a pressa dela não adiantou, ela teve voltar e deixar o celular dentro do carro. A Embaixada abre pontualmente às 13h30 e não permite a entrada de aparelhos eletrônicos, nem mesmo o bendito celular. Mas, isso eu já sabia... Hehehehe.

Bem, fui a primeira a ser atendida. Descobri que fui a única a entregar a documentação traduzida para o japonês (podia ser em inglês), então chamaram outra pessoa mais entendida do assunto para me atender. E o resultado é que passei por praticamente uma entrevista com perguntas do tipo: por que a tradução juramentada em japonês, onde você estudou, onde trabalha, quanto tempo de escola japonesa e vai prestar o exame em japonês também?

Não, moça. É que tentei a bolsa da Nippon Zaidan no ano passado e achei que seria mais prático traduzir logo para o japonês, já que as universidades devem pedir essa documentação em algum momento.

Satisfeita, ela disse que estava tudo OK e que eu receberia orientações por e-mail, senão deveria ligar para lá até esta sexta-feira (4). Não recebi nenhum comprovante de inscrição, mas se uma japonesa de verdade disse que estava tudo OK, a gente acredita.

Recebi. E nesta segunda-feira (7) terei duas provas que são classificatórias. Os melhores terão o direito de terem seus projetos e documentação analisados e serão chamados para uma entrevista no dia 18. Os selecionados em entrevista terão a documentação enviada para análise do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (MEXT) e após o OK do ministério, a universidade escolhida dá seu parecer, se aceita esta pobre pesquisadora brasileira ou não.

Quando vou saber o resultado final se passar em todas as fases? Lá para fevereiro de 2011.

E quanto a prova, dei uma olhada nas edições anteriores. São relativamente fáceis, mas exigem um conhecimento intermediário em inglês e japonês. Terei 1 hora para resolver umas 35 questões (divididas em aproximadamente 13 páginas) para cada idioma. Ou seja, duas horas para 70 questões no total.

Já liguei o "Foda-se" de novo. Estou estudando as provas anteriores para me familiarizar com as questões. A fase de aprender o idioma já foi, não há muito o que se fazer às vésperas da prova. Nem vou me desesperar, pois se eu passar, terei curso de idioma no Japão.

Agora resta torcer para conseguir uma boa média, pois não sei como está o nível dos meus concorrentes. Mas se não der, existem outras bolsas para este ano e essas são exclusivamente para nikkeis (descendentes de japoneses), aí a concorência é menor. Às vezes acho que só eu e um monte de não-nikkeis querem estudar no Japão...

Se alguém quiser uma dica de como conseguir uma bolsa de estudos para o exterior, digo que é essencial se planejar anos antes e aprender o idioma do país pretendido. Boas notas escolares e ter estudado em universidade federal também ajudam, mas acho que conta mais o senso de voltar para o país de origem. É investimento perdido para os governos, um pesquisador que não retorna para contribuir no desenvolvimento de seu país.

5 comentários:

Carol, Ênio e Leila disse...

Parabéns Cris,
isso que é determinação. Em um ano prestar prova em duas línguas até então desconhecidas não é para qualquer um não.

Tomara que consiga a bolsa. Fico aqui torcendo.

Criska disse...

Obrigada pela força, Carol! Mas estou apostando no inglês, pois vale a prova em que tivermos maior nota. Para sair do básico do curso de japonês são 5 anos!
É melhor deixar para aprender lá... rs

MARIA NITA disse...

Estou aqui na torcida...
Boa sorte,
Good luck,
Ganbatte kudasai!!

Kazu disse...

nos ultimos tempos entre alguns bolsistas na maioria nao nikkeys parece que se tornou uma febre a tal frase
"fui estudar no Japao e conseguia me virar so com o Ingles"
pra mim depende muito em qual universidade e cidade vc esta
ja que no interior
o ingles nao serve pra quase nada
ou seja estude japones
pq vc quer estudar no Japao

HEBERT´S disse...

Apesar dos pesares parabéns senhorita Emyka, sei como você está batalhando por isto e espero que consiga tudo que sonha, e mais, muito mais...