
Um homem diz:
- Sabe por que duas mulheres vão juntas ao banheiro? Para uma se equilibrar no vaso, sem encostar, dar as mãos para a amiga e dizer "Me segura!".

Homens, em sua simplicidade urinatória, ainda não conseguem realizar este simples feito com eficiência. E por isso resolvi contar aqui a peripécia que é usar um banheiro público feminino.
É sempre bom levar uma amiga porque nem todos as cabines possuem um ganchinho para pendurar as bolsas. E nessa moda de bolsas gigantes, piorou. Apoiar no chão é inconcebível, nojento! Dependendo da bolsa, se for muito pequena, por exemplo, também não dá para pendurar na porta. Fora quando a gente pendura, e a porta abre com o peso das nossas coisas.
O correto é levar uma amiga e revezar para segurar as bolsas.
Entrando no cubículo (entendam, banheiro feminino tem que ser maior, a gente precisa de espaço para o contorcionismo que vem a seguir), é preciso examinar as paredes e a porta para ver onde está limpo para a gente se segurar. Inevitavelmente, acabamos lendo as coisas que as pessoas escrevem.
"Fulano, eu te amo! Ass: Ciclana" dentro de um enorme coração. Eu não entendo por que a Ciclana vai escrever uma declaração de amor pro Fulano sendo que ele é homem e nunca vai ler isso no banheiro feminino; mas tudo bem. Piores são os comentários das outras usuárias, uma setinha, de outra letra e cor, puxando pra fora do coração dizendo "puta" ou "rapariga". E claro, sempre há também nas paredes um "Jesus te ama!". Pichações em banheiro público viraram até objeto de estudos por pesquisadores da USP -Universidade de São Paulo!

Escolhido o local para apoiar os pés e uma das mãos, nos agachamos. Com a outra mão, seguramos as roupas no meio das pernas para não encostar naquela privada toda respiganda de xixi e outras coisas indescritíveis.
A seguir, um momento de muita atenção: é preciso se equilibrar, agachada, sem encostar no vaso, com as roupas no meio das pernas para não sujar, se apoiar na porta para fechá-la (caso não tenha tranca) e ainda dosar o jato para não molhar tudo! Aí entra a verdadeira função do pêlos pubianos. Quanto maiores, mais direcionado para baixo e eficientes na ação da gravidade. Quanto menores, mais xixi pra todo lado! Nada de pêlos, é o caos!
Em meio a tudo isso, pode acontecer de alguém, ao invés de bater na porta para saber se está ocupado, abrí-la de repente e acertar-lhe a porta na cabeça. Para isso serve a amiga do lado de fora: para vigiar a sua porta.
E se não tiver papel higiênico? É o fim. A mulher xinga, depois reza três ave-maria, dá umas três balangadas (que dependendo dos pêlos pubianos pode ser pior) e olha na bolsa se tem algum cupom fiscal, bilhete, post-it, absorvente etc). Para isso serve a amiga do lado de fora também, para providenciar um pedaço de papel com outra mulher.
Sem a amiga, a mulher pode ainda arriscar gritar de lá de dentro "Ô, alguém aí tem papel?". As mulheres são mais solidárias e geralmente, em suas super-bolsas, alguma terá um bom pedaço de papel higiênico para poder dividir.
Ao sair do banheiro, a mulher sabe que isso tudo vai ocorrer com a amiga; mas, solidária, já avisa logo: "sobe em cima do vaso que é melhor!".
Recompostas, as amigas retocam a maquiagem, dão opinião no visual, comentam sobre outras mulheres e combinam quem vai ficar com quem e como vão voltar para casa.
Sem a amiga, a mulher olha pro espelho, lava as mãos, retoca a maquiagem e pede para Deus para na outra encarnação, nascer homem.
Para saber mais sobre o assunto, leia o que a Faxineira Ponto G descreve no blog Sábado de Faxina.